ESCOLA SEM PARTIDO: ou da inauguração do professor ameba!

Quando as mentalidades tacanhas começam a verbalizar idiotices teóricas como a chamada “escola sem partido”, tendo apoio, mesmo que mínimo, de determinados setores da sociedade, é sinal de que há algo muito míope no âmbito da cultura nacional.

Que haja idiotas propagandeando isso nas redes sociais não é de se surpreender, porque no mundo sempre houve vagas para as parvoíces dos mais variados graus e gêneros. Que haja Ministros da Educação dando ouvidos para essas besteiras, aí sim, torna-se algo horripilante e deplorável para qualquer um que tenha entrado minimamente no seio da cultura letrada.

Tem jeito de falar-pensar sobre qualquer tema, na escola, sem tomar partido? Não. Por que não? Suponhamos, o tema em exposição é o despretensioso casamento de Mariazinha com Joãozinho. Casaram na igreja católica ou na igreja evangélica? Pronto. Já se tomou partido a favor do Vaticano ou do Calvinismo. Por que se casaram e não ficaram solteiros? Pronto. Já se tomou partido a favor do casamento, em detrimento dos que optaram por viver sós.

O tema em estudo é a chegada dos portugueses ao Brasil. Mas foi uma chegada? Ou foi uma descoberta? Ou foi uma invasão? O professor obrigatoriamente, se for ensinar os primeiros momentos portugueses acerca da suposição de se ter chegado à Ilha de Vera Cruz, terá necessariamente de tomar partido, contra ou a favor dos índios que aqui viviam, isto é, foi legítima a colonização portuguesa ou foi uma agressão à cultura local nativa?

Ótimo, mas para praticar a Língua Mátria, a última flor do Lácio, como diria o poeta, vamos fazer uma redação sobre as possíveis causas da falta de água no estado de São Paulo em 2015. Tratou-se de um simples problema natural da falta de chuva, ocasionada ou não pelo aquecimento global, ou há que se acrescer a isso um problema agravante de mau planejamento estrutural para se lidar com a escassez de água no estado? Mais uma vez, no despretensioso exercício linguístico, há que se tomar partido a favor de uma explicação meramente condizente com as leis naturais ou de uma explicação que atribui responsabilidades públicas na gestão da água.

Resumindo, só um professor ameba, não tomaria partido nas diversas situações-problemas que aparecem o tempo todo na construção do conhecimento. Mas amebas pensam? Ah, detalhe, ao que tudo indica, amebas não pensam. Há que se abster sequer de pronunciar uma palavra, caso o professor não queira tomar partido. Isto é, não há construção de conhecimento sem tomar partido. Só se fosse um professor ameba que nada ensinaria, pois não pensaria.

Se escola há, já é necessário tomar partido antes de se pronunciar qualquer palavra: ensinaremos em Língua Portuguesa ou em Língua Inglesa ou em Língua Espanhola? Ensinaremos em Língua Portuguesa. Perceberam as implicações?Então, já tomamos partido a favor do fortalecimento da Língua Oficial de nosso país, em detrimento da Língua de outras regiões. Ficou claro? Só uma ameba falaria em ESCOLA SEM PARTIDO. Infelizmente essas amebas tem voz junto ao atual governo golpista. Rogai por nós!

Outrossim, verbalizar a demagogia da “ESCOLA SEM PARTIDO” é tomar partido pela idiotização coletiva. A quem interessaria mesmo a tolice generalizada? Ao se deparar com discursos como “escola sem partido”, corra dos que pronunciam tamanha MENTIRA. Estão te enganando e te cooptando para a escola de professor ameba deles.

Por: Gílber Martins Duarte – Militante SOCIALISTA LIVRE / FRENTE RESISTÊNCIA – Dirigente estadual do Sind-UTE/MG – Doutor em Análise do Discurso/UFU – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais –EDITOR DO BLOGwww.socialistalivre.wordpress.com

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