A economia sob o ponto de vista da VEJA, a revista DELES!

Interessante como a revista DELES, a VEJA, cria uma dada discursividade para levar o leitor desatento a concluir que estão falando “a verdade” e não simplesmente “propalando teses burguesas claramente eleitoreiras”. A revista DELES entrevistou o economista PSDBista Armínio Fraga, evidentemente o preferido DELES para gerir o Banco Central, em uma suposta vitória do tucano Aécio Neves, e chamou-nos a atenção os questionamentos de VEJA.

Poderíamos analisar prioritariamente as respostas do economista Armínio Fraga, criticá-las, confrontá-las, desconstruí-las, mas nessa análise discursiva vamos nos deter principalmente aos questionamentos de VEJA e não às respostas do economista DELES.

Primeira questão de VEJA que vamos discutir: “Quais são as evidências de que estamos entrando em uma tempestade na economia?” (VEJA, 27 DE AGOSTO DE 2014). Análise Discursiva: Ora, por que o jornalista da VEJA dirigiu esta pergunta ao economista Armínio Fraga e não outra formulação? Em outras palavras, como dizemos em Análise do Discurso, por que esse enunciado e não outro em seu lugar?

Reparem no substantivo “evidências” e no substantivo “tempestade” marcados na formulação da questão. Para VEJA existem “evidências” de que a economia brasileira está entrando em uma “tempestade”. O jornalista de VEJA sequer pediu a opinião do economista para saber se a economia vai bem ou vai mal, ao contrário, declaradamente o jornalista pediu para o economista nomear as “evidências” de que estamos entrando em uma “tempestade” econômica, logo, a questão não foi feita para ser avaliada, a questão foi claramente uma deixa retórica para o PSDBista, em sua resposta, fazer sua criticazinha burguesa a uma suposta “participação elevada do setor público na economia” (VEJA, 27 de AGOSTO DE 2014).

Ou seja, na lógica do PSDB de Aécio Neves, o governo petista estaria apostando muito no setor público. E EVIDENTEMENTE para os tucanos isso não pode. Priorizar o setor público é gastar demais com os trabalhadores, gastar demais com direitos sociais, é criar empregos públicos estáveis e na lógica deles “tudo isso é inviável” em tempo de crise econômica capitalista. Que absurdo, pensam ELES! A “evidência” da “tempestade” econômica, portanto, foi traduzida por “GASTOS ELEVADOS DO DINHEIRO PÚBLICO”. Pergunta: a quem interessa não priorizar gastos públicos, seja com a saúde pública, seja com a educação pública, seja com o financiamento público da construção de moradia popular, seja com o financiamento de grandes obras públicas? Na verdade, ainda se gasta pouco para melhorar a infraestrutura do país, mas na ótica da revista DELES e do partido DELES isso não pode.

Na sequência a essa pergunta, VEJA anuncia outra questão: “Quais são os sintomas da ineficiência da atual política econômica?” (VEJA, 27 DE AGOSTO, 2014). Análise Discursiva: Por que essas palavras e não outras na questão da Revista VEJA?

Reparem mais uma vez que foi anunciado como sendo uma verdade incontestável uma suposta “ineficiência da atual política econômica”. Ao economista do PSDB foi pedido simplesmente que ele descrevesse os sintomas, pois a doença já foi dada como certa e como tendo uma causa primeira, ou seja, o governo petista de plantão. Na lógica da revista DELES, tudo que se relaciona à economia se resume a uma má gestão do governo atual, o capitalismo e sua crise mundial de superprodução, gerando desemprego em massa no mundo capitalista internacional,  não tem nada a ver com a crise no Brasil. E o economista Armínio Fraga caiu no bordão da burguesia nacional e internacional: “o crescimento cada vez mais baixo” (VEJA, 27 de AGOSTO, 2014).

Já discutimos que a burguesia nacional e internacional pautou o baixo crescimento econômico como o bode expiatório das eleições 2014: https://socialistalivre.wordpress.com/2014/08/20/crescimento-economico-de-1-o-bode-expiatorio-das-eleicoes-2014/ . Na verdade, esta é a única grande crítica que a burguesia faz ao jeito também burguês de o PT governar: acham o PT fraco para atacar os trabalhadores em um momento de crise econômica mundial. Acham também que o PT gasta muito dinheiro público com o povo, ao invés, por exemplo, de diminuir impostos para a burguesia. Isso, evidentemente, VEJA e o PSDB não dizem claramente, isso fica silenciado em seus discursos, mas é o que está por detrás das supostas “verdades econômicas” que VEJA quer tentar incutir nos seus leitores desatentos, quais sejam, de que a economia burguesa estaria EVIDENTEMENTE INEFICIENTE por conta da gestão de um governo que gasta muito com gastos sociais.

O capitalismo e a queda mundial das taxas de lucros dos burgueses é que é a causa dessa situação econômica de baixo crescimento econômico no Brasil, mas o PSDB e a VEJA querem a direção do país a qualquer custo para fazer com que os trabalhadores e os pobres paguem pela crise mundial, não a classe dominante.

Portanto, NÃO TEM NADA DE EVIDENTE nas explicações econômicas que VEJA tentar incutir como sendo as VERDADEIRAS. É o que dizemos sempre: VEJA, e depois DUVIDE!

Por: Gílber Martins Duarte – Militante Socialista Livre do CSL/CAEP – Sind-UTE/Uberlândia/MG – Doutor em Análise do Discurso/UFU – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais – Membro MEOB – CSP-CONLUTAS.

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16 respostas para A economia sob o ponto de vista da VEJA, a revista DELES!

  1. Romeu Tuma disse:

    sabe aquele conselho de não discutir com idiotas socialistas? eu costumo seguir. ahah

  2. Julio Cesar Moura disse:

    Só os energúmenos aderem economia marxiana. Não entende nada de economia esse Gílber. Igualzinho a Dilma que não sabe quanto é 7 + 6. Chega de socialistas, já fizeram estragos suficiente a humanidade.

  3. Negrinha disse:

    Tudo bem, tudo bem… que o tonto fala que o PT, PSB não são comunistas, apesar de estar cheio de melancias marxistas. O PT, PSB e PMDB não são partidos comunista como fala o tonto, mas sim, partidos de oportunistas que não importa quem vai lesar o Brasil, desde que ele esteja junto.. eles estão lá sugando o país e o sangue do povo. Essa é a cara da esquerda brasileira. Corruptos!

    • Negrinha disse:

      Metade dos aliados abandona Marina e ruma para Aécio.

      A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, deve perder ou abrir mão de cerca de metade dos palanques estaduais que tinham sido articulados por seu antecessor no posto, Eduardo Campos. O ex-governador de Pernambuco, que morreu em um acidente aéreo, havia negociado apoios em todos os Estados. Dos 27 acordos fechados por ele, ao menos 14 devem naufragar com a substituição da candidatura. Nesses locais, ou as alianças foram fechadas contra a vontade de Marina –que defendia candidatura própria–ou são protagonizadas por políticos que atuam em campo completamente diverso ao da ex-senadora.

      Há ainda o risco de a campanha ficar esquálida em colégios eleitorais importantes, com a defecção de puxadores de votos que desistiram de disputar cargos após a morte de Campos. Foi o que ocorreu em Minas Gerais, onde o candidato a governador do PSB, Tarcísio Delgado, não alcança dois dígitos. Os pessebistas, então, apostavam na candidatura de Alexandre Kalil, presidente do Atlético Mineiro, para assegurar uma boa bancada de deputados federais, e, por consequência, divulgar a candidatura presidencial. Mas ele desistiu de concorrer. “Nada neste partido [PSB] me interessa. O que me interessava caiu de avião”, disse, ao explicar a decisão.

      HERANÇA
      Adversários de Marina esperam herdar parte do capital político que está se afastando da ex-senadora. O PSDB, por exemplo, acredita que “naturalmente” deve haver uma aproximação maior entre seu candidato, Aécio Neves (MG), e candidatos de Estados como Mato Grosso do Sul, Alagoas e Santa Catarina.

      Neste último, Campos havia costurado um acordo para que Paulo Bauer (PSDB) mantivesse um palanque duplo, indicando o candidato a senador da coligação, Paulo Bornhausen (PSB). O pessebista tem dito que a coligação continuará ajudando Marina. Ele foi a uma das reuniões que o partido fez em Brasília que decidiu o futuro da campanha presidencial –mas ficou do lado de fora da sala onde foram tomadas as resoluções.

      Há ainda dificuldades ideológicas no alinhamento de Marina com candidatos defendidos por Campos no resto do país. No Mato Grosso do Sul, Nelson Trad Filho (PMDB) havia feito um acordo com Eduardo Campos, que indicou a candidata a vice na chapa do peemedebista. Muito ligado ao agronegócio, Nelson Trad encontra resistência entre os marineiros, e, por sua vez, teme a resistência de seus aliados e financiadores a Marina.

      A escolha do novo vice de Marina, Beto Albuquerque, deputado gaúcho com trânsito entre os ruralistas, foi vista como uma tentativa da ex-senadora de facilitar o contato com esse grupo ou ao menos reduzir a antipatia do setor à sua candidatura.

  4. Sargento Gílber de Souza Mattos disse:

    É aterrador,quando o mundo está se tornando uma democracia global, o PT use métodos que nem os anos de chumbo da Ditadura Militar, ousou implantar,estão usando de tudo para perpetuar no poder, como o próprio Lula gravou um vídeo mostrando ser capaz de usar qualquer instrumento para reeleger Dilma,seja lícito ou ilícito,como bem pensou um rei da França, depois de mim, o Dilúvio.

  5. Julio Cesar Moura disse:

    O que querem o Gílber, Gílvam, Ricardo da Mata, Vinicius Fernandes,Mauro Nunes …..? Mais Estatais, Mais Estado, Mais Impostos, Mais Burocracia, as vezes é necessário se aprofundar cada vez mais rumo ao abismo, assim como fez a URSS para depois acordar…
    Não sejam vítimas dessa inversão de valores, pois político marxista que defende bandido querem vocês covardes e inertes a qualquer reação pra que ninguém reaja aos abusos deles também.
    Não seja mais uma vítima do “politicamente correto”. Reajam!

    • Ricardo da Mata disse:

      Os reacionários simplórios só conseguem conceber o mundo como o veem, mas alguns de nós querem uma outra realidade em que as empresas sirvam ao povo e não o use para enriquecer uma meia dúzia.

      • Julio Cesar Moura disse:

        Ricardo da Mata, simplório são seus comentários.
        Marx é uma espécie que nome abstrato para justificar as mais estapafúrdias ideias evoluídas a partir de seu pensamento. Não é preciso redimir Marx nem suas ideias, pois os resultados serão os piores possíveis. “O Capital” de Marx é uma espécie de bíblia onde o indivíduo pode ler e fazer suas interpretações nefastas e aplicá-las à realidade sem se importar com os trágicos resultados. Os marxistas falam sobre a obra de Marx que tem de ser levada adiante, e é aí que os vejo como fanáticos obcecados por uma perigosa utopia. Stalin usou Lênin para justificar suas ações maquiavélicas, este e Trotsky usaram Marx e o povo. Sempre será assim com os oportunistas de plantão que querem trazer uma auréola de cientificidade às suas elocuções usando as ideias e o nome de Karl Marx. O pai do socialismo era o parasita econômico de Engels e viveu às suas custas. O parasitismo social criou a pessoa certa para incendiar a mente de outro parasita: Gramsci. As ideias deste incendeia as mentes de muitos brasileiros com a sua monstruosa “transformação social” por meio de uma cultura revolucionária.

      • André Márcio Murad disse:

        Pessoas iguais ao Ricardo da Mata, simplesmente vão de forma meio bagunçada em direção do seu objetivo, criando aliados e inimigos no caminho, mas isso ocorre de forma orgânica e não planejada.

        Podemos ver essa dinâmica com facilidade na política, cada indivíduo tem os seus objetivos pessoais (ganhar dinheiro, poder, fama, etc), o fato de certas escolas de pensamento se alinharem aos objetivos pessoais é mera coincidência. O Lula não é socialista porque ele leu obras, estudou escolas de pensamento, filosofou sobre o assunto e fez um planejamento sobre como trazer a esquerda pro Brasil, ninguém está nem ai para os métodos de produção, o nordestino pobre, ou a cultura da sociedade… essas grandes mudanças que ocorrem são apenas efeito colateral de indivíduos perseguindo seus objetivos mesquinhos.

        Com isso em mente fica fácil compreender porque o PT está no poder; não é porque eles estão difundindo o socialismo de forma planejada e organizada, é porque eles estão ROUBANDO UM PEQUENO GRUPO E FAVORECENDO UM GRANDE GRUPO. Enquanto esse pequeno grupo (nós) lutarmos contra ideias nada vai acontecer, pois no fim do dia o grande grupo ainda está sendo favorecido pelo PT. A única forma de acabar com essa farra é se pararmos de pagar as contas do grande grupo.

        Ideias tem pouco efeito pois interesses pessoais vem antes da moral (veja quantos servidores públicos acessam o site, sabem que são imorais, parasitas e ladrões e mesmo assim continuam com o emprego público, pegando o dinheiro roubado com um sorriso no rosto no começo de todo mês).

      • Beatriz disse:

        Resumo da prosa:
        O Ricardo da Mata é uma Esquerdista se sentindo rejeitada e depressiva por conta destes fatores se alia a qualquer vertente que visa destruir o atual sistema e regime. Este sentimento é comum a todo socialista!!http://liberzone.com.br/…/segundo-pesquisadores-sentir…/

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