Greve da educação/MG: o que fazer? Uma reflexão de FÉ!

Sugiro que você leia esse texto até o final. Sugiro também que o leia com os olhos da FÉ. Sugiro também que se sua FÉ lhe tocar, que o compartilhe.

Toda greve nos deixa um pouco angustiados, porque uma greve séria somente acontece, quando as coisas não vão bem, quando a justiça falha. E se a justiça falha, e se as coisas não vão bem, há apenas dois caminhos, calar-se perante a injustiça e submeter-se à situação de opressão, ou erguer a cabeça e ir à luta para transformar a realidade injusta. Contudo, se estamos em greve é porque escolhemos a segunda opção, qual seja, ir à luta. Mas ir à luta não significa estar livre da angústia, porque sempre paira em nossas mentes a possibilidade de fazer um grande esforço e mesmo assim não conseguir resolver nossos problemas.

Isto posto, vou contar minha experiência de FÉ com a atual greve da educação 2020. Ontem eu via-nos, a nós os grevistas, em uma encruzilhada: parar a greve no dia 17, como alguns colegas têm pensado? ou seguir em greve, mesmo após o dia 17, a depender dos movimentos do governo? Meu lado sem fé me dizia que talvez o único caminho fosse encerrar a greve no dia 17, mesmo se não conseguirmos o objetivo principal, e apostar assim na redução de certos danos (reposição, ameaças, etc). Porém, eu não sou um ser sem fé, apesar de não seguir uma religião específica, eu sigo o divino. Antes de tomar qualquer decisão profunda e responsável, eu costumo mergulhar no meu interior e pedir iluminação divina. Deus sempre me orienta, eu chamo de Deus, perdoe-me os que não acreditam na linguagem da Fé. Mas eu rezo e peço orientação divina.

Ontem, em meio a essa angústia em relação ao que fazer, eu fiz isso, rezei e saí para minha corrida matinal e pedi a resposta a Deus. Já ouviu aquele ensinamento divino “E qual o pai dentre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente?” Então, baseado em minha fé, eu tinha certeza de que da FÉ uma resposta viria. Comecei a correr e nada acontecia, nenhuma solução, nenhum pensamento divino. Mas, passados alguns minutos de corrida, eis que…

Vou reproduzir em poucas palavras a inspiração que mudou minha angústia e que me reconectou com os conselhos da FÉ. Veio-me à mente o exemplo do final da corrida de São Silvestre 2019. Quem não assistiu, que o assista. A greve foi comparada a essa corrida em pensamentos muito rápidos e tudo se encaixou. É o que chamo de inspiração divina, resposta divina. Quem assistiu à São Silvestre 2019 sabe que o corredor que vinha em segundo lugar já era tido como derrotado. O corredor que estava em primeiro lugar até abriu os braços para receber o título de campeão. Mas algo maior guiava o corredor do segundo lugar. Ele corria com FÉ de que era possível vencer até o último metro da maratona, ele não desistiu face ao evidente favoritismo do que estava em primeiro lugar, prestes a cruzar a linha de chegada. Eis que então aconteceu o inesperado, o corredor favorito vacilou, correu apenas com a lógica e foi surpreendido no último passo. Venceu o corredor que vinha em segundo lugar. Eu ali correndo e rememorando essa profunda lição de vida. A resposta foi-me dada. Nesse momento manifestei e manifesto ainda gratidão a Deus, que sempre ajuda, quando peço inspiração e proteção. Testemunho aqui essa gratidão, porque quem nega os conselhos do pai não é digno de seus conselhos.

O que isso tem a ver com nossa greve? Simples. Ninguém ganhou ainda a maratona que está sendo disputada nessa greve. Não é verdade que o governo, hoje o favorito, já ganhou a guerra apenas porque ele tem o poder de veto do nosso reajuste. O governo conta justamente com o fato de que vamos aceitar a derrota sem lutar até o minuto final. O governo conta com nossa fraqueza. O governo conta com nossa falta de FÉ. O governo conta com nossa possível covardia em lutar até o final. Muitos dizem “já perdemos essa greve” ou “vamos perder essa greve”. Esse é o discurso da falta de FÉ. Ora, aqui vem a orientação divina que me clareou os caminhos dessa maratona da greve. Desistir jamais. O jogo não terminou. Vamos à luta. Força. Coragem. Garra.

