Conjuntura nacional: a batalha encarniçada da reprodução/transformação das relações de produção!

Pensando-se que na luta de classes trava-se a batalha encarniçada entre a “reprodução/transformação das relações de produção”, como bem pontuara o marxista francês Louis Althusser, é assim que precisamos ver a conjuntura atual da luta de classes brasileira.

Setores abstracionistas de esquerda não enxergam a luta de classes real e sonham com um terceiro campo na luta de classes brasileira atual, mas esse terceiro campo não existe na luta real. Esses setores abstracionistas, ditos de esquerda, continuarão nanicos achando que a culpa de seus trágicos destinos míopes é do governismo. Não é. A culpa é de seus idealismos.

A luta de classes real, concreta, é que determina a consciência, não é a subjetividade idealista dos que se auto-intitulam revolucionários. Essa crença que acha que a culpa dos fracassos revolucionários é um problema de direção revolucionária é uma crença ultraesquerdista idealista, introduzida por León Trotsky no movimento operário e que enfraquece muita a luta da classe trabalhadora mundial, em suas batalhas concretas contra os senhores do capitalismo. Serve tão somente para criar divisionismos e pretensos iluminados, longes, distantes da luta de classes real.

Mas a luta de classes é desaforada, dá de ombros para os idealistas e eles, os idealistas, sempre perdem, quando não se movem com a luta de classes real, quando não travam as batalhas concretas que se dão entre a reprodução/transformação das relações de produção. Por que perdem? Porque comumente tais setores entregam sem luta o poder para a direita reacionária, para os fascistas. É o caso de PSTU, PCB, e setores do PSOL no Brasil, ao não lutarem contra o golpismo de direita no país, anunciando idealistamente que irão forjar um terceiro campo na luta de classes brasileira, mas, no fundo, tão somente servem de quinta coluna da direita golpista reacionária, que é quem deve assumir o poder no país, caso o governo petista caia.

O que existe então, a partir da luta de classes concreta que trava a reprodução/transformação das relações de produção, do ponto de vista da crise política atual em que setores direitistas golpistas não querem aceitar que o Brasil seja dirigido pelo PT? Existe uma feroz batalha para que o capitalismo brasileiro em crise se reproduza às custas de uma brutal exploração da força de trabalho e a classe burguesa e seus asseclas que assim o desejam não aceitam que o capitalismo em crise penda sua balança para que de alguma forma salve as mínimas condições de vida do povo trabalhador.

A grande contradição é que mesmo o PT sendo um partido de colaboração de classes, ou seja, um partido que não rompe em definitivo com a reprodução das relações de produção do capitalismo, contudo, o PT sinaliza para que haja algumas transformações nas relações de produção, o que é inadmissível do ponto de vista da burguesia e da pequena-burguesia capitalista reacionária em crise, e faz com que a luta de classes brasileira se acirre.

O Estado deve gastar com o povo trabalhador ou não deve gastar com o povo? O Estado deve cobrar impostos para beneficiar o povo trabalhador ou não deve cobrar impostos? Vejam que a direita golpista é clara: não quer que o PT gaste com o povo, não quer que o PT cobre impostos para investir no povo trabalhador. Por quê? Porque o PT sinaliza para algumas transformações das relações de produção por dentro do Estado capitalista que governa e isso atrapalha os lucros da classe dominante. Enquanto as empresas automobilísticas pregam a demissão sumária dos trabalhadores para voltarem a ter lucro, o PT, com sua estratégia de colaboração de classes, utiliza-se do Estado para tentar suavizar as relações de produção, propondo reduzir a jornada e o salário para que todos continuem trabalhando, isto é, propõe manter o exército operário de pé economicamente, mesmo com perdas financeiras para o coletivo dos trabalhadores, sendo um empecilho no projeto das empresas. Um governo direitista do PSDB, por exemplo, sonho de consumo dos coxinhas, jamais faria essas intervenções estatais.

O PT, através da arrecadação de impostos estatais, garante programas de renda mínima que, de algum modo, impede que a classe média reacionária ou mesmo os ricos pratiquem o trabalho escravo que outrora praticavam sobre vastos setores famintos da população desempregada, ou seja, praticavam nas relações de produção o famoso “trabalho em troca da boia”, isto é, trabalho em troca de um prato de comida. Com o governo do PT, por exemplo, as domésticas tiveram direitos trabalhistas reconhecidos em lei, quando antes eram meras prestadoras de serviço sem benefício trabalhista algum. O PT, mesmo sendo uma merreca, tem garantido reajuste anual do salário mínimo que também de alguma forma faz com que a escravidão trabalhista não seja possível, pois uma família, com um de seus membros trabalhando, pelo menos se alimenta e não vai se submeter a uma exploração brutal de mais-valia (trabalho não pago) nas empresas e microempresas dos capitalistas em crise econômica, em condições de semiescravidão.

