Pais apoiam GREVE da EDUCAÇÃO no Rio de Janeiro

Os governos estadual e municipal do Rio de Janeiro criam uma política pautada na meritocracia que desencoraja a cobrança dos professores sobre os alunos, praticamente colocando no ostracismo pedagógico aquele profissional que realize testes e provas com seus alunos, como se o mesmo fosse um verdadeiro “dinossauro da educação”, e os alunos peças de planilhas de custo para o Estado e lucro para o empresário (basta-nos ver a qualidade das apostilas – hoje coloridas para que o custo aumente – e cheias de erros gráficos e de conteúdo, bem como materiais escolares e uniformes de péssima qualidade, instalação de equipamentos que não funcionam ou não ficam a disposição dos alunos e professores).

A política de educação mascara os resultados das escolas, pois “pressiona” com suas estatísticas (IDEB’s, provas externas sem conteúdo e sem qualquer participação do professor). Essa política educacional vinda da Secretaria Municipal de Educação baseia-se em uma verdadeira “indústria da prova”, com “avaliações diagnósticas”, “provas bimestrais da Prefeitura”, “provões”, “Prova Rio”, “Prova Brasil”, prova de tudo que é jeito e para todos os gostos, mas nem por isso menos nociva no seu conteúdo para os alunos e docentes da Rede Municipal do Rio de Janeiro. A intenção da SME e da Prefeitura é tratar os alunos e os profissionais de educação como “cobaias” de seus projetos – “experimentos” – pedagógicos vindas de cima para baixo, sem a participação e autonomia do conteúdo pedagógico dos profissionais nas suas respectivas unidades escolares, respeitando a realidade da sua comunidade escolar.

E não venham com os falsos democratismos presentes em conselhos de professores, dos conselhos escolas e comunidades, que apenas endossam aquilo que é preparado de antemão nos gabinetes da SME por gestores que muitas vezes nem educadores são. Os mesmo servem apenas para assinar direcionamento de verbas, que enchem os cofres das fundações (Roberto Marinho, Xuxa Meneghel, Ayrton Senna, Fundação Bradesco, entre outras) com o intuito de concretizar uma educação alienada e fora do contexto de criação e inclusão social.

Na política de educação que vem há anos sendo implantada pelos governos através do MEC e suas secretarias de educação, as verbas são orientadas para corroborar com uma infinidade de resoluções que geram um quadro de incertezas nos profissionais de educação, promovendo intranquilidade no desenvolvimento do trabalho, inclusive, em sala de aula, acumulando frustrações por não poderem exercer, com a devida independência, o ofício de ensinar. Por consequência, os educadores também disseminam incertezas em quem está ali para aprender. Uma bola de neve.

É nessa confusão de interesses escusos e incompetência política pedagógica que os governos fazem suas estatísticas de aprendizagem, de evasão escolar, e de culpabilidade da família. Na verdade, tornam a todos, cobaias desses “experimentos” pedagógicos sinistros (professores, funcionários, alunos e até mesmo a família) demonizados por um processo estrutural de um sistema falido que não leva em consideração baixos salários, baixa especialização, falta de estrutura e equipamentos adequados para o ensino, baixando interesse de todos (uns em atuar na educação, outros de receberem aprendizado).

Temos que questionar: a quem e a que interessa esse tipo de política educacional? Com certeza não aos alunos e seus responsáveis, que não foram consultados, e nem aos docentes que estão cada vez mais assoberbados de trabalho desgastante, e aos funcionários que, em cada vez menor número, têm de atender um quantitativo de alunos muito maior a cada ano.

Provas de Ciência, de Língua Portuguesa, de Matemática, de Produção de Texto devem ser corrigidas por profissionais que as aplicaram, mesmo que pertençam a outras disciplinas e que, portanto, não tenham um conhecimento específico para tal tarefa. Isso é brincar de fazer educação!!! Temos clareza de que não há a mínima possibilidade de nossos filhos disputarem o mesmo espaço profissional de alunos oriundos de classes sociais mais abastadas. Podemos pensar que a educação de nossos filhos é algo segmentado desde a mais tenra idade? Com certeza não! As creches e escolas são apenas um espaço onde deixamos nossas crianças para podermos cumprir nossas tarefas diárias (um depósito), ou deve ser um espaço onde encontrem segurança, carinho e afetividade, bem como todo um arsenal qualificado de aprendizado? Se a opção é a primeira, então bastaria colocar uma vizinha desempregada para tomar conta de todas as crianças de tal ou qual comunidade, a um salário pequeno e em condições precárias e rezar para encontrá-las bem e saudáveis.

Não podemos pensar que Educação seja apenas aprender. Não é. Depende de uma série de fatores que precisamos entender ser primordiais. Por exemplo: Pode uma criança com dor de dente ou uma gripe ter o mesmo rendimento que uma criança saudável? Pode uma criança que passou por algum trauma ter concentração no ensino que lhe é transmitido? Como pode uma criança que necessita de atenção especial, ter acesso à educação (e não só ao ensino), quando as turmas têm mais de 40 alunos, quando por lei não poderia passar de 35 alunos (O correto é não passar de 20 alunos e mesmo assim é demais)?

O interessante é que quando há uma ou mais crianças (para o governo são apenas números) de alunos que precisem de algum acompanhamento, são jogados para os postos de saúde ou para atendimento em hospitais. O fato é que isso não funciona e o atendimento específico deve se dar por Unidade Escolar. Como pensar em dar um atendimento correto a crianças com qualquer necessidade, quando nem rampas as escolas têm? Vamos nos perguntar por que nossos filhos não têm um laboratório de Química, Física, Biologia? Por que as matérias como Artes, Educação Física, Sociologia, Filosofia, Línguas Estrangeiras são relegadas a último plano? Sabemos que a criação depende do desenvolvimento criativo de cada um, mas isso não interessa a qualquer governo. Se fosse prioridade, certamente ficaria mais difícil de fazer-nos de gato e sapato.

Pensemos que se a educação e a saúde forem privatizadas, ficaremos nas mãos dos empresários e sua ganância pelo lucro. Como poderíamos pensar em pagar mensalidade ou por serviços que são de direito nosso? Já pagamos os impostos mais altos do mundo para que sejam construídos estádios, ao invés de hospitais e escