PSTU E FRAÇÕES SECRETAS: A TROIKA.

Esta carta é mais direta e menos analítica; incluirei o tema das ameaças que sofri no último ano. Em 2005 consolidou-se a principal fração secreta, liderada por Eduardo Almeida, Mariúcha e um terceiro membro (permito-me não falar sobre por questões internas e por não saber sua localização atual). A fração Troika, já conhecida por uma quantidade considerável de membros e ex-membros do PSTU, é a fração de direção mais perigosa do partido.

Eduardo Almeida ameaça agora o futuro da LIT ao subir de cargo (esta foi sua “punição” por conspirar contra o regime). Deveria ele passar a direção nacional a outro membro – como acordado na legalidade partidária –, mas, ao perceber que não se tratava de um membro de sua fração, mentiu e manobrou para manter-se no cargo. Neste momento, as aparências caíram: desatou, por sua ação, uma seríssima luta fracional; luta esta que ele trabalhou para esconder da base, como método stalinista. Para que não reste dúvida, ele protagonizou um acordo para esconder da base a luta fracional interna, ou seja, no momento onde a luta entre fração deve existir e se revelar; ele e sua fração articularam a alienação da base em relação aos destinos de seu próprio partido. Quando esta luta apareceu no congresso nacional interno, o próprio congresso implodiu e tornou-se inútil par armar a organização.

Este método não é novo: Valério, um importante dirigente até os anos 1990, passou a ter funções decorativas; Agrela, por outro lado, foi exilado na Venezuela, com uma tarefa naquele país, após seu protagonismo nos debates internos em 2004/5 e no congresso nacional daqueles anos. Soube – cabe a ele, se desejar, a confirmação – que chegou a ouvir de Eduardo Almeida: ”se você lançar este documento, nós vamos te isolar.”

Insisto nessa figura porque ele, Edu. Alm., é o responsável intelectual pela degeneração da organização. Todos os grandes erros do partido – não foram poucos –encontram nele o mento intelectual. A queda do Muro de Berlim, a influência de massas do PT em 90, a frente popular com crescimento econômico no governo Lula, a fragilidade pós-crise interna da LIT e a elevação da qualidade de vida de vários militantes na última década (o REUNI, por exemplo, transformou professores precários em professores universitários) degeneraram o partido, transformado em centrista ultraesquerdista e baseado nas classes médias mais ou menos bem pagas.

Esta equipe de direção, a Troika, desde antes de 2014 organizava uma rede de dirigentes que, por através deles, poderia manipular (a palavra é esta) a base. Assim, no lugar de o debate aberto e honesto, procurou ganhar quadros, ganhando maioria por métodos tortuosos.

No Piauí, Délio foi o responsável por representar a fração secreta. Em um momento de tensão em reunião de membros expulsos, quando ele formou uma corrente, uma das militantes falou “não confio nem naquele Edu. Nem no XXX (o nome, como disse no começo, ocultado)”. Délio reagiu à crítica inesperada com veemência:

– Sabe o que XXX me disse quando veio aqui? Depois da reunião fui almoçar com ele, e ele disse “relaxa, Délio, eu sei que tu carrega a regional nas costas; não se preocupe, você ainda será dirigente dessa regional”.

Todos calaram; por inexperiência e confiança, nos faltou dizer: mas não é base quem escolhe o dirigente? Em nossa conferência, Délio manobrou usando o argumento de “imagina o que minha esposa vai achar, depois que saí assim do PT” contra minha defesa de uma correte pública, simpática à LIT, que se reivindicasse “fração externa do PSTU”. Ele defendeu apresentrarmo-nos em público como ”grupo sindical”, sem nenhuma crítica aberta. Hoje, sabemos que isso se deve a uma orientação recebida por a Troika para não “dividir o partido”.

Outra situação com várias testemunhas – para que não me acusem, de novo, de mentiroso – ocorreu numa reunião de nossa fração regional, pré-conferencia regional, onde ele disse “João, seu documento para o congresso do partido está ótimo, mas o prazo de envio já acabou”. Ele estava mentindo: o documento criticava os erros da direção, da Troika, na última década e propunha uma explicação para os erros; sua intenção era blinda sua fração contra a democracia bolchevique. Verifiquei a data de envio, havia tempo (um mês para enviar), e o encostei no sindicato SINDSERM – de novo, com testemunhas –: “Délio, ainda dá tempo de enviar, faz mais de mês que peço o e-mail, me ajuda nisso?”. Respondeu: “ajudo sim”, esquivando-se, e pouco depois um “Mas vi uns erros lá” foi a sua aposta na insegurança.

