Greve Geral desacelerada: alguma explicação?

Obviamente que não adianta tampar o sol com a peneira, caso queiramos derrotar a burguesia golpista instalada na chefia do estado burguês brasileiro. Para o alívio dessa burguesia, a classe trabalhadora brasileira e suas organizações recuaram na Greve Geral marcada para o dia 30 de junho. Tirando a opção explícita da Força Sindical (central golpista, diga-se de passagem) de não se chocar mais com o governo, em busca de negociar migalhas do Imposto Sindical, outras Centrais à esquerda convocaram a Greve Geral, mas não foram seguidos pela massa de trabalhadores, como o foram no dia 28 de abril e no dia 24 de maio.

A vida econômica do povo trabalhador melhorou? Não. O governo Temer conseguiu contornar a crise? Não. A corrupção no Brasil acabou, como mentiam os apoiadores do Golpe? Não. As reformas pararam de tramitar no Congresso Nacional? Não.

Por que, então, a classe trabalhadora não foi à Greve Geral? Os simplistas da esquerda sempre se apressam em dizer que houve boicote de uma dada corrente política sindical, ao invés de todos terem lutado mais, e outras calúnias, ou seja, usa-se o velho discurso de sempre culpar o outro pelo fracasso, pois isso é mais confortável do que enxergar a própria realidade.

Qual é a realidade, então? Por que não se conseguiu aumentar o número de adesão à Greve Geral? Muito pelo contrário, a mobilização encolheu brutalmente. Ora, uma das explicações bem fortes se encontra no elemento ideológico reacionário que se apossou dos corações e mentes da classe trabalhadora, manipulada pelo bombardeio midiático da imprensa burguesa. A ideologia que impregnou na classe trabalhadora é a da DESCRENÇA NA POLÍTICA. Os trabalhadores brasileiros estão na onda de que toda política é uma “podridão”. Não precisa ir longe para perceber esse discurso funcionando na mente das pessoas. Basta um pouco de conversa com o povo. E se os trabalhadores acreditam que toda política é uma “podridão”, a conclusão é a de que os sindicatos que chamam uma Greve Geral política contra as reformas não são vistos como aliados do povo, ao contrário, são também vistos como parte da “podridão” instalada na política do país. É com o discurso de negação da política que cresce o número de pessoas adeptas de fascistas como Bolsonaro.

Estamos numa fase em que a política é vista sem nenhuma esperança, isso reflete na falta de perspectiva de amplos setores das massas. Resultado, a Greve Geral foi muito fraca perante a necessidade.

É preciso dizer que a política não é uma “podridão”, como querem fazer parecer, ao contrário, podridão é ser convencido de que não devemos participar da política, pois isso interessa aos que apostam em governos de pensamento único. A burguesia agradece!

Por: Gílber Martins Duarte – Militante SOCIALISTA LIVRE – Dirigente estadual do Sind-UTE/MG e da Subsede Uberlândia – Doutor em Análise do Discurso/UFU – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais –EDITOR DO BLOG www.socialistalivre.wordpress.com

 

 

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Uma resposta para Greve Geral desacelerada: alguma explicação?

  1. vaedesson disse:

    Análise clara dos fatos recentes! Parabéns.

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