Oposição de direita quer superávit primário a qualquer custo!

Ou seja, querem dar garantias econômicas para os banqueiros, e de tabela tentar incriminar Dilma Rousseff por supostamente “GASTAR DEMAIS” com o povo. Por isso, sabendo-se derrotados na política, ou seja, sabendo-se derrotados no Congresso Nacional, PSDB/DEM/PSB/PPS recorreram ao STF para tentar derrotar o governo no legalismo, impedindo que o governo federal aprove as contas do estado deste ano. O argumento dos direitistas é que o governo não pode mudar leis para legitimar a falta de superávit primário no presente ano de 2014. Ou seja, aos direitistas importa mais sobrar superávit primário (economia de dinheiro público para pagar juros da dívida) para engordar o bolso dos banqueiros, do que gastar dinheiro público com a saúde, com a educação, com a aposentadoria, com o salário mínimo.

Em outras palavras, a oposição de direita é amiga dos banqueiros e inimiga da classe trabalhadora, por isso querem superávit primário a qualquer custo. É assim que pensa a tropa partidária da burguesia política direitista. A Rede Globo fala em “buraco nas contas do governo”, em outros termos, a oposição de direita não está sozinha, tem ao seu lado a sua poderosa mídia burguesa! Querem porque querem superávit primário! Querem porque querem salvar banqueiros e jogar a crise capitalista nas costas da classe trabalhadora.

Como já disse outrora aqui no BLOG: “aqui, para o superávit primário”!

Por: Gílber Martins Duarte – Militante SOCIALISTA LIVRE – Sind-UTE/Uberlândia/MG – Doutor em Análise do Discurso/UFU – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais – Membro MEOB – CSP-CONLUTAS.

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Socialistas Livres II

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Esse Blog está a serviço da Luta pelo Socialismo. Defendemos a plena liberdade do ser humano, mas somos radicalmente contra a liberdade de explorar, como a burguesia faz, e contra a liberdade de oprimir como os machistas fazem, os racistas fazem, os homofóbicos fazem, os praticantes de bullying fazem, os preconceituosos fazem, os possessivos fazem e os autoritários de plantão fazem. Assim, defendemos que cada corpo-consciência deve ter liberdade de ser o que ESCOLHE SER, desde que esta liberdade não oprima e explore os outros! Defendemos a plena liberdade de postura crítica e a plena democracia operária, todos devem ter o direito de expressar o que pensam! Defendemos a Revolução Socialista e a necessidade de libertação da classe trabalhadora do jugo do capitalismo. No entanto,somos contra comandos de hierarquias políticas ou de figuras públicas mais poderosas no seio dos lutadores que travam a batalha pelo socialismo. Defendemos que cada militante deve ousar pensar por si mesmo, cada militante deve ter o direito de concordar, mas também de discordar daquilo que julga equivocado, por isso nos definimos como Socialistas Livres e esse Blog está a serviço dos que desejam militar de acordo com essa concepção. Convidamos a todos a conhecerem nosso jeito diferente de entender e de praticar a política socialista, com liberdade, democracia operária, direito de crítica e respeito ao diferente. Saudações Socialistas Livres.
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12 respostas para Oposição de direita quer superávit primário a qualquer custo!

  1. Carla Lombardi disse:

    É um crime de responsabilidade da presidente da República. O superávit negativo foi criado pelo governo que agora o transformou em meta de resultados. O governo não quer ter responsabilidade. A partir de agora, sendo aprovada essa fraude, o Congresso vai convalidar todo crime de responsabilidade que Dilma cometer.
    ESPERA-SE O QUE DE UM GOVERNO IRRESPONSÁVEL E AMADOR.
    O governo e a sua base #CongressoCorruPTo estarão criando o “Superavit negativo”. Piada !!!
    Este Congresso , com 40 políticos , atolados na areia movediça do Petrolão , não têm Moral para votar NADA.
    O governo petista não está preocupado com as contas do país. O PT é um desgoverno.
    Se aprovada a proposta, estará aberta a porteira para que estados e municípios também possam proceder de igual forma.
    A pergunta que fica vagando: como curar essa chaga da corrupção com a maioria dos 3 poderes aparelhados pelo atual governo? A quem o povo brasileiro poderá recorrer? É nítido que se tudo continuar como está vão destruir o nosso país, vão destruir a democracia brasileira.

    • Professor Marcio Vinícios disse:

      Rolo compressor – O Brasil está sendo alvo de seguidos golpes arquitetados pelo governo bolivariano de Dilma Vana Rousseff e referendados pela banda podre do Congresso Nacional, também conhecida como base aliada, que nos últimos doze anos se entregou de maneira escandalosa ao proxenetismo político.
      Depois de, na noite de terça-feira (25), atropelar o regimento interno do Congresso Nacional para destrancar a pauta, votando a toque de caixa os vetos presidenciais, sem ao menos ter atendido aos pedidos legais da oposição, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), volta a repetir tão condenável procedimento. Na sessão desta quarta-feira (26), no afã de votar o projeto de lei do governo que oficializa a irresponsabilidade fiscal, Calheiros está a atropela mais uma vez o regimento, apenas porque tem o dever (sic) de cumprir as ordens palacianas.
      Que na política nacional que dita o ritmo é a malandragem oficial todos sabem, mas é inaceitável que o regimento interno comum (Senado e Câmara dos Deputados) seja aviltado para atender as necessidades de um governo incompetente, paralisado e corrupto. O que vem acontecendo no Parlamento brasileiro na última década, pelo menos, é reflexo imediato da roubalheira que corroeu os cofres da Petrobras. Ou seja, o produto do crime serviu para comprar a consciência dos integrantes da base aliada.
      Após juntar-se à campanha de Aécio Neves (MG), que disputou a Presidência da República por coligação liderada pelo PSDB, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) retomou o velho e deplorável papel de defensor do desgoverno petista. Pouco depois do meio-dia desta quarta-feira, Jucá abriu a sessão do Congresso Nacional usando o quórum da noite anterior, o que é proibido desde que não haja acordo entre as lideranças partidárias. Como no caso específico o acordo não ocorreu, a sessão para votação do PLN 36/2014, que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), simplesmente inexiste do ponto de vista legal. A insistência de Renan Calheiros, que assumiu a presidência dos trabalhos em seguida, poderá levar o tema para o Supremo Tribunal Federal (STF).
      Com a obrigação de evitar que a presidente Dilma Rousseff incorra no crime de responsabilidade, o que abre caminho para um processo de impeachment, Renan simplesmente ignora o as regras do Parlamento, uma vez que a Resolução nº 1, de 2006, do Congresso Nacional, em seu artigo 135 determina que não havendo quorum mínimo a sessão deve ser “encerrada ex-officio”. “Se durante sessão do Congresso Nacional que estiver apreciando matéria orçamentária, verificar-se a presença de Senadores e Deputados em número inferior ao mínimo fixado no art. 28 do Regimento Comum, o Presidente da Mesa encerrará os trabalhos ex-officio, ou por provocação de qualquer parlamentar, apoiado por no mínimo 1/20 (um vigésimo) dos membros da respectiva Casa, ou por Líderes que os representem.”
      Renan Calheiros repete o expediente chicaneiro adotado na sessão do dia anterior e posterga o encerramento da sessão para que parlamentares consigam chegar ao Plenário, o que, mesmo ilegalmente, pode produzir quorum mínimo para a reabertura da sessão. O senador alagoano ignora o artigo 28 do regimento comum – “Art. 28. As sessões somente serão abertas com a presença mínima de 1/6 (um sexto) da composição de cada Casa do Congresso” –, mas se vale do artigo subsequente para empurrar adiante o golpe palaciano.
      “Art. 29. À hora do início da sessão, o Presidente e os demais membros da Mesa ocuparão os respectivos lugares; havendo número regimental, será anunciada a abertura dos trabalhos.
      § 1º Não havendo número, o Presidente aguardará, pelo prazo máximo de 30 (trinta) minutos, a complementação do quorum; decorrido o prazo e persistindo a falta de número, a sessão não se realizará.
      § 2º No curso da sessão, verificada a presença de Senadores e de Deputados em número inferior ao mínimo fixado no art. 28, o Presidente encerrará os trabalhos, ex officio ou por provocação de qualquer Congressista.”
      O presidente do Congresso Nacional não apenas desrespeita de forma vil o regimento comum, mas ousa falar em democracia, no momento em que ele próprio sabe que seu ato vai contra o Estado Democrático de Direito, podendo, inclusive, ser processado judicialmente pela maneira utópica e truculenta como conduz a sessão, cujo script foi previamente escrito pelos palacianos.
      É preciso que os brasileiros de bem reajam contra mais um golpe rasteiro arquitetado malandramente pelo governo do PT, que teme pelo fim da legenda no rastro de eventual abertura de processo de impeachment de Dilma Rousseff, conforme dispõe a Lei nº 1.079, de 10 de abril de 1950, que no artigo 4º não deixa dúvidas acerca do tema.
      “São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentarem contra a Constituição Federal, e, especialmente, contra:
      I – A existência da União:
      II – O livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário e dos poderes constitucionais dos Estados;
      III – O exercício dos direitos políticos, individuais e sociais:
      IV – A segurança interna do país:
      V – A probidade na administração;
      VI – A lei orçamentária;
      VII – A guarda e o legal emprego dos dinheiros públicos;
      VIII – O cumprimento das decisões judiciárias (Constituição, artigo 89).”

  2. Francisco disse:

    “Eleita democraticamente”. Pronto, agora pode fazer o que lhe aprouver e todos têm que aceitar. Se é assim, pouco difere de uma ditadura e os benefícios reclamados pelo bem comum, dever do governante, irão apenas para os seus militantes. Sinceramente, do jeito que está não pode ficar. Que apareça a oposição competente e combativa a fim de apontar novos rumos.
    Nenhum Jornal ou TV deram a notícia mais importante de 24 de Novembro de 2014,
    a do fechamento do Congresso Nacional com cadeado para impedir a entrada de populares
    na CMO, no dia da votação do crime de aprovar um rombo fiscal inadmissível como se fosse superavit.
    É MUITO MAIS QUE UMA VERGONHA NACIONAL, É DITADURA NUA E CRUA.

    “Será que fecharão com cadeado para
    a Polícia Federal também”?
    Até quando vai isso?

    • Ditadura ninguém vota, cara pálida.

      • Rodolfo Aurich Balzer disse:

        Essa é sua intelectualidade Gílber??? É essa a sua prioridade para debates escritos e deletando vídeos???Tem lido muitos folhetins de comunistas…..A cada dia que passa mais retardado e agressivo.

      • Professor Marcio Vinícios disse:

        Só um idiota pra seguir esse Marx. O cara nasceu em 1818 onde dezenas de palavras sequer existia ainda, nem na economia nem na poli’tica. Os países que o seguiu se fuderam. Caralho o cara viveu antes da Guerra de Secessão americana e tem que o siga hoje ???? a civilização hoje é muuuuito diferente, assim como a política,,,,tem que ser muito idiota esse socialista livre.

