Por que deixo as fileiras da CSP-CONLUTAS e volto para a CUT?

Cheguei a fazer a ata de delegado para participar do Congresso da CSP-CONLUTAS/2015, a acontecer em junho, em Sumaré-SP, mas desisto de participar desse Congresso da CSP-CONLUTAS cuja fundação apoiei, acreditando, na época, que estávamos no caminho certo e que iríamos construir algo superior à CUT. Doce ilusão de um jovem rebelde, na época militante do PSTU, e sem visão de conjunto, turvado pela teoria de uma direção política equivocada.

A CSP-CONLUTAS não conseguiu e não conseguirá ser superiora à CUT, porque, em certa medida, carrega os mesmos vícios da CUT e pior, não dirige a maioria da classe trabalhadora brasileira sindicalizada, é apenas um PROJETO DE CENTRAL, e, com seus vícios, quer se goste de ouvir ou não (a verdade é dura), a CSP-CONLUTAS tende a não passar disso: “PROJETO de CENTRAL”.

É verdade que a CUT é hegemonizada pelo PT e, em grande medida, sua direção sindical tende a apoiar o governo petista, argumento, aliás, que o PSTU usou na época em que abandonou as fileiras da CUT e, a propósito, usa até hoje para justificar o fato de estar fora da CUT. Mas e daí? Qual o problema da CUT ser hegemonizada pelo PT? Simplesmente o PT é maioria na classe trabalhadora brasileira sindicalizada, o que é democrático. O  desafio é superar essa hegemonia petista, demonstrando para a classe trabalhadora os limites do projeto do PT que só podem ser sanados com projeto socialista claro, estatizando os grandes meios de produção e colocando-os ao serviço do operariado.

Curiosamente, o que o PSTU criticava para sair da CUT é o que o PSTU pratica. Agora a CSP-CONLUTAS é hegemonizada pelo PSTU e funciona, no fundo, como uma colateral do PSTU, porque a CSP-CONLUTAS reproduz a política do PSTU, muitas vezes sectária e descolada dos enfrentamentos reais da classe operária. Um exemplo: A CSP-CONLUTAS recusa-se a mobilizar os trabalhadores contra a direita golpista e contra os fascistas que tentaram e ainda tentam dar um golpe político no Governo Dilma e na democracia brasileira. Defender a democracia contra os golpes direitistas a um governo eleito é governismo? Para o PSTU, sim. Foi com esse argumento que a CSP-CONLUTAS, dirigida pelo PSTU, recusou-se a participar do dia 13 de março, saindo com a esdrúxula política do nem, nem, ou seja, nem 13 de março, nem 15 de março. Isto é, uma guerra da esquerda contra o fascismo e a direita e o PSTU, dirigindo a CSP-CONLUTAS, em cima do muro, no fundo ajudando a direita, que levou milhares para a rua no dia 15 de março. E se vencem os golpistas e o dia 15 de março descambasse para o fascismo de sua direção? Ora, o nem, nem da CSP-CONLUTAS, dirigida pelo PSTU, seria simplesmente criminoso. Quanta miopia política..

Além disso, a CSP-CONLUTAS, dirigida pelo PSTU, tem sérias dificuldades de fazer atos unitários com outras Centrais, sempre com a desculpa de que as outras Centrais são governistas e chapa branca, só a CSP-CONLUTAS tem lutadores. Outra miopia. As greves dirigidas por outras centrais são peleguismo?

Porém, o problema da CSP-CONLUTAS é ser hegemonizada pelo PSTU, partido que a dirige e dá a linha política dentro da central, por ser maioria? Claro que também não. Não há problema nenhum em um partido ser maioria dentro de uma CENTRAL, em um partido dar a linha em uma dada Central, miopia que a INTERSINDICAL possui e que, por essa cegueira, recusou-se a unir a CSP-CONLUTAS, no CONCLAT em Santos/SP, há 6 anos atrás. Aliás, é democrático a classe trabalhadora ter seus partidos e um partido ser maioria em dado lugar, em uma dada central. Portanto, que fique claro, não é porque o PSTU é hegemônico na CSP-CONLUTAS que estou abandonando essa Central.