Essa é a luta de classes concreta, a batalha reprodução/transformação das relações de produção que tem se travado nos porões das relações trabalhistas brasileiras, o que tem gerado ódio por parte dos setores exploradores reacionários. Essa é a luta de classes real que pariu o GOLPISMO direitista atual. Não é uma luta entre frações da burguesia que pariu o GOLPISMO reacionário atual. Mais uma vez não entende nada de luta de classes real, quem pensa que impeachment versus não impeachment é uma luta entre frações da burguesia. É luta de classes, é batalha entre reprodução/transformação das relações de produção.

Outros exemplos, os programas de habitação do PT também tem esfriado o mercado de aluguel de imóveis, reduzindo a exploração imobiliária por parte de setores da classe média proprietária de imóveis, o que explica também o ódio de dada classe média para com o PT. Enfim, a luta de classes real no Brasil atual não se trava entre revolução e reprodução do capitalismo como analisam os ultra-esquerdistas que falam em criação de um terceiro campo na luta de classes. Luta de classes não se inventa, não se cria por um partido x ou y, ela, a luta de classes, existe, é concreta, está na batalha da reprodução/transformação das relações de produção.

A possibilidade da revolução está contida na reprodução do capitalismo e suas contradições, no sentido da luta por transformações que podem até chegar a uma revolução, mas a revolução não é uma ideia que existe de fora, de forma idealista, dirigindo e determinando a luta de classes, esse é o sonho quimérico das seitas ultraesquerdistas idealistas que não vivem na luta de classes real. O que há de concreto no mundo é uma batalha mortal entre reprodução/transformação das relações de produção em curso nos porões da luta de classe brasileira e mundial e essa luta não terá fim vencendo o golpismo de direita ou vencendo os setores progressistas da classe operária, conseguindo imprimir que transformações continuem ocorrendo. A luta de classes não termina, enquanto houver transformações a serem feitas no todo social, é um devir histórico que vive na contradição permanente.

O PT morreu enquanto ator da luta de classes brasileira atual? Não. Apesar de alguns dirigentes, que se acham os únicos revolucionários, acharem que o PT morreu enquanto ator da luta de classes real, enganam-se redondamente. Podemos dizer que o PT, agora, muito mais do que antes, está no olho do furacão da luta de classes. Seu grande teste de vida ou morte está nessa conjuntura atual que se defronta com o golpismo da direita reacionária. O PT somente morrerá na luta de classes brasileira se perder o seu potencial de promover transformações nas relações de produção concretas, promovendo mudanças na vida do povo trabalhador explorado. Esse é o desafio que se impõe aos dirigentes do PT atual. Se apenas reproduzirem o capitalismo em troca de seguirem na frente do Estado, entrarão para a tumba da História, se souberem resistir à burguesia golpista e seguirem fazendo transformações na vida do povo trabalhador, o PT ainda seguirá vivo como agente da luta de classes real.

Portanto, lutar contra o golpismo de direita e lutar para que continue havendo transformações nas relações de produção é o grande movimento que a classe trabalhadora brasileira precisa travar hoje, aqui e agora. Se é o PT que está à frente do governo, pouco importa. Na luta de classes real, ou a classe trabalhadora ganha ou a classe trabalhadora perde. Queremos que a classe trabalhadora siga lutando por transformações das relações de produção, é assim que podemos quiçá um dia chegar ao socialismo. O mais, em se tratando de luta de classes real, é fantasia. Ou namoro sem vergonha com a direita golpista.

Por: Gílber Martins Duarte – Militante SOCIALISTA LIVRE – Sind-UTE/Uberlândia/MG – Doutor em Análise do Discurso/UFU – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais –EDITOR DO BLOG www.socialistalivre.wordpress.com

Socialistas Livres II

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8 respostas para Conjuntura nacional: a batalha encarniçada da reprodução/transformação das relações de produção!