      • Professor Marcio Vinícios disse:

        Em se tratando de Marx como ser humano e como um pensador/cientista, diga-se de passagem, extremamente de esquerda, seu pensamento, independente da área pela qual se dedica a analisar e formular, sejam o direito, sociologia, política, economia ou religião, sempre deixou na sua teoria uma marca profunda no radicalismo, esquerdismo pleno, utópico e sem originalidade.
        Contradiz-se, ao teorizar em prol de uma sociedade justa, que de justa só contemplava a ele próprio e seus seguidores posteriores. Deixou a imagem de pensador humanista, mas para quem nunca viveu a realidade proletária, só se tornou figura marcante influenciando o pensamento contemporâneo, como uma alternativa ao sistema capitalista liberal, reafirmo, sem originalidade teórica pela sua farta pesquisa e influencia de pensadores como Hegel, Rousseau e seus contemporâneos, Phroudon, Saint Simon, que o fizeram criar as adaptações necessárias as suas teorias socialistas difusas para não parecerem cópias mal feitas de seus concorrentes filosóficos de esquerda.
        Afirmando dentro de minha analise a pessoa de Marx e sua obra, que seu maior legado é sim o tratamento que sua teoria exige de seus simpatizantes, um espírito religioso e devoto aos preceitos escritos pelo mais celebre esquerdista contemporâneo.
        Numa analise imparcial de sua obra, dificilmente encontraremos igualdade e justiça, mas uma substituição da classe dominante, legislação em causa própria e privilégios e ações radicais para a busca e manutenção do poder.
        No fundo, tudo é uma questão simples e básica: a vontade do poder!! No caso do PT, o poder pelo poder, não por causas nobres e éticas, mas, pelo sentido pejorativo da palavra!!

      • Professora Verinha Luci Albuquerque disse:

        Brasil tem um regime político próprio, a CorruPTocracia, e é contra ele que o povo deve lutar!
        CorruPTcracia amparada por uma cambada de brasileiros que querem uma boquinha para levar vantagem, é a Lei de Gerson mais forte do que nunca. Em qualquer país subdesenvolvido do planeta esse governo já teria sido deposto.
        O PT é muito corrupto, mais a culpa esta nos partidos que lhes dão sustentação, O PMDB É O PIOR DELES, e pelo visto esse socialismo livre também.
        O PT e seus apoiadores é o parasita burro que mata o hospedeiro e acaba morrendo junto ! A fonte secou ! Em breve eles vão ” morrer de fome ”
        Na prática, o governo está dizendo que não é preciso cumprir a Lei e que se você tiver força, sempre dá pra dar um jeitinho. Isso é muito grave. Nenhum governo pode se colocar acima da lei. Este projeto impacta na credibilidade do País, na geração de empregos e os investimentos vão embora. Quem paga a conta desse desgoverno é o cidadão brasileiro.

      • Evelyn Nikolaievitch disse:

        Dilma faz exatamente o que disse de forma odiosa e assustadora, que o Aécio faria se eleito!
        ‪#‎MentePraKCT‬
        Sim, sob que de forma incompetente…aliás, como tudo que eles fazem . Roubar eh o único talento do Pt, e mesmo assim pq conta com a impunidade .
        Não adianta nada, não é um membro que muda uma economia, é o conjunto da obra que já é uma merda ! Sente-se no ar que esse desgoverno não vai continuar, as ações dela exprimem exatamente isso. É como se no afundamento de uma navio alguém arranjasse uma bomba, mas os rasgos nos cascos continuam a fazer água. Economia é SISTEMA, não é um ou outro que muda, o mercado é quem percebe isso e se aproveita para agir e os viajantes da Nau Petralha percebem que não há barcos solva-vidas em número suficiente, é uma queda de braço e quem vai levar somos nós, os contribuintes, vamos ser escorchados por aumentos, impostos e taxas, mas a ECONOMIA é uma coisa viva, poucos se salvarão ganhando, muitos terão prejuízos- o pior, que todas as áreas do desgoverno estão aparelhadas e sofreram rombos e com esses rombos, ninguém pode lidar ! SÃO OS ÍNDICES idiotas, e não adianta mascarar, tudo vaza!

  3. Professor kiko disse:

    Transcrevo, abaixo, um discurso pronunciado em 26 Nov 1946, na Câmara dos Deputados, pelo deputado federal por Alagoas, Coronel do Exército Affonso de Carvalho. Trata-se de um importantíssimo documento de cunho histórico-filosófico, que foi publicado pela revista “Nação Armada”, n° 81, de janeiro de 1947 (pág 31 a 41). O título da matéria é “O Militar não pode ser Comunista (Discurso proferido na Câmara dos Deputados, no dia 26 de novembro de 1946, pelo Deputado Afonso de Carvalho, deputado pelo Estado de Alagoas)”. Diga-se que quando do citado discurso, o Brasil, há pouco mais de um ano, retornara ao estado democrático, após a deposição, pelas Forças Armadas, do ditador Getúlio Vargas. O Partido Comunista foi então legalizado e lançou candidatos a vários cargos eletivos. O seu líder, Luiz Carlos Prestes, foi eleito Senador (declarou, no Congresso, que se o Brasil entrasse em guerra contra a Rússia, ficaria ao lado deste País…). Em 1947, esse Partido foi posto na ilegalidade, eis que subordinado ao Partido Comunista da União Soviética (PCUS), do qual era uma simples Seção, e pelas agitações subversivas que promovia em todo o Brasil. É disso e muito mais, como a nefasta ação da ideologia do Positivismo – “a Religião da Humanidade” -, praticada desde o final do Império aos albores da República, que versa o magnífico Discurso, de 1946, do eminente militar e político.
    A História não pode ser omitida e/ou distorcida, eis que é “Verdade e Justiça!”
    Affonso de Carvalho foi um notável historiador, intelectual, pensador militar, escritor, poeta, político (foi Interventor em Alagoas, em 1933, membro da Assembleia Nacional Constituinte de 1946, e deputado federal pelo estado de Alagoas), sócio de diversas instituições histórico-culturais, tendo escrito vários livros, ensaios, monografias, artigos, etc. Ele foi um dos maiores biógrafos do Duque de Caxias, sendo o seu referencial livro, “Caxias”, editado por cinco vezes; a Biblioteca do Exército o editou em 1938 e tornou a fazê-lo, em 1976, em uma edição especial, de luxo, com um belíssimo prefácio do historiador Pedro Calmon, presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
    Advertência Preliminar: a revista “Nação Armada”, fundada e dirigida pelo emérito militar, grafa o seu nome “Afonso”, com um só ‘f’, ao contrário da precitada publicação da Bibliex, que o faz com dois ‘f’ – Affonso. Na transcrição do pronunciamento, nada mudamos a não ser a adaptação do vernáculo às novas regras ortográficas, para melhor compreensão dos leitores, mantendo o ‘f’ único de “Afonso”, conforme se contém no texto do artigo.
    E eis o antológico, histórico e científico Discurso que todo patriota deveria ler com redobrada atenção, custodiar com esmero, e, em especial, refletir, comparativamente, com a atual e muito hostil conjuntura nacional, sob os influxos da ação “gramscista”, orquestrada pelo Foro de São Paulo. E difundir, amplamente, para as suas redes, essa peça de arquitetura político-social, tais os belos conceitos filosóficos, princípios democráticos e cristãos e verdades históricas nela entesourados:

