APÓS 127 ANOS DE ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO NO BRASIL, POUCA COISA MUDOU.

Os 127 anos da “Abolição” da escravidão no Brasil ainda não representaram uma conquista plena da luta do Movimento Negro Brasileiro contra o preconceito, racismo, discriminação racial, xenofobia e as Intolerâncias Correlatas contra os mais de 50% de negros/as descendentes de africanos que foram oficialmente escravizados no país, por mais de três séculos.

Após a “Abolição”, no campo institucional, é inegável as conquistas adquiridas pela população negra, através de medidas de reparações para acabar com conflitos e desigualdades raciais, como a Lei Afonso Arinos de 1951 (primeiro código brasileiro a incluir entre as contravenções penais a prática de atos resultantes de preconceito de raça e cor da pele); a Constituição Cidadã de 1988 (aborda a temática da discriminação social, racial e de gênero no Brasil, fazendo, inclusive, uma crítica à discriminação velada); a Lei nº 7.716/1989, a denominada Lei Caó (que inclui entre as contravenções penais a prática de atos resultantes de preconceito de raça, de cor, de sexo ou de estado civil, dando nova redação à Lei Afonso Arinos); a Lei 10.639 de 2003 (que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas redes públicas e particulares da educação); o Estatuto da Igualdade Racial de 2010; as Cotas Raciais nas Universidades de 2012 e as no Serviço Público de 2014, entre outras, porém, estas leis ainda não foram suficientes para promover a mobilidade social de negros/as no Brasil.

No campo econômico, a média salarial da população branca é superior a da população negra em todas as profissões. Negros/as são a maioria absoluta nos trabalhos domésticos, enquanto os brancos/as ocupam as profissões mais qualificadas.

Ainda no campo econômico, nos últimos anos, quem ganhou e ganha muito dinheiro é a classe elitista predominantemente branca. De acordo com a lista Forbes (The Forbes World’s Billionaires), dos 74 bilionários brasileiros (nos quais não existe nenhum negro), da atualidade, juntos somam um patrimônio de mais 346,3 bilhões de reais, quase 7% do PIB do país.
Na contramão dessa estatística, está o “Brasil Negro” ocupando a 107ª posição do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Em 2009, a situação era praticamente a mesma: os brancos no 40º lugar no ranking, e os negros na 104ª posição. Em 2010, o analfabetismo entre brancos, com mais de 15 anos, era 5,9%; entre os negros, 14,4%.

No que diz respeito os índices da violência, o quadro é ainda mais crítico para a juventude negra: no período de 2002 a 2011, a participação de jovens negros no total de homicídios no país se elevou de 63% para 76,9%, enquanto que a participação de jovens brancos decresceu de 36,7% para 22,8%. Os números mostram ainda que a vitimização da juventude negra, no mesmo período, subiu de 79,9% para 168,6%; isso quer dizer que para cada jovem branco/a assassinado/a, há 2,7 jovens negros/as vítimas de homicídio. Esse cenário é tão alarmante que ativistas e especialistas têm denominado o fenômeno como genocídio da juventude negra.

Na esfera jurídica, a justiça continua livrando a classe elitista branca, hegemônica e corrupta da cadeia, enquanto os presídios estão lotados de negros/as.
Apesar da luta do Movimento Negro Brasileiro ter avançado na esfera pública nos últimos 20 anos, como o Grupo de Trabalho Interministerial de Valorização da População Negra (GTI), criado durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB, 1995-2002); a criação e estruturação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) e o Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial (FIPIR), nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (PT, 2003-2014), as desigualdades raciais existentes no Brasil nada mudaram.

No mesmo sentido, curiosamente, em Uberlândia, onde o Prefeito, o Secretário Municipal de Comunicação e o de Cultura são negros, as benéficas de políticas públicas do poder público continuam cada vez mais brancas e elitistas.

Por tudo isso, compreendemos que o Movimento Negro Brasileiro precisa, urgentemente, se reorganizar, de forma unida, livre, independente e com espírito de autodeterminação, para reduzir as desigualdades de raça e classe ainda persistente em nossa cidade e em nosso país.

Por: Pedro Barbosa – Doutor em Ciências Sociais. Pesquisador Associado do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal de Uberlândia.

Acessem os BLOGS das organizações que estão construindo a Frente Comunista dos Trabalhadores(FCT): www.socialistalivre.wordpress.comlcligacomunista.blogspot.com,  coletivolenin.blogspot.com.br,  espacomarxista.blogspot.com.br, tendenciarevolucionaria.blogspot.com.br

logo CSL-FCT

Anúncios

Sobre socialistalivre

Esse Blog está a serviço da Luta pelo Socialismo. Defendemos a plena liberdade do ser humano, mas somos radicalmente contra a liberdade de explorar, como a burguesia faz, e contra a liberdade de oprimir como os machistas fazem, os racistas fazem, os homofóbicos fazem, os praticantes de bullying fazem, os preconceituosos fazem, os possessivos fazem e os autoritários de plantão fazem. Assim, defendemos que cada corpo-consciência deve ter liberdade de ser o que ESCOLHE SER, desde que esta liberdade não oprima e explore os outros! Defendemos a plena liberdade de postura crítica e a plena democracia operária, todos devem ter o direito de expressar o que pensam! Defendemos a Revolução Socialista e a necessidade de libertação da classe trabalhadora do jugo do capitalismo. No entanto,somos contra comandos de hierarquias políticas ou de figuras públicas mais poderosas no seio dos lutadores que travam a batalha pelo socialismo. Defendemos que cada militante deve ousar pensar por si mesmo, cada militante deve ter o direito de concordar, mas também de discordar daquilo que julga equivocado, por isso nos definimos como Socialistas Livres e esse Blog está a serviço dos que desejam militar de acordo com essa concepção. Convidamos a todos a conhecerem nosso jeito diferente de entender e de praticar a política socialista, com liberdade, democracia operária, direito de crítica e respeito ao diferente. Saudações Socialistas Livres.
Galeria | Esse post foi publicado em Práticas sociais, socialismo livre e marcado , . Guardar link permanente.

Uma resposta para APÓS 127 ANOS DE ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO NO BRASIL, POUCA COISA MUDOU.

  1. Professor Paulo Ricardo disse:

    Comunista falando de ‘humanizar’ qualquer coisa é mais ou menos como o açougueiro dizer que é contra o abate do gado por ser vegetariano. A extrema esquerda brasileira é, mais do que qualquer outra corrente política, a grande disseminadora de ódio no Brasil nas últimas duas décadas. Incitam o ódio de classe social, gênero e cor. Sempre incitaram o ódio contra os raros da imprensa que pensavam diferente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s