Por que então abandono as fileiras da CSP-CONLUTAS? Primeiro por uma questão particular e pessoal: não há clima de camaradagem interna, na CSP-CONLUTAS, para quem foi ex-militante do PSTU como eu fui, por 18 anos. Alguns militantes do PSTU, enveredados cada vez mais para o sectarismo, na ausência de políticas corretas para o movimento dos trabalhadores, não sabem conviver com pessoas que não são do partido dentro da Central e que pensam diferente da maioria, principalmente se a pessoa for ex-militante do PSTU. Milito em professores em Minas Gerais e não há nenhuma plenária de professores da CSP-CONLUTAS para debater qualquer intervenção política da CSP-CONLUTAS no movimento de professores/MG. Ou seja, a CSP-CONLUTAS, em professores de Minas Gerais, é só um nome, sem qualquer organização real no movimento. E o PSTU fala em nome da CSP-CONLUTAS sem sequer discutir com quem é de outras correntes, ou seja, fazem da CSP-CONLUTAS uma PSTU-CONLUTAS.

Segundo motivo: na última assembleia do Sind-UTE/MG, os militantes professores do PSTU tiraram uma linha política totalmente sectária e ultraesquerdista, abstendo-se na votação do acordo salarial da categoria, acordo vantajoso para a classe dos professores mineiros. O sectarismo praticado nessa assembleia só se explica pelo fato de o PSTU querer fazer oposição cega à direção do sindicato cutista, o Sind-UTE/MG, e ao governo do estado petista, Fernando Pimentel. Ou seja, o PSTU, na CSP-CONLUTAS, não tira política para beneficiar a classe trabalhadora, tira política para diferenciar-se do PT e da CUT, uma doença infantil do sindicalismo. Obviamente, eu fui contra essa política ultraesquerdista do PSTU e, em nome do CSL-FCT-CSP-CONLUTAS, defendi outra política, a política de aceitar o acordo com o governo do Estado de Minas Gerais, proposta que foi majoritariamente vencedora na base dos trabalhadores em educação.

Por eu ter tido essa posição, combatendo o desvio equivocado do PSTU, e sendo muito aplaudido pela classe dos trabalhadores em educação, por ter defendido simplesmente a política correta para a classe trabalhadora, dirigentes do PSTU de BH, agindo como seita, ficaram me hostilizando e me mandando “voltar para a CUT”, simplesmente porque o PSTU foi massacrado na sua política equivocada, perante os trabalhadores, de se abster de aceitar um reajuste salarial no Piso, reajuste que foi interpretado como conquista pela categoria. Tem mais, é um absurdo dirigentes do PSTU ficarem me hostilizando, como se eu tivesse obrigação de seguir a política errada do PSTU simplesmente pelo fato de eu reivindicar ser da CSP-CONLUTAS. Ora, não tenho mais idade para ficar brincando de moleque nos corredores do movimento de trabalhadores com militantes sectários do PSTU que não tem argumento político sério para o debate público. Esse é o primeiro motivo que me fez desistir de ir ao Congresso da CSP-CONLUTAS, abandonando suas fileiras.

Mas vejam, esse fato foi só a gota de água para eu desistir das fileiras da CSP-CONLUTAS. O que percebo? Não há espaço, dentro da CSP-CONLUTAS, para quem não pensa igual ao PSTU. Pequenos grupos oposicionistas ao PSTU, dentro da CSP-CONLUTAS, estão apenas perdendo seu precioso tempo nessa Central que não decola e tende a não decolar, por conta do sectarismo de sua direção majoritária.

Além da gota d´agua aqui apontada, não é de hoje que dirigentes do PSTU me fazem outros ataques, por eu, sendo da CSP-CONLUTAS, ter chamado voto crítico em Dilma Rousseff, no segundo turno das eleições 2015, mesmo depois de eu ter votado no Zé Maria (PSTU) no primeiro turno e aberto o blog www.socialistalivre.wordpress.com para candidatos do PSTU fazerem campanha.