    “Sr. Presidente: numa das últimas sessões, o nobre Deputado, Sr. Café Filho, teve oportunidade de pronunciar nesta Casa um discurso combatendo a lei solicitada pelos ministros militares. Tive ensejo, nessa ocasião, de dar alguns apartes e, hoje, desejo completá-los e fazer algumas considerações, de forma a tornar bem claros os meus pontos de vista. Estou sinceramente convencido, Sr. Presidente, da necessidade da lei que o honrado Sr. Presidente da República solicita ao Congresso, atendendo a um pedido conjunto dos titulares das pastas da Guerra, da Marinha e da Aeronáutica. E sinto-me mais do que persuadido que a mesma lei, é menos a favor das classes armadas, do que em defesa da ordem, das liberdades públicas, das instituições republicanas, da democracia e do Parlamento.
    E saibam os meus nobres colegas, representantes do povo, que jamais subiria os degraus desta tribuna se, de fato, não estivesse convicto de que a lei pedida visa essencialmente garantir os poderes constituídos, e, assim, a integridade do Congresso, a sua manutenção, a sua segurança. Admitir o contrário, seria o maior dos disparates e não tenho vocação para o suicídio.
    O Sr. Nestor Duarte – Queira o ilustre orador informar em que este projeto, transformado em lei amanhã, constituirá uma garantia da integridade do Congresso.
    O Sr. Afonso de Carvalho – Peço que V. Excia. ouça o meu discurso e terá o esclarecimento que solicita.
    Compreendo perfeitamente os temores e a atitude do Sr. Café Filho. Compreendo e justifico. O ilustre representante do Rio Grande do Norte foi, como disse S. Excia, um “deputado dissolvido”, um “deputado expulso do Brasil”. S. Excia tem, necessariamente, de estar, de certa forma, sob a pressão do “complexo do medo”, o medo de ver a nossa Pátria assistir mais uma vez à dissolução do Poder Legislativo, como golpe inicial para a supressão das garantias individuais e das liberdades públicas – e o Brasil de novo arrastado à Ditadura.
    O Sr. Nestor Duarte – Esclareça-me o nobre Deputado, por obséquio, antes de terminar o seu discurso; quem está sob o complexo do medo: o Governo ou a Câmara?
    O Sr. Afonso de Carvalho – Quem me pareceu sob o “complexo do medo” foi o ilustre colega, que vê a possibilidade do Congresso ser dissolvido. Mas tranqüilize-se o nobre Deputado pelo Rio Grande do Norte. Os tempos são outros. Nunca o Brasil esteve tão intensamente penetrado de sentimento democrático e de amor à liberdade, como atualmente. E esse é o sentimento que prepondera nas nossas classes armadas. Foi o que as impulsionou para o 29 de outubro [deposição do presidente Vargas], e, agora, determina novamente o seu pronunciamento, em defesa da Pátria e da Democracia.
    Mas o que querem, afinal, o Exército, a Marinha e a Aeronáutica? Que lhes seja dada uma lei, como diz a “Mensagem”, que lhes faculte os meios de antepor “ao plano de destruição paulatina e subterrânea, enquanto não violenta, da democracia que acabamos de criar, os meios de vigilância e de preservação que os regimes democráticos preconizam em sua legislação para que possam sobreviver”. Lê-se ainda na “Mensagem”: “Os Partidos políticos ou organizações contrárias ao regime democrático já têm demonstrado e continuam a demonstrar, por atos ou fatos, cuja significação não precisa ser encarecida, que, dentro do seu plano de ação, encontra-se a negação da ideia de Pátria, tal como a concebemos, o enfraquecimento e consequente alienação dos poderes constitucionais, o desrespeito à lei e a substituição por outra, da ordem atualmente constituída”. Protelar essa solução – afirmam ainda os ministros militares – é agir contra os interesses do regime, negando aos responsáveis pelas classes armadas, a única medida capaz de evitar a infiltração da demagogia nos quartéis e navios, com a consequente criação de quistos dissolventes da própria instituição, de tão danosas repercussões na vida nacional”. Sr. Presidente: a “Mensagem” pode ser analisada sob vários aspectos. Acredito que na Comissão de Constituição e Justiça e na de Segurança Nacional, serão levadas na devida conta as considerações que aqui têm sido feitas e outras mais, sendo de esperar-se que, sem prejuízo da essência, resultará possivelmente um substitutivo, que será aprovado em plenário.
    O Sr. Café Filho – Quer dizer que V. Excia, não está de acordo com o texto remetido pelo Poder Executivo.
    O Sr. Afonso de Carvalho – Provavelmente o projeto de lei indo à Comissão de Constituição e Justiça e à de segurança Nacional receberá um substitutivo. V. Excia. aguarde que a resposta virá em seguida. De qualquer forma, devo deixar assinalado que só compreendo a reforma solicitada depois de examinado cada caso, em forma regular de apuração, garantido o direito de defesa. Limito-me, no momento, a apreciar a “Mensagem”, no que diz respeito à negação da ideia de “PÁTRIA”, justamente atribuída aos Partidos anti-democráticos.
    Desde os albores da República, vive o Exército sacrificado pelo prestígio que, em dados momentos, têm tido as teorias políticas, as ideológicas, fundamentadas na interpretação materialista da História.
    Positivismo e Comunismo vieram a ser, no Brasil, as forças negativas, dissolventes da ideia de Pátria, implicando em desviar as forças armadas dos seus verdadeiros rumos. (grifo nosso). De início é o Positivismo que visa corromper o espírito nacionalista das nossas gerações militares e em favor da utopia – humanidade, relegando para plano secundário a ideia de Pátria.
    O Apostolado Positivista passou a ser o esquisito laboratório dessas ideias, onde os adeptos de Augusto Comte, como mais tarde o farão os discípulos de Marx e Engels, agitarão as retortas de violentos ácidos corrosivos, contra a noção de Pátria.
