Por que a educação não precisaria de 10% do PIB?

Em matéria da Revista Veja, Maílson da Nóbrega, assumindo uma linha obviamente capitalista-conservadora-burguesa, diz em português claro: “a educação não precisa de mais dinheiro, e sim de uma revolução na gestão e na forma de remunerar os professores, para melhorar sua qualidade. A lei (10% do PIB para a educação) pouco ou nada contribuirá para isso. Tende a ser uma escolha ruinosa.” (VEJA, 9 de julho, 2014, p. 22)

Política se faz com argumentos, política se faz com linguagem e é bastante questionável o discurso burguês de que a educação “não precisa de mais investimento”. Também é bastante suspeito o uso de argumentos de efeito de que “a educação precisa de uma revolução na gestão e na forma de remunerar os professores”. Ora, que curioso, se a educação do país vai mal, e isso é inquestionável a um olhar crítico, esse discurso da VEJA tenta vender a ideia de que isso se deve a uma “má gestão”. Pergunta pretensiosa: esses mesmos senhores conservadores que sugerem problemas de má gestão na educação não governaram o Brasil por oito anos, sob a direção de Fernando Henrique Cardoso e Paulo Renato de Souza (PSDB)? Que revolução fizeram na educação?

Outras perguntas capciosas: esses mesmos senhores conservadores não governam Minas Gerais e São Paulo com esse discurso de revolucionar a gestão da educação? Qual revolução educacional fizeram de fato nesses estados? Em Minas Gerais sequer o pífio Piso Salarial Nacional, acompanhado de Plano de Carreira, é pago aos professores, juntando-se a isso o fato de que a progressão automática vem sendo implementada a passos largos, destruindo cada vez mais a possibilidade de uma educação de qualidade. Em São Paulo, a progressão automática também afunda cada vez mais a qualidade do ensino. E os professores paulistas, são bem remunerados? Não é o que dizem os educadores desse estado.

É patente também que os estados governados por PMDB, PT, PSB também patinam feio na educação, essa proeza de qualidade ruim da educação não é mérito apenas do PSDB, logo, é muito tergiversação resumir os problemas da educação brasileira em “simples problema de má gestão”.

Portanto, “escolha ruinosa”, tomando as palavras do próprio Maílson da Nóbrega, não é investir 10% do PIB em educação, ao contrário, “escolha ruinosa” é pregar contra 10% do PIB na educação, enganando os leitores de que é possível fazer educação de qualidade sem investimento, de que é possível fazer educação de qualidade com professores pagos a preço de salário mínimo, pois, na prática, sem mais dinheiro para a educação, professores seguirão mal remunerados.

Alerta! A burguesia coloca suas falsas verdades na Revista Veja e em diversos outros espaços da imprensa burguesa, como se fossem raciocínios sábios. É aí que eles incutem ideias falsas na população. Para quê? Para que nada de fato mude em nosso país. Claro que para eles, investir 10% do PIB em educação é uma gastança absolutamente desnecessária. Eles não querem uma classe trabalhadora bem formada educacionalmente. Simples assim. Detalhe, pelo discurso de Maílson da Nóbrega, com as bênçãos da Revista Veja, eles vão votar em Aécio Neves para Presidente do Brasil em 2014. Alguém duvida?

Enquanto isso, nós educadores da rede pública, temos de assistir à imprensa burguesa apregoar CONTRA o tão necessário 10% do PIB para a educação pública JÁ, e não apenas em 2024, como aponta o texto tímido do PNE do governo federal petista. Como se percebe mais dinheiro para escola pública só pode ser conseguido com uma árdua luta da classe trabalhadora. A burguesia é contra esse projeto, que fique bastante claro.

Por: Gílber Martins Duarte – Militante Socialista Livre do CSL/CAEP – Sind-UTE/Uberlândia/MG – Doutor em Análise do Discurso/UFU – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais – Membro MEOB – CSP-CONLUTAS.

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3 respostas para Por que a educação não precisaria de 10% do PIB?

  1. jr disse:

    Talvez pelo simples fato de que os países com menores valores consigam melhores resultados que o Brasil. Não adianta mais dinheiro com uma gestão errada.

  2. Gracias Ferraz disse:

    Criança de 4 anos, sofria agressões por parte da professora na escola.
    E depois, ainda tem gente que insiste em adotar o termo “educador”, para designar um professor…
    _________
    “Depois que a criança começou a apresentar um comportamento assustado, e aparecer com hematomas em casa, Isabel e o marido, o metalúrgico Marco Antônio Moreno Mazarin, de 41 anos, resolveram investigar o caso por conta própria. Em abril, eles colocaram um gravador na mochila da filha e conseguiram captar um áudio em que a educadora fazia possíveis ameaças a aluna:

    – “Eu vou jogá-la na parede e arrancar a cabeça dela. Eu não quero essa menina aqui.”

    Isabel teme que outras crianças e pais passem pela situação que ela e a filha estão passando. A menina ainda não se recuperou. Tem pesadelos constantes e chora a todo o momento, principalmente quando vai para escola.”

  3. Se quisermos que nosso país volte a trilhar o caminho da democracia, do verde e amarelo e dos valores morais, religiosos e cívicos, precisamos reeducar os pais ao mesmo tempo em que educamos os filhos.
    Uma questão que merece urgente atenção, é a escola, os professores e os alunos.
    É importante que comecemos uma campanha contra a doutrinação ideológica nos colégios e que os professores tenham em mente, que na sala de aula, o que o professor exerce, é a liberdade de ENSINAR, não a liberdade de expressão.
    PROFESSOR NÃO É EDUCADOR. A FAMÍLIA EDUCA, O PROFESSOR ENSINA.

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