Na carta à direção nacional, pedindo a não expulsão, ao que todo indica, ele tirou meu nome da lista de membros assinantes. Esta desonestidade se deve, talvez, ao documento enviado ao congresso. Mas esse método era rotina: colocou em dúvida a moral de alguns militantes com conversas tortas e isolou uns tantos da juventude dizendo em reunião de direção regional que “tem uns rebeldes na juventude” – para que a dirigente do setor, ameaçada, nos perseguisse. Estimulou o modo degenerado d luta fracional – ele mesmo nos disse que falou isso.

Délio, no entanto, nada mais é que um representante da Troika e de Eduardo almeida; estes cooptaram quadros regionais, por métodos e promessas escusos, para tentar garantir a direção. Qualquer militante formado, sabe que o primeiro a usar este método “dirigir os dirigentes” foi Stalin.

Sabendo de meu conhecimento sobre, Délio organizou alguns de sua regional para me agredir – no mínimo. Em um dos feriadões desse ano (acho que em Abril), seus militantes estavam perto do meu apartamento de tocaia, porém um dos seus militantes (nome que não deve ser revelado por estas questões) encontrou-me antes e me relatou que fariam isso em tal dia; aguardei-os apenas para constrange-los: confirmo presença de Gleudiano e outro membro servidor da saúde (que não o Brito). Não bastasse, ameaçaram a mim e à minha companheira com ligações de Bauru São José dos Campos, fakes no facebook ameaçando de modo discreto a mim e a ela, hakeamento, espalharam boatos sobre meu caráter na intenção de desmoralizar, etc.

Poderia, talvez, ter morrido caso não tivesse sido alertado sobre a data em que tentariam “me pegar” – não sei. Como da moral proletária (ou de gangster, da parte deles), decidi evitar a denúncia na polícia. Não nego o medo forte que me abateu depois disso, apesar de nunca recuar. Soube que a troika sabia da tentativa de me agredir, mas nem estimulou nem proibiu, o que nada muda.

O PSTU esgotou-se enquanto ferramenta. A nova corrente, fruto da mais recente ruptura, possui dirigentes por quem possuo sincera simpatia e outros por quem sinto ódio igualmente sincero. Confiem desconfiando. Nestas duas cartas posso ter cometido um ou outro erro de imprecisão: parte das informações da primeira fora me dado por Délio em nossas reuniões de Comitê Regional.

Limitado às questões teóricas (meio por onde tentei ajudar: o problema também é programático-teórico), voltarei a militar apenas se pressionado pela classe trabalhadora na rua; o desgaste e desgosto foram enormes. A partir de agora, toda provocação será desconsiderada por mim, evitada; reagirei apenas quando no limite. Porém, regirei à calúnias com informações imorais de dirigentes; como o de Cacau, dirigente do PSTU que não rompeu, que usou a revista de educação do partido para publicar um artigo de uma de suas parceiras sexuais; fez um agrado. O mesmo farei se provocarem minha companheira e uma amiga já ameaçada pelo mesmo motivo.

A tristeza não é pouca. Cuidei de Délio por quatro dias quando este estava em uma clínica psiquiátrica, enquanto outros militantes viajavam ou bebiam. O que demorei seis anos a perceber espero que outros não demorem tanto; aprendi muito com o PSTU, mas não é mais um partido revolucionário – a degeneração do partido é a maior derrota da classe trabalhadora em 20 anos.

Diz essa informação é obrigação, nada ganho com isso: saber que militantes sofrem por falta de quem diga como as coisas são gera culpa, necessidade de ajudar. O socialismo será a humanização do homem; no entanto, a militância em partidos autoproclamados socialista, ao contrário, brutaliza seus membros: esta contradição deve ser resolvida, ou não iremos muito longe.

Por: João Paulo da Síria – ex-militante do PSTU

Pstu

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