    O Sr. Teixeira Mendes, “Papa Verde” do Positivismo, prega, então, ideias, que, hoje, dificilmente se acreditaria pudessem ser apresentadas, se não constassem, como constam, das suas orações apostolares e da sua compacta biografia de Benjamin Constant. Prega, antes de mais nada, o esfacelamento do Brasil, criando as chamadas Pátrias Brasileiras. Afirma que os positivistas – e é grande, então, o seu número no Exército – não têm “o menor preconceito de integridade política”. Admira-se que os democratas “olhem com tamanho horror” para o que chama “a inevitável fragmentação política do Brasil”. Considera, desdenhosamente, a integridade brasileira como um simples preconceito. Ataca o Império “porque não recuou nem diante da violência e da corrupção para manter a Monarquia na América Portuguesa e a integridade da nacionalidade brasileira”. Escreve textualmente: “O Exército não garante a tranquilidade pública porque é insuficiente para a guerra e é supérfluo para a paz”. Incentiva a sabotagem da guerra do Paraguai, cujas glórias militares considera como sinais de vergonha, o que levou certa vez o General Tasso Fragoso a escrever: “Lembro-me dessa época quando os velhos generais, que haviam lutado no Paraguai, escondiam as suas condecorações de guerra, como se fossem símbolos do opróbrio” [duas observações particulares: 1) o Senador Gaspar da Silveira Martins sempre criticou, acerbamente, o pacifismo dos positivistas, para os quais os Exércitos deveriam se transformar em gendarmerias e “os generais eram os grandes assassinos dos povos”. Ainda mais: 2) a impoluta figura do Duque de Caxias era assaz denegrida e apequenada pelos militares profitentes do Positivismo. Caxias só seria reabilitado pelo Exército, de um semi-anonimato não condizente com os tantos e tamanhos serviços por ele prestados ao Brasil, na paz e na guerra, no ano de 1925, pelo ministro da Guerra, General Setembrino de Carvalho…]. Tais ideias não podiam deixar de refletir-se na Constituinte de 1891. E assim acontece, de maneira a assombrar os brasileiros de hoje. O Apostolado Positivista apresenta à Constituinte doze exigências, como aspirações mínimas.
    O Deputado Pinheiro Guedes lembra a conveniência dos Estados terem Esquadras!
    O constituinte Francisco Veiga dá aos governadores o direito de remover os comandantes de Corpos do Exército.
    Outro representante, o Sr. Virgílio Damásio, apresenta um projeto extinguindo, sumariamente, o Exército permanente!
    O Sr. Nina Ribeiro proibe a presença de forças federais nos Estados.
    O Sr. Meira de Vasconcelos dá aos Estados, – ao Piauí, à Bahia, a Sergipe, etc…..- o direito de declarar guerra às Nações estrangeiras.
    Enfim, o Exército diminuído à simples gendarmeria e a Pátria reduzida a vinte republiquetas!
    Era o que queria o Apostolado Positivista, fiel intérprete das ideias de Augusto Comte, apóstolo ainda mais intransigente que Marx, das teorias do materialismo histórico. Felizmente, entre tantos inspirados pelo bom senso e as boas normas do direito e do patriotismo, fez-se ouvir a voz de um oficial do Exército, um deputado de Alagoas – Gabino Bezouro – combatendo essa série de monstruosidades!
    Foi grande o trabalho dos constituintes para que a nova Carta Magna da República saísse escoimada dos aleijões positivistas.
    Os chefes militares, no decorrer dos governos republicanos, tudo fizeram para que o Exército se fortalecesse em seu espírito profissional e no seu amor à Pátria, da qual é a armadura de aço.
    E assim chegamos aos tempos novos, que vão ser abalados por um dos maiores acontecimentos da História – a Revolução Russa.
    O Sr. Café Filho – V. Excia se esquece de que o fundador da República – Benjamin Constant – era positivista.
    O Sr. José Augusto – V. Excia. se esquece também de que o Positivismo defende a ideia das pequenas pátrias.
    O Sr. Afonso de Carvalho – Justamente, a ideia das pequenas pátrias visava dividir o Brasil em vinte republiquetas.
    Mas até essa época podem afirmar os nossos Chefes de Estado, os nossos políticos, os nossos militares: Aí está o nosso Brasil, respeitado na sua integridade e enaltecido pela perfeita compreensão que as forças armadas sempre tiveram do seu papel, como a garantia da liberdade e da segurança da Pátria brasileira. Cumprimos o nosso dever. Na verdade, os nossos chefes militares souberam, com elevação e habilidade, livrar as forças armadas do primeiro cancro (o Positivismo) que ia corroendo as suas energias e solapando os fundamentos da Nação.
    Chegou, agora, a vez de defender-se de um outro inimigo. É realmente pesada a responsabilidade. Os chefes militares de hoje, e que já falaram com a boca dos canhões em 27 de novembro de 1935 [refere-se à hedionda “Intentona Comunista de 1935”, que pode ser resumida em dois vocábulos apenas: traição e covardia; e que foi uma das ponderáveis causas imediatas para a deflagração do glorioso Movimento Cívico-Militar de 31 de março de 1964], estão novamente com a palavra. E mostram-se, como se vê, dignos do passado, dignos dos seus antecessores, porque as classes armadas sentem na necessidade da sua própria defesa, o instinto de conservação da Pátria.
    O Sr. José Crispim – V. Excia, permite um aparte?
    O Sr. Afonso de Carvalho – Creio que é ocioso permitir o aparte de V. Excia., que é da bancada comunista, porque falamos línguas completamente diferentes.
    Sr. Presidente: Apreciado o Positivismo [que prega a “ditadura republicana”] como contrário à ideia de Pátria, vejamos agora o Comunismo [que preconiza a “ditadura do proletariado”]. Remontemos à Revolução Industrial Inglesa. Passado o signo religioso, que perdura até o século XVIII, o signo político-social, que emerge com o farrapo tricolor da revolução francesa e dos movimentos revolucionários que a ela se seguiram na França, é então, o signo econômico, que parece, irá comandar os acontecimentos. É, afinal, o advento tacanho do materialismo. É a máquina na sua brutalidade inconsciente como instrumento da vingança da matéria. Dentre a fumarada dessa época do carvão, a primeira figura a impressionar-se com o signo dos novos tempos e a distinguir-se pela audácia do seu pensamento é Carlos Marx. O judeu alemão vê no operário, o homem símbolo do século da locomotiva. O mundo parece caminhar para uma grande fábrica. É, então, inteiramente nova para os afeiçoados do materialismo histórico, a concepção do mundo e da humanidade. Desaparece o conceito clássico de povo e de Pátria. A unidade política não é mais o povo, e sim, a classe. Dentro da unidade – classe, o cidadão oblitera-se, desaparece. E com ele, o povo. E com o povo, a Pátria. É o que Sorel afirma: “O sindicato é a unidade fundamental do sistema econômico”. Cada circunscrição política deve dividir-se, como nos círculos do inferno de Dante, na classe dos ferroviários, na classe dos marítimos, na classe dos metalúrgicos, etc. As afinidades, por exemplo, dos ferroviários do Uruguai com os ferroviários do Brasil passam a ser mais fortes que as existentes com os demais compatriotas. Para eles, a Pátria pouco ou nada interessa. A classe é o que se tem em vista, esteja onde estiver, no país ou no estrangeiro.
