A Reforma Política e o Plebiscito Popular são a nova versão do Cavalo de Troia

Quem não conhece a história do Cavalo de Troia, que foi um grande cavalo de madeira usado pelos gregos durante a Guerra de Troia, como um artifício decisivo para a conquista da cidade fortificada, cidade descrita em histórias e poemas gregos, cujas ruínas estão em terras hoje turcas. Conquistada pelos troianos como um símbolo de sua vitória, foi carregado para dentro das muralhas, desconhecendo que em seu interior se abrigava o inimigo.

A partir dessa avaliação é possível pensar o tempo passado e o tempo presente. É lógico que não há intenção de forçar a história, mesmo porque vou tratar de tempos e espaços muito diferentes, com a única intenção de se fazer uma analogia, objetivando usar a imagem do Cavalo só para ilustrar a realidade política do Brasil atual.

Nesse sentido é importante estar atento aos acontecimentos políticos do Brasil atual, no qual a Presidenta Dilma (PT) e seus aliados discursaram na televisão brasileira que seria necessário realizar um plebiscito por uma constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político, que hoje está sendo encabeçado por alguns movimentos sociais, sindicatos, centrais sindicais e deputados governistas, até mesmo parlamentares do (PSOL).

Foi uma proposta apresentada, durante as grandes manifestações que ocorreram no Brasil em junho de 2013, sendo uma nova faceta para retirar o povo das ruas.

Mas saiba que o que está por trás disso tudo é o pouco investimento do governo em saúde, educação, transportes e moradia. Isso sem falar que a reforma agrária foi abandonada pelo incentivo ao agronegócio. A população mais pobre vive iludida pela facilidade ao crédito, criando, assim, uma falsa ilusão de que fazem parte de uma nova classe média, resultando em milhões de brasileiros endividados.

Mas o discurso da presidenta não convenceu. Então é por isso que ela busca as lideranças da CUT, da CTB, a direção do MST, o movimento negro, o Levante Popular da Juventude, que organizam suas bases para convencer os trabalhadores e a juventude de que a tarefa mais importante do povo brasileiro nos dias atuais é realizar o Plebiscito por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político.

Então fica o seguinte pensamento: “a luta pela reforma social é o meio, a revolução social o fim”. (Rosa Luxemburgo). Na verdade ninguém quer resolver nada e sim manter ou garantir um continuísmo, que agora propõe engessar mais a democracia, tentando iludir as bases sociais para votarem em um plebiscito que tem uma só pergunta direcionada ao sim, que o governo quer ouvir: “Você é a favor de uma constituinte exclusiva e soberana sobre o sistema político”.

Pretende-se então sugerir alguns pontos da Reforma política que será debatido até a data que se pretende fazer o plebiscito popular, que é em setembro, momentos antes do processo eleitoral e também o momento em que os movimentos sociais se organizam para fazerem o grande grito dos excluídos, que, neste ano, com certeza, terá uma cara eleitoreira, almejando conquistar resultado populista, agora legitimado pelo povo, que não terá tempo de pensar ao votar o chamado SIM.

Nesse sentido, a intenção é abrir o debate para se pensar se é esse sim que queremos realmente dizer, dando somente um exemplo que é “o financiamento público de campanha, que poderia ser benéfico”. Além dessa proposta, existe a proposta do “voto distrital”, defendido pelo PSDB, que estabelece a divisão de estados e cidades em regiões, ou “distritos”, cujos eleitores elegeriam os candidatos mais votados de cada uma delas. É como se fosse uma eleição para um cargo majoritário, como prefeito ou governador, mas para um parlamentar. Evidentemente, ele beneficiaria os caciques políticos dos grandes partidos, o ‘coronelismo'(voto de cabresto).

No entanto, é importante avaliar os pontos referentes a esse plebiscito e estar atentos se eles realmente vão beneficiar o povo, os trabalhadores, os movimentos sociais e sindicais. O que se avalia é que os governos de plantão, e em especial o Governo Dilma (PT), querem distrair o povo, que nesse momento movimenta muitas lutas por todo o Brasil, sendo importante dizer que a verdadeira intenção desse Plebiscito é que a população esqueça as reivindicações por saúde, educação e transporte, enquanto os políticos se fortalecem cada vez mais no poder, criando-se uma falsa ilusão de participação popular, que nós já vimos que não funciona nos Orçamentos Participativos implantados em alguns governos municipais do PT.

As mudanças não virão das reformas, e só ocorrerão com o povo mobilizado e lutando por direitos, ocupando as ruas e dizendo não aos que querem manipular e confundir os movimentos de luta. É preciso uma reflexão maior dos movimentos sociais e sindicais, pois sem dúvida, quando induzem a população votar em um SIM, predeterminada, estão abrindo as portas do Cavalo de Tróia.

Lídice Gomes Pimenta da Silva Pereira – Professora de História da Rede Pública de Ensino, bacharel em Direito. “Uma socialista livre para pensar e atuar”!

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