Poderia ir para a CSP-CONLUTAS fazer oposição aos equívocos do PSTU, mas, sinceramente, não estou disposto a ficar debatendo democracia operária e ficar combatendo ultraesquerdismo com quem se diz “revolucionário”. Aliás, o A, B, C de qualquer militante que se diz socialista e o A, B, C de qualquer Central Sindical que se pretenda democrática é não ser ultraesquerdista e muito menos antidemocrática.

Em meu ponto de vista, o momento histórico brasileiro, com o crescimento significativo da direita conservadora e golpista, seria de unificar todas as CENTRAIS de trabalhadores em uma só, como foi a fundação da Central Única dos Trabalhadores. É um absurdo o movimento operário brasileiro estar todo fraturado como está, enquanto a direita está toda unificada. O PT tem uma central para dirigir, a CUT; o PSTU tem uma central para dirigir, a CSP-CONLUTAS; o PC do B tem uma central, a CTB; setores do PSOL tem uma central, a INTERSINDICAL. Enquanto isso, temos uma terceirização na cabeça da classe trabalhadora, o PL4330, e temos dificuldade de organizar uma GREVE GERAL de peso para enfrentar os direitistas na Câmara dos Deputados e no Senado.

Ora, essas políticas tem nome: sectarismo dos partidos de esquerda, trazidos para dentro do movimento sindical. O movimento sindical está repleto de seitas, cada uma criando uma CENTRAL para mandar em suas bases. Todos trabalhadores deveriam estar na mesma CENTRAL, discutindo seus problemas juntos e tentando resolvê-los juntos, mesmo com suas diferenças partidárias e políticas. Não é o que acontece. Portanto, despeço-me das fileiras da CSP-CONLUTAS, porque acho que foi e é um projeto errado, cada vez mais descambando para o sectarismo, fruto da política equivocada de dirigentes do PSTU. Meu chamado agora é por reunificar todos os lutadores em uma mesma central, somente juntos podemos derrotar o capitalismo. Chega de divisionismo da classe trabalhadora. Marx já dizia: “trabalhadores do mundo, uni-vos!” A esquerda brasileira está na contramão de Marx. No fundo, a esquerda brasileira, com cada partido com sua central, está dizendo: “trabalhadores brasileiros, dividam-se”!

Com isso não quero dizer que o PSTU só tenha erros, há muitos militantes honestos e de luta no PSTU, honestos e de luta como um dia eu fui, por longos 18 anos, mas digo que a direção do PSTU acirra um divisionismo na classe trabalhadora que só conduz o próprio PSTU e a própria CSP-CONLUTAS para o ISOLAMENTO. Poderia perder minha vida fazendo oposição à direção do PSTU dentro da CSP-CONLUTAS, como alguns pequenos grupos fazem, mas isso também não levaria a nada, porque a política do PSTU apenas faz a CSP-CONLUTAS minguar cada vez mais em seu projeto de um dia ser uma central de massa. Desejo boa sorte para quem ainda acredita que a CSP-CONLUTAS possa conduzir o movimento operário brasileiro ao socialismo com democracia. Eu tenho minhas sinceras desconfianças. E a História é quem dirá se eu tenho razão ou não. Está colocado o debate.

Diante disso, prefiro mesmo “voltar para a CUT”, como sugeriu o dirigente do PSTU, praticamente me mandando ir embora da CSP-CONLUTAS por eu pensar o que eu penso. Por que prefiro voltar para a CUT? Pois, com todos os defeitos da CUT, hegemonizada pelo PT, conduzida também por alguns muitos burocratas e até por governistas, pelo menos a CUT tem uma VANTAGEM, a CUT não está isolada da classe trabalhadora brasileira, como a CSP-CONLUTAS está e cada vez mais tende a estar. E por que o isolamento da CSP-CONLUTAS? Justamente porque o PSTU não consegue perceber que é juntos e atuando-se nas contradições da classe trabalhadora é que se pode talvez um dia fazer uma revolução socialista.