    Lê-se no Manifesto Comunista: “Operários de todo o mundo: uni-vos!” E, resumindo tudo o que ficou dito, assim é proclamado: “Os operários, os trabalhadores não têm Pátria!” O Programa do Komintern proclama: “O Proletariado não terá pátria enquanto não conquistar o poder político e não arrebatar os meios de produção das mãos dos exploradores. A expressão defesa da pátria é mesquinha, lugar-comum burguês que serve à preparação da guerra”. As classes passam a formar, sucessivamente, os planos de um cone, cujo vértice está em Moscou. É, assim, óbvio, o caráter internacional do Comunismo. A sua organização para agir nas classes de todo o mundo, tem que ser internacional. O seu instrumento de força – o Partido – não pode deixar de ser, também, internacional. A própria Rússia deixa de ter a sua antiga expressão. Torna-se uma das 16 Repúblicas Socialistas Soviéticas, que constituem a União Soviética.
    Como o Partido é internacional e o seu chefe está em Moscou, aqueles que o dirigem nos demais países, como no Brasil,têm o nome de Secretários. Ainda perdura no mundo inteiro a dolorosa ressonância do caso Michailovich. O general iugoslavo luta heroicamente nas montanhas de seu país contra o invasor nazi-fascista. São cruentas as suas guerrilhas. Pensa o bravo soldado que está cumprindo um dever, defendendo a sua Pátria, de armas na mão. Mas para os comunistas não há Pátria, pois “a defesa ativa e revolucionária há de consistir na destruição da pátria burguesa e na política do derrotismo”, conforme o Programa do Komintern. Só existe Moscou. No dia que o comunismo consegue dominar na Iugoslávia, Michailovich, que sem saber de Moscou, fizera o grande crime de defender a sua Pátria, é fuzilado!
    O Partido Comunista, esteja onde estiver, recebe ordens de Moscou e interessa-o, sobremodo, a União Soviética. E, se em dado momento, colidirem os interesses de um país com os da Rússia Soviética, devem preponderar os da URSS. Desta mesma tribuna o senador comunista Luiz Carlos Prestes declarou que no caso de uma guerra do Brasil com a Rússia, ou melhor, com a União Soviética, ele ficaria com a União Soviética. E até agora o deputado Juraci Magalhães está à espera de que o secretário do Partido Comunista no Brasil, e não do Brasil, responda às incisivas interpelações que lhe fez aqui, neste mesmo recinto (e diga-se, que “no caso de guerra entre dois países burgueses, as instruções obedecem a dois slogans: recusa de defender a pátria; e derrotismo, a fim de obter o esmagamento da burguesia dentro do próprio país”, consoante Resolução do 6° Congresso do Komintern). Digo Partido Comunista no Brasil, porque o Partido é um só, espalhado pelo mundo. Não há um Partido Comunista brasileiro, isto é do Brasil, ou argentino, isto é da Argentina. É mais uma mistificação do PCB, que não foi percebida quando do registro do Partido [esta foi uma das razões, repetimos, para a cassação do mencionado registro, no ano seguinte, de 1947].
    Como se pode supor, nessas condições, que um comunista possa deixar de atender aos compromissos internacionais, intrínsecos, do seu Parido? Como compreender-se que o comunista, que inegavelmente tem disciplina partidária, possa deixar de obedecer a Moscou? E se esta obediência, pelo caráter internacional do Partido, dimana, imperativamente, da própria essência do comunismo, como admitir-se que o militar possa pertencer a uma organização internacional, ele que jurou defender a Pátria com o sacrifício da própria vida? Como admitir-se que o militar, o militar do Brasil, possa ter outra Bandeira que não seja aquela “que a brisa do Brasil beija e balança?” Como admitir-se que ao soldado, ao marinheiro, ao aviador, se possa, sem receio de traição, confiar-se uma arma, e esta arma ser utilizada contra a Pátria, que nele depositou a sua confiança?
    Não podem existir duas respostas a estas perguntas! Admitir-se um militar comunista seria conformarmo-nos com o mais trágico dos paradoxos. Seria compreender-se um frade que não acreditasse em Deus.
    Sr. Presidente – Verificada a incompatibilidade e devo frisar incompatibilidade e não indignidade, pois não considero que o militar se torne indigno pelo fato de se tornar comunista, justiça que faço ao Senador Prestes, como deixar de reconhecer às classes armadas o direito de defesa, que é, afinal, a defesa da democracia, a defesa do regime, a defesa da lei, a defesa do Parlamento, a defesa da Pátria? Será que a cidadela democrática se acha ainda no domínio utópico, fora das realidades ambientais, e tenha a ingenuidade de não ver os “cavalos de Troia”, que já se acham dentro dos seus arraiais? A Democracia precisa se defender. Já clamava Afonso Celso no último Parlamento da Monarquia: “As instituições que não se defendem – abdicam”.
    Ninguém pode negar aos Estados Unidos da América do Norte e à Inglaterra, o alto espírito democrático que preside às suas instituições. E, no entanto, o que hoje se pretende fazer no Brasil, a Inglaterra e os Estados Unidos já o fizeram, excluindo das suas forças armadas todos os militares comunistas [acrescente-se que, após a Contrarrevolução de 1964, foram expurgados das FFAA, militares indesejáveis como os subversivos/comunistas, os corruptos e os de conduta moral incompatível com a profissão militar; desafortunadamente, tipos dissimulados conseguiram escapar daquela oportuna e benéfica higienização, sendo o caso mais notório o do capitão desertor e traidor, facínora crapuloso, Carlos Lamarca].
    E quem mais usa e abusa desse direito de auto-defesa? – A própria União Soviética. Têm sido famosos, sangrentamente famosos, os expurgos a que periodicamente são sujeitas as suas classes armadas. Stalin mandou processar mais de trinta mil oficiais, somente pela suspeição de serem trotskistas! Mas não somente no terreno militar se verificaram os expurgos. Ainda há pouco foi mandado fechar o Instituto da Ordem dos Advogados da Rússia – fato que não recebeu o menor reparo de muitos que hoje atacam as classes armadas, quando invocam o natural direito da sua defesa, a defesa da Pátria!
