Valério Arcary do PSTU acha que o voto nulo é revolucionário: doce ilusão!

Como lutadores socialistas livres conscientes sabemos que o governo do PT não vai destruir o capitalismo e mesmo assim votamos criticamente em Dilma (PT) contra Aécio Neves do PSDB. E a classe trabalhadora mais organizada que não é “burra”, como alguns esquerdistas no fundo supõem, também escolhem conscientemente esse caminho. Por quê? Porque analisando concretamente a vida real sabemos que a luta da classe trabalhadora e sua vida não serão mais fáceis caso o PSDB seja eleito. Só por isso votamos no PT contra o PSDB. Não há ilusões, como o intelectual de esquerda Valério Arcary generaliza em suas especulações políticas. Há conhecimento de causa. O intelectual do PSTU, entretanto, diz o seguinte:

 “Quem decidir indicar o voto em Dilma, mesmo que na forma mais elegante de voto crítico, ou seja, com a mão no nariz, para derrotar Aécio, deve se perguntar como vai se sentir quando for anunciado o primeiro pacote de ajuste fiscal em 2015. Vai se arrepender e, infelizmente, se desmoralizar. A desmoralização tem um custo alto para a esquerda. Ela é o pântano que alimenta a decepção de que não há saída coletiva, porque afinal “todos seriam iguais”. Ela é o combustível do “cada um por si, todos contra todos”” (Valério Arcary, in: http://www.pstu.org.br/node/21081)

Ora, o referido intelectual de esquerda, supondo-se acima do bem e do mal, abstém-se de tomar posição na vida real, deixa que outros escolham por ele qual será o próximo presidente do país e acha que isso é o suprassumo da revolução socialista. Indicando o voto nulo, o intelectual de esquerda se acha o dono da verdade do socialismo e acredita que o futuro histórico o recompensará por sua atitude purista de jamais se envolver com a realidade mal cheirosa. Ora, quem está na luta real e concreta não vai fugir à luta caso venham os ataques, sejam eles do PSDB, sejam eles do PT. Achar que quem luta pelo socialismo são apenas os que votam no purismo é uma distorção sectária dos fatos.

A discussão é outra. Qual governo é mais pressionável pela classe trabalhadora quando estamos em luta? O PT ou o PSDB? A esquerda socialista dogmática infelizmente apenas sabe recitar sua bíblia de que tudo é igual, tanto o PT, tanto o PSDB, e não consegue orientar a classe trabalhadora na vida real. O PT é mais pressionável. O PSDB é inegociável, os mineiros sabem disso, tanto que rejeitamos o PSDB em Minas Gerais e com orgulho dizemos: PSDB NUNCA MAIS!

É por isso que essas direções supostamente “revolucionárias” não conseguem ter apoio massivo da classe trabalhadora, simplesmente porque elas não entendem que a primeira necessidade da classe trabalhadora mais consciente é ficar VIVA com suas organizações para seguir sua luta, podendo pelo menos sonhar com uma vida melhor. E os trabalhadores mais conscientes sabem que o PSDB no poder dificultará muito mais a nossa vida e a nossa luta. A esquerda transcendental, entretanto, infelizmente sempre está descolada da vida real em nome da fé de que seus esforços serão recompensados no futuro histórico, só que não há garantias nenhuma disso. O purismo pode ser bom para cultivar o ego do militante fervorosamente religioso, mas não serve para a luta real da classe trabalhadora. Mais uma vez, doce ilusão dos esquerdistas puristas.

Ao intelectual de esquerda metafísico e transcendental, digo, a luta pela revolução socialista não será facilitada entregando o governo de um país para a direita política do PSDB e a posição do voto NULO defendida pelo intelectual do PSTU e pela direção do próprio partido indiretamente facilita a vitória dos tucanos direitistas. Lavando-se as mãos como Pilatos o fez, para fazer aqui uma paródia da história religiosa judaico-cristã, entrega-se a classe trabalhadora nas mãos dos repressores-exploradores da direita política, o PSDB, porque lavar as mãos não significa dizer que o pior não virá. Lavar as mãos em um segundo turno não é manter-se neutro, ao contrário, essa escolha tem consequência, e inclusive o voto NULO, quando o PSDB está prestes a vencer as eleições, é um jeitinho de indiretamente facilitar a vitória dos tucanos.

Portanto, nessa conjuntura, não é responsável a posição do voto nulo, como argumenta Valério Arcary, ao contrário, é irresponsabilidade política não orientar a classe trabalhadora a votar no MENOS PIOR para a sua vida e para a sua luta. Votar no menos pior, contudo, e evidentemente, é bem diferente de dizer que o projeto do PT é o projeto que vai libertar a classe trabalhadora rumo ao socialismo. Não vai. Mas é preciso ser firme e dizer: quanto PIOR, PIOR. É falso achar que quanto PIOR, MELHOR. Se fosse assim, “quanto pior, melhor”, a África já seria socialista.