Construir guetos sindicais serve só para massagear o ego dos pretensos revolucionários e dar emprego sindical para meia dúzia de burocratas profissionais que, liberados sindicalmente, há anos sem pisar no chão de uma fábrica, no chão de uma escola ou no chão de um serviço público qualquer, passam a viver e depender das contribuições sindicais para seguir suas sobrevivências. Sempre militei e sempre militarei com o meu trabalho e com meu próprio salário de Professor da Rede Estadual de Minas Gerais e não pretendo viver de liberação eterna em aparato sindical. Minha luta pelo socialismo livre é uma entrega, não uma conveniência política, portanto, seguirei defendendo o que penso nos movimentos da classe trabalhadora, independente do aparato sindical ou partidário a que eu pertença. Foi assim que sempre fiz e é assim que seguirei fazendo. Saudações Socialistas Livres/FCT aos que conseguiram chegar até aqui.

Por: Gílber Martins Duarte – Militante SOCIALISTA LIVRE (FCT) – Sind-UTE/Uberlândia/MG – Doutor em Análise do Discurso/UFU – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais – Membro MEOB – EDITOR DO BLOG www.socialistalivre.wordpress.com

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11 respostas para Por que deixo as fileiras da CSP-CONLUTAS e volto para a CUT?

  1. Professor Paulo Ricardo disse:

    Em homenagem ao bom professor, que ENSINA, e para evitar que o mau professor DOUTRINE nossas crianças e jovens. Escola Sem Partido. Que tal?

    • Fernando Piovesan disse:

      Esses professores anencéfalos marxistas, devem ser processados civilmente pelos estudantes e/ou seus pais. Basta que meia dúzia de ações de reparação de danos morais sejam ajuizadas para que os professores comecem a pensar duas vezes antes de usar suas aulas para tentar fazer a cabeça dos alunos com suas doutrinas marxistas criminosas.

      • Nilza Tavares disse:

        Anencéfalos??? Como assim??? Quem pensa diferente de vc é… anencéfalo??? Vc é que deveria estar presa…mas na camisa de força por não saber conviver com os diferentes. Sua .. preconceituosa!!!

      • Nilza Tavares disse:

        Anencéfalos??? Como assim??? Quem pensa diferente de vc é… anencéfalo??? Vc é que deveria estar presa…mas na camisa de força por não saber conviver com os diferentes. Seu .. preconceituoso

  2. Professor Paulo Ricardo disse:

    Doutrinação nas escolas?

    A doutrinação ideológica ou político-partidária no ambiente escolar tem sido noticiada e denunciada Brasil afora em diversas instâncias, principalmente nas redes sociais. PARABÉNS PELO PROJETO:
    http://www.escolasempartido.org/artigos-top/546-projeto-de-lei-tipifica-o-crime-de-assedio-ideologico

  3. Professor Paulo Ricardo disse:

    DIGA SIM PARA A ESCOLA SEM PARTIDO.

  4. Renan disse:

    Ótima análise! Parabéns pela decisão! Abraço!

  5. Professor Manoel disse:

    kkkkkkkkkk… O pelego esta “revoltada”
    Corrupção NÃO! ‪#‎EuQueroCPIdoBNDES‬
    Fora sindicalistas pelegos.

  6. Susete Ramos Melo disse:

    Interessantissimo o que escreve Gilber. Uma analise muito oportuna para este momento e com sensatez , ousando expressar verdades que, certamente, outros ja sentiram vontade de faze-lo, inclusive eu. Pois aqui e Criciuma/ SC , o CSP ConLutas/ PSTU, tem este mesmo procedimento de hostizacao com quempensa diferente e ousa opinar.

  7. Diego Leão disse:

    Mais de 2 anos e a análise do Gilber permanece atual.

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