    Mas, Srs. Deputados, a opinião pública, orientada para os altos interesses do país, aplaude, através da imprensa, a patriótica solicitação dos ministros militares. E nem se poderia esperar outra coisa da imprensa brasileira. Poderia referir-me a muitos órgãos da imprensa carioca: basta, todavia, citar dois de grande responsabilidade, um, “O Jornal”, que não acompanhou a campanha política do Partido majoritário, e o “Jornal do Comércio”, cuja palavra sempre se prestigiou com os característicos da ponderação e da sabedoria, no apreciar a vida política brasileira. Diz o primeiro: “Ainda ontem chamamos a atenção para esse caso do servente do Ministério da Guerra, inscrito no Partido Comunista e que, obedecendo sem dúvida às instruções dos seus chefes, fazia um intenso serviço de espionagem no próprio Estado-Maior. Será admissível, sem o propósito de dissolver na indisciplina e na anarquia as corporações militares, admitir que a sua oficialidade, ao invés de obedecer aos chefes hierárquicos, cumpram, de preferência, as ordens do capitão desertor Luiz Carlos Prestes?
    Os democratas precisam compreender que o regime democrático não contém em si mesmo o germe da própria morte. Possui, na sua ideologia, os recursos de defesa que justificam as medidas impetradas pelo Governo, com o propósito de preservar as forças do Estado de infiltração de elementos perniciosos que querem destruí-lo. E é em nome desses princípios e dos incontestáveis direitos e deveres das classes militares, que o Congresso não pode eximir-se à obrigação de atende-los”. Afirma o “Jornal do Comércio: “O argumento-base do combate ao futuro projeto é o amor à democracia, é a intransigência em que se devem colocar todos os defensores incondicionais da liberdade, em holocausto do qual se dispõem, inconscientemente, a ir até ao suicídio…
    A precaução defensiva contra as ameaças à democracia deve, assim, ser combatida por amor à própria democracia. Estranho zelo esse, que desampara o objeto amado e abre ao inimigo impenitente a cidadela sitiada, pela mais obscura incompreensão de um dever jurado. Negar às forças armadas os meios para agir, cercear-lhes a ação, reduzí-las à impotência, é conspirar contra a Pátria, é comprometer-se na trama insidiosa em que urde a traição às instituições nacionais, cuja organização se assenta em valores morais, em forças espirituais sedimentadas na tradição construtora da nacionalidade”. Essa, a voz da imprensa.
    Sr. Presidente. Srs. Deputados: Vou terminar. Procurei demonstrar como as forças armadas têm sido sacrificadas por duas correntes ou partidos de sentido filosófico-político, fundamentados na interpretação materialista da História: o Positivismo e o Comunismo, e ambos desencadeados, primeiro, contra a República que sucedeu à Monarquia; depois, contra a República que substituiu a Ditadura, e, também, por coincidência, ambas em sua fase perigosa de adolescência.
    O Sr. Café Filho – V. Excia. permite um aparte?
    O Sr. Afonso de Carvalho – Com todo o prazer.
    O Sr. Café Filho – Ouvi V. Excia. com toda atenção, especialmente nesta parte. Assim, pergunto a V. Excia., que está defendendo a Mensagem do Sr. Presidente da República, se esta visa apenas o extremismo da esquerda ou o extremismo da direita, ou melhor, o integralismo – Partido de Representação Popular? [observação: referia-se ao PRP, Partido dos integralistas, cujo líder era Plínio Salgado].
    O Sr. Afonso de Carvalho – Devo dizer a meu nobre colega que a Mensagem é contra todos os elementos anti-democráticos.
    O Sr. Café Filho – V. Excia. falou, particularmente do Partido Comunista . Qual o pensamento de V. Excia. em relação ao Partido de Representação Popular?
    O Sr. Afonso de Carvalho – Se V. Excia apresentar contra o Partido de Representação Popular, qualquer cláusula pela qual se infira “a negação da ideia de Pátria”, terei contra o mesmo as palavras que agora emito contra o Partido Comunista.
    Continuando, Sr. Presidente, procurei provar o caráter internacional do Positivismo e do Comunismo. E, assim, contrários à ideia de Pátria.
    Admito que países já cristalizados pela sua secular formação histórica e personalidade étnica, pela homogeneidade de sua raça, pela unidade da sua cultura, possam se dar ao luxo de admitir ideologias de fundo internacional. Mas nem assim, a França, a Alemanha, a Suécia permitiram que Marx, em pessoa, aí pregasse a sua doutrina. É no chão da Inglaterra, na velha Inglaterra, que regula no mundo o espírito conservador da História, que Marx vai encontrar, como Engels, a sua sepultura. Na Inglaterra, Srs. Deputados, reparemos no símbolo, sempre se sepultaram os sonhos dos conquistadores e a ideologia dos extremistas! Se aqueles velhos países, como outros, reagiram às ideias de Marx, como compreender-se que um país novo, ainda em formação, como o Brasil, possa admití-las e com a cumplicidade das próprias classes armadas?
    Impõe-se à Democracia brasileira fortalecer o sentido afirmativo da Pátria. Do contrário, o Brasil será o que se chama “uma nação em fuga”.
    Não podemos – militares e representantes do povo -, como o personagem de Herculano, permanecer tranquilamente debaixo da abóbada, deixando que o inimigo nos vença. Se não reagirmos, a abóbada ruirá. Pereceremos todos. E de todos nós, que não somos comunistas, não sobrará um só Jeremias para chorar sobre as cinzas dessas ruínas. Fortaleçamos a Pátria, prestigiando as classes armadas. Lembro, a propósito, uma lição da natureza. As andorinhas têm, para alegria de suas asas, a vastidão dos ares, o infinito. E recolhem-se, satisfeitas, ao pequeno desvão de um telhado.
    Renunciemos à vastidão das ideias universalistas. E permaneçamos intangíveis na pequenez do nosso torrão natal, no nosso sentimento pátrio, no sagrado egoísmo, no amor ciumento do nosso desvão de telhado, que é a nossa terra, a nossa família, a nossa gente, a nossa PÁTRIA.
    Colaboremos com Caxias, Tamandaré – e com o Destino – na perpetuidade e glorificação da Pátria Brasileira!”
    Rio de Janeiro, em 26 de novembro de 1946, Câmara dos Deputados, pronunciamento do deputado federal por Alagoas, Afonso de Carvalho.

    “Ex toto corde”, o mais amigo dos abraços do
    Soriano.

  4. Evelyn Nikolaievitch disse:

    POR MAIS QUE O PMDB CHANTAGEIE DILMA/PT, E VICE-VERSA, O ESTUPRO DA LDO E DA CF NECESSARIAMENTE ACABARÁ NO STF/MPF…É INEVITÁVEL…”… Entendo — mas o STF dará a última palavra — que é inconstitucional o que o governo Dilma pretende fazer com a LDO. O projeto de lei, com ou sem a anuência do CN, fere o Artigo 165 da Constituição. O governo tem de ter uma meta estabelecida, não importa qual — nem que seja a admissão do déficit. O que não pode é não ter meta nenhuma, como, curiosamente, está no tal projeto. Mais: se um presidente da República, de forma deliberada, desrespeita a lei orçamentária, comete crime de responsabilidade — está na Lei 1.079 —, o que dá ensejo a um processo de impeachment. Será que exagero? Levo a interpretação do texto legal ao limite? Não! Exponho a legislação. Apenas isso(…)Mas esperem: quem chantageia quem na relação governo-PMDB? São os peemedebistas que dizem ao governo “só aprovamos tal medida se tivermos tal cargo”, ou é o governo que diz aos peemedebistas “só lhes dou tal cargo se vocês aprovarem tal medida?”. Afinal, convenham: o partido ganhou a eleição junto com o PT. A rigor, não precisa brigar por espaço. É natural que o tenha. Pergunto, em suma, é quem comanda essa relação perversa de troca. E a resposta me parece óbvia: dá o tom da convivência quem pode mais e quem tem a caneta. No caso, é Dilma(…)De resto, o PT sabe como a fidelidade do PMDB lhe foi importante em momentos cruciais, não é? E este é, sim, um deles. Não tivesse o governo se exposto, em razão das múltiplas bobagens que fez na área orçamentária e fiscal, à pressão dos parlamentares de sua base, não haveria por que ser chantageado agora.OU SEJA, O PREÇO QUE DILMA ESTÁ PAGANDO PODE DAR EM NADA….”É claro que o PMDB sabe que estará quebrando um galhão para Dilma. O partido impõe um preço para endossar o descalabro. E Dilma impõe um preço para lhe conceder fatias do poder.

  5. Rodolfo Aurich Balzer disse:

    A educação brasileira, com professores marxistas, está empesteada do vírus ideológico comunista que prostitui a verdade.
    O vírus ideológico do materialismo filosófico que posa de naturalismo metodológico e que prostitui a verdade do conhecimento científico se encontra nos paradigmas sobre a origem e evolução do universo e da vida. é um grande desserviço à ciência qual ciência – não é mais educação, é doutrinação. Pontua o sequestro do naturalismo metodológico pelo materialismo filosófico.

    Pasme, a maioria dos cientistas não sabe e nem faz essa distinção, ou sabe, mas finge não saber. Pobre ciência…

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