O que estamos disputando? Uma corrida de 15 km? Metaforicamente, sim. Mas na prática nossa corrida é outra, estamos disputando o ORÇAMENTO mineiro para a educação. E Minas Gerais tem dinheiro sim, tanto que o governo Zema quer dar 41% de reajuste somente para as forças de segurança, ao invés de agir com isonomia com os outros setores do funcionalismo. Vamos aceitar essa injustiça? Não podemos. Portanto, quando acaba essa corrida em defesa desse orçamento? Dia 17? NÃO. Não tem data. Enquanto houver possibilidade de lutar por esse orçamento, devemos colocar todas nossas forças nessa disputa, logo a maratona não termina com o veto do governador.

Eu sei que muitos vão dizer que essa luta é difícil. Nossa falta de FÉ sempre vai achar que conquistar o primeiro lugar é difícil. Mas essa foi a resposta que Deus me deu: os homens e e mulheres de FÉ e de JUSTIÇA lutam até o final com todas as suas forças para fazer valer o justo. Quem tiver ouvidos para ouvir, ouça! A greve continua, a greve precisa continuar. Não chegamos ao final da maratona. Ninguém pare de correr. Ninguém solta a mão de ninguém. Podemos vencer!

Por: Gílber Martins Duarte – Militante SOCIALISTA LIVRE – Doutor em Análise do Discurso/UFU – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais – Diretor do Sind-UTE Subsede Uberlândia – EDITOR dos BLOGs: https://professorgilber.wordpress.com/

 

Sobre socialistalivre

Esse Blog está a serviço da Luta pelo Socialismo. Defendemos a plena liberdade do ser humano, mas somos radicalmente contra a liberdade de explorar, como a burguesia faz, e contra a liberdade de oprimir como os machistas fazem, os racistas fazem, os homofóbicos fazem, os praticantes de bullying fazem, os preconceituosos fazem, os possessivos fazem e os autoritários de plantão fazem. Assim, defendemos que cada corpo-consciência deve ter liberdade de ser o que ESCOLHE SER, desde que esta liberdade não oprima e explore os outros! Defendemos a plena liberdade de postura crítica e a plena democracia operária, todos devem ter o direito de expressar o que pensam! Defendemos a Revolução Socialista e a necessidade de libertação da classe trabalhadora do jugo do capitalismo. No entanto,somos contra comandos de hierarquias políticas ou de figuras públicas mais poderosas no seio dos lutadores que travam a batalha pelo socialismo. Defendemos que cada militante deve ousar pensar por si mesmo, cada militante deve ter o direito de concordar, mas também de discordar daquilo que julga equivocado, por isso nos definimos como Socialistas Livres e esse Blog está a serviço dos que desejam militar de acordo com essa concepção. Convidamos a todos a conhecerem nosso jeito diferente de entender e de praticar a política socialista, com liberdade, democracia operária, direito de crítica e respeito ao diferente. Saudações Socialistas Livres.
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2 respostas para Greve da educação/MG: o que fazer? Uma reflexão de FÉ!

  1. REJANE APARECIDA NUNES DE SOUSA disse:

    Nossa! Que belíssima reflexão, me emocionou, também penso como você companheiro, mesmo não tendo conseguido aulas ja ne sinto professora e sei da importância da luta! PARABÉNS! Força, foco e estratégia.

  2. Cleiton Mendes Moreira disse:

    Me chamo Cleiton Mendes Moreira, sou professor de matemática da escola estadual do Parque São Jorge em Uberlândia. Entrei na educação desde 1993. São praticamente 28anos . Eu era professor contratado, depois fui da lei 100. Adquiri direitos, biênio, quiquenios, etc, mas em 2013 tudo mudou. Eu passei no concurso para professor nesse ano de 2013, fui efetivado, mas todos os meus direitos foram tirados. Só consegui averbar o tempo de designado para aposentadoria e férias prêmio. O governo Anastasia e Aécio Neves nessa data fez uma lei que retirava os direitos dos professores : bienios, quiquenios, etc.
    Hoje entrei na net e vi meu contracheque….veio de salário para mim 1.992,00 por um cargo de professor. Isso é menos que dois salários mínimos. Já pensei em desistir da profissão, não dá mais para ser massacrado! Fiz a faculdade de matemática na ufu. Foi muita luta para chegar onde estou e não ser valorizado. A que ponto chegou a educação ….menos de dois salários ganha um professor!!!! Portanto, nossa luta é justa!!! 10-03-2020

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