Marxismo não é uma bíblia cujos versículos são guardados tão somente pelo intelectual de esquerda do PSTU e muito menos por sua direção que se acha a única revolucionária ou por outras direções que se acham as únicas revolucionárias conscientes. O PSTU nesse caso age como uma igreja transcendental, acima da luta de classes real, abstendo-se de apontar para a classe trabalhadora qual o caminho menos danoso. Isso é um fato e não adianta vir com o discurso da bajulação e dizer que “estará junto com a classe no futuro”. As seitas sempre prometem estar juntos com todos no paraíso no futuro, nunca no mundo real, nunca no mundo dos mortais.

O concreto é que PSTU não está junto com uma árdua batalha que grande parte honesta da classe trabalhadora brasileira está travando NESSE MOMENTO para derrotar o PSDB nas urnas, pois sabemos que será um desastre e um retrocesso a vitória do PSDB. O PSTU está lavando as mãos. Isso é representar verdadeiramente a classe trabalhadora? Uma parte significativa da classe trabalhadora não acha isso, tanto que uma parcela da classe trabalhadora racionalmente e não “emocionalmente” – como supõe o intelectual de esquerda que se julga o guardião da razão – vai votar no MENOS PIOR.

Por conseguinte, o parábola político-religioso que conforta o superego do intelectual de esquerda do PSTU, Valério Arcary, distraído da luta real “às vezes, infelizmente, muitas vezes, é preciso ter a firmeza de nadar contra a corrente”(Valério Arcary) pode ser dirigido, como contraponto às ilusões do próprio intelectual de esquerda que foge da realidade para viver no mundo dos sonhos da revolução ideal, achando que isso é ser esquerda: “Às vezes, infelizmente, muitas vezes, é preciso ter a firmeza de nadar contra a corrente”. E nadar contra a corrente é também combater o discurso elegante, purista e irresponsável das seitas marxistas que se dizem as guardiãs do socialismo.

Logo, a única firmeza real, concreta, possível, que agora está colocada para os marxistas da luta real é saber dizer: contra a volta do PSDB eu voto em Dilma, mesmo que Dilma perca o segundo turno pelos ataques diários da direita política ou mesmo sabendo que, caso eleita, vamos ter de continuar lutando no dia seguinte para superar o governo de Dilma do PT por um projeto da esquerda socialista e não por um projeto da direita política do PSDB, como distraidamente e indiretamente alguns lutadores de esquerda estão contribuindo NESSE MOMENTO DA CONJUNTURA POLÍTICA, facilitando a volta do PSDB.

Por: Gílber Martins Duarte – Militante SOCIALISTA LIVRE – Sind-UTE/Uberlândia/MG – Doutor em Análise do Discurso/UFU – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais – Membro MEOB – CSP-CONLUTAS.

Acessem nosso Blog: www.socialistalivre.wordpress.com

Socialistas Livres II

Anúncios

Sobre socialistalivre

Esse Blog está a serviço da Luta pelo Socialismo. Defendemos a plena liberdade do ser humano, mas somos radicalmente contra a liberdade de explorar, como a burguesia faz, e contra a liberdade de oprimir como os machistas fazem, os racistas fazem, os homofóbicos fazem, os praticantes de bullying fazem, os preconceituosos fazem, os possessivos fazem e os autoritários de plantão fazem. Assim, defendemos que cada corpo-consciência deve ter liberdade de ser o que ESCOLHE SER, desde que esta liberdade não oprima e explore os outros! Defendemos a plena liberdade de postura crítica e a plena democracia operária, todos devem ter o direito de expressar o que pensam! Defendemos a Revolução Socialista e a necessidade de libertação da classe trabalhadora do jugo do capitalismo. No entanto,somos contra comandos de hierarquias políticas ou de figuras públicas mais poderosas no seio dos lutadores que travam a batalha pelo socialismo. Defendemos que cada militante deve ousar pensar por si mesmo, cada militante deve ter o direito de concordar, mas também de discordar daquilo que julga equivocado, por isso nos definimos como Socialistas Livres e esse Blog está a serviço dos que desejam militar de acordo com essa concepção. Convidamos a todos a conhecerem nosso jeito diferente de entender e de praticar a política socialista, com liberdade, democracia operária, direito de crítica e respeito ao diferente. Saudações Socialistas Livres.
Galeria | Esse post foi publicado em Sem categoria e marcado . Guardar link permanente.

2 respostas para Valério Arcary do PSTU acha que o voto nulo é revolucionário: doce ilusão!

  1. Everson disse:

    Se o blog está a serviço do “socialismo” então como se explica o apoio a Dilma/PT? este governo se aproxima dos governos socialistas que tivemos na história? ou das frentes populares que se transvestem de esquerda, mantendo o domínio da burguesia e manutenção do capitalismo. Valério Arcary tem meu apoio, pois não existe prova que o PT mantém um fio de seu programa dos idos de 1989. Não existe exemplo algum, de que votando a cada dois anos no PT ou outra esquerda, chegaremos ao socialismo. As teses de Lênin,se mantêm até os dias de hoje!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s