  1. Fernando Piovesan disse:

    O papel proeminente que as ideias econômicas representam na administração pública explica por que os governos Socialistas, o PT e os grupos socialistas procuram restringir a liberdade de pensamento econômico. Procuram propagar a “boa” doutrina e silenciar as “más” doutrinas. Para eles, a verdade não tem força suficiente para impor-se por si mesma. Para poder prevalecer, a verdade precisa ser respaldada pela ação violenta da polícia ou de outros grupos armados. A verdade de uma doutrina depende de que seus defensores sejam capazes de derrotar pela força os partidários das outras doutrinas. Fica implícita a noção de que Deus ou alguma entidade mítica dirige o curso das atividades humanas e confere a vitória aos que lutam pela boa causa. O poder vem de Deus e sua missão sagrada é exterminar os heréticos.
    Não vale a pena repisar as contradições e inconsistências dessa doutrina de intolerância e perseguição de dissidentes. Jamais em tempo algum o mundo conheceu um sistema de propaganda e de opressão tão bem arquitetado como o que é adotado pelos governos contemporâneos, pelos partidos políticos e pelos grupos de pressão. Apesar disso, todos esses edifícios desmoronarão como castelos de cartas, tão logo uma grande ideologia os enfrente.
    Países governados por bárbaros ou por déspotas, o estudo de economia está praticamente proscrito. A discussão pública sobre os problemas econômicos ignora quase que inteiramente tudo o que os economistas disseram nos últimos duzentos anos. Preços, salários, juros, lucros são manipulados como se sua determinação não estivesse sujeita a qualquer lei. Os governos decretam e tentam impor valores máximos para as mercadorias e mínimos para os salários. As autoridades exortam os empresários a reduzir os lucros, a diminuir os preços e a aumentar os salários, como se esses assuntos dependessem apenas da boa vontade dos indivíduos.
    Nas relações econômicas internacionais, as pessoas recorrem irresponsavelmente a um mercantilismo primário. São poucos os que têm consciência dos erros de todas essas doutrinas socialistas em voga, e que compreendem por que tais políticas invariavelmente provocam desastres.

    Esta é a triste realidade. Mas só há uma maneira de modificá-la: prosseguir, sem descanso, na busca da verdade.

    • Geronimo disse:

      Podemos considerar as aulas de história nas escolas como um fator importante para o crescimento da mentalidade de esquerda em nosso povo, neh? Principalmente em razão de distorções e colocações de luta de classes inexistente e deturpação do conceito de burguesia. Portanto, não só historiadores econômicos colocam sua ideologia, todos os historiadores o fazem.

      Pq esquerdistas têm tanto ódio de empresários se são eles que sustentam tudo?!!

      • Geronimo disse:

        Eles tem ódio de tudo que dá certo. É a única explicação que encontro para toda a afeição por assaltantes armados comuns, por exemplo. Roubar é virtude e servir é ignomínia

  2. Maria Rita disse:

    A questão premente ainda segue intocada: quando a classe política se envolve na gerência de empresas, a corrupção se torna institucionalizada. Punir os escroques é necessário, mas ainda insuficiente. O grande problema a ser atacado, e que é a causa de tudo, é o fato de o governo ser o dono de empresas.

  3. Fernando Piovesan disse:

    Sabe como funciona a cabeça de Nelson Barbosa?

    Declarações desta manhã:

    “Mercado, por si só, gera desigualdade e volatilidade”.

    “Papel do Estado é promover menor volatilidade e maior estabilidade”.

  4. Fernando Piovesan disse:

    Dilma, Mercadante, Gílber e Barbosa compartilham da mesma concepção ultrapassada (1980!) do Estado paizão.

    Vícios privados, benefícios públicos. Só o Governo poderá nos defender de nós mesmos… mas quem nos defenderá do Governo?

    O Estado paizão funciona bem no discurso demagógico dos trios elétricos, mas falha em todas as demais situações.

    Desde que o Governo Dilma assumiu as rédeas, em 2011, piorou a desigualdade de renda e piorou a volatilidade do mercado.

    Não foi bom para NINGUÉM.

    Não foi bom nem para o próprio Governo, que agora se vê à beira do precipício.

  5. Fernando Piovesan disse:

    Alguém ainda acredita que o Copom vai continuar parado?

    Com o real derretendo e o Estado Paizão gastando like there’s no tomorrow, expectativas de inflação para 2016 vão fugindo do controle.

    Não há outra coisa a se esperar: lá vêm novos aumentos da Selic!

    É o que diz a precificação da curva do DI futuro, já mirando 15% de juros..

  6. Fernando Piovesan disse:

    O desabafo de Fábio Júnior e o recado aos idiotas que logo serão ex-governantes. http://abr.ai/1VJoeKX

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