Esquerda pequeno burguesa dá ibope ao fascismo bolsonarista em Uberlândia!

A esquerda pequeno burguesa acredita que vai derrotar o fascismo, escrachando a campanha eleitoral da direita fascista, diga-se de passagem, no terreno da própria direita. Santa ingenuidade!

Para essa discussão polêmica, vou tomar como exemplo a manifestação, chamada e encabeçada por setores da esquerda pequeno burguesa, contra a campanha eleitoral de Jair Bolsonaro em Uberlândia. O protesto é intitulado “Uberlândia contra o Fascismo”.

Primeiramente, algumas linhas sobre a ideologia fascista. Ora, o fascismo cresce nas crises econômicas e políticas, dizendo ao seu público que todas as práticas políticas que não as deles são o podre, o velho, o lixo. E que eles são o novo, o puro, a redenção de todos os males sociais. No Brasil, em um momento de GOLPE, de desrespeito ao voto do povo que elegeu Dilma e não Temer, de justiçamento parcial da dita Operação Lava Jato, de compra de votos por deputados golpistas para se salvarem no poder, o fato é que vastos setores populares começam a descrer na política de um modo geral, e é aí, então, que os fascistas, supostos salvadores da pátria, entram em cena. A tática dos fascistas, financiados direta ou indiretamente pelo grande capital, como é o caso do MBL, é fazer uma lavagem cerebral, repetida milhões de vezes na mente dos ingênuos, no intuito de criar um cenário de terra arrasada na política, e, para angariar sucesso, elegem alguns inimigos para os supostos males sociais (esquerda supostamente toda corrupta; imigrantes no caso do fascismo de Trump nos EUA; artistas pervertidos, conforme histerias fascistas recentes no Brasil tem dito; políticos corruptos por genética; bandidos que se proliferam por supostas “leis frouxas”). O cardápio de inimigos do fascismo só cresce no país e no mundo, esses exemplos anteriores são só alguns dos inimigos eleitos pelo fascismo, para destilar sua política de ódio, mas, no fundo, o que querem é  atacar as visões políticas mais progressistas que tem algum impacto no terreno social dos trabalhadores. Resumindo, o fascismo é uma defesa ideológica e armada da direita burguesa contra os avanços das políticas socialistas, sejam alcançadas por intermédio de táticas reformistas ou táticas armadas. No Brasil, o fascismo cresce contra os avanços sociais que obtivemos nos governos petistas reformistas. O projeto dos fascistas é apagar essa memória dos brasileiros, dizendo que a esquerda é toda bandida.

Aqui entra a ingenuidade da esquerda pequeno burguesa brasileira, ao chamar o povo para ir xingar o fascista Bolsonaro na sua campanha eleitoral, e achar que esse teatrinho vai derrotar o fascismo no Brasil. Ao contrário, o teatrinho “democrático” da esquerda pequeno burguesa somente vai dar mais holofotes para o fascismo que sabe muito bem se disfarçar como o novo, como o corajoso combatente do “bem”, como o justo perseguido pela esquerda supostamente imoral. Pior, a esquerda é ainda mais ingênua, na medida em que não compreende que os setores populares, de um modo geral, não estão à esquerda, não estão na ofensiva contra a direita, ao contrário, estão confusos com a campanha sórdida que a burguesia tem feito para descrer a esquerda e a luta dos trabalhadores de um modo geral. A derrubada de Dilma, a perseguição a Lula, (por mais que a esquerda pequeno burguesa diga que esses políticos não são de esquerda), o ataque aos direitos trabalhistas, o ataque à liberdade dos artistas, aos lutadores por liberdade sexual, à educação livre, enfim, tudo isso faz parte do fascismo crescente na sociedade brasileira que quer impor a ideologia única de direita. Logo, não é indo de camicase no terreno do fascismo, nos seus comícios eleitorais, que os setores de esquerda vão derrotar o fascismo.

Há outro detalhe que a esquerda pequeno burguesa também não avalia, em sua ingenuidade tática, porque pensa apenas por dentro da lógica do estado burguês: a esquerda pequeno burguesa, com sua moral pequeno burguesa, não compreende que o Bolsonaro tem direito de dizer as besteiras que diz, no âmbito da capenga democracia burguesa em que vivemos. A liberdade de opinião deve ser de todos, desde a esquerda revolucionária, até a fraseologia discursiva dos fascistas bolsonaristas. É ingênuo, portanto, processos movidos por setores de esquerda contra discursos idiotas do representante mor dos fascistas no Brasil.

O fascismo não será derrotado, por dentro da democracia burguesa, cassando-lhe o direito à palavra, porque isso voltará contra a própria esquerda. Se a palavra do fascista é calada, a palavra do revolucionário ou do político de esquerda também será calada, mais dia, menos dia. Nós, socialistas livres reivindicamos a mais plena liberdade de palavra, dentro da democracia burguesa, e inclusive dentro do estado operário socialista livre que lutamos para um dia construir. O que rechaçamos não é a liberdade de expressão, não é a liberdade de palavra, o que rechaçamos é a formação de milícias para atacar a existência do movimento operário ou do estado operário ou das políticas pró-trabalhador. Milícias contra o governo popular e operário devem ser esmagadas pela força do movimento da classe trabalhadora. O direito à palavra jamais deve ser tirado de qualquer povo.

Como então se derrota o fascismo? Impedindo os fascistas de dizerem o que pensam nos fóruns deles? Claro que não. Isso é tudo o que eles querem, para depois virem acuar e calar a esquerda, caso cresçam ou dirijam o país, mesmo no âmbito da democracia burguesa. Numa ditadura fascista, a esquerda é assassinada, ninguém pode ter dúvidas disso. Estamos falando de tática de luta no terreno atual da democracia burguesa.

É preciso entender a tática correta, para derrotar o fascismo, temos de impedir os fascistas de dizerem o que pensam nos nossos fóruns, no nosso meio, no nosso terreno, nas nossas passeatas, nos nossos comícios, nas nossas greves. Expulsando inclusive na marra os fascistas, caso vierem fazer qualquer escracho ou ataque ao movimento operário. Contra milícias fascistas em nosso meio não tem argumento. Toda esquerda deveria saber o que devemos fazer com milícias fascistas quando estas atentam contra o movimento operário.

Então, elementar. Não temos de mandar nossos militantes políticos e simpatizantes perseguir a palavra dos fascistas, no recanto deles, no meio deles. Inclusive isso é antidemocrático, e não se combate o fascismo com antidemocracia. Antidemocracia é política fascista. Alguém pode dizer que a esquerda não vai calar a palavra do Bolsonaro no comício dele. Então, pergunto: vai fazer o que mesmo em um comício fascista? Dialogar com eles? Colocar peso de consciência no fascista Bolsonaro por visitar Uberlândia? A esquerda acha que o fascismo será derrotado com diálogo ou com palavras de ordem?

Ora, sem teatro e sem dar ibope para o fascismo, por favor, não é esquerda? Temos de fortalecer nossa organização operária e popular, porque no terreno do movimento da classe trabalhadora, aí sim, a liberdade de organização operária deve ser sagrada, fascista deve ser expulso e enxotado na marra de nosso movimento, caso atentem contra nossas organizações. Então vamos parar de brincar de enfrentar o fascismo.

Repetindo, a esquerda pequeno burguesa vai fazer o que mesmo numa reunião das milícias fascistas engravatadas? Pedir para apanhar? E depois pedir proteção para o braço armado do estado burguês? À medida que a luta de classes se acirra, é preciso, antes de tudo, o mínimo de conhecimento de como combater nossos inimigos de classe. É isso.

Por: Gílber Martins Duarte – Militante SOCIALISTA LIVRE – Dirigente estadual do Sind-UTE/MG e da Subsede Uberlândia – Doutor em Análise do Discurso/UFU – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais –EDITOR DO BLOG www.socialistalivre.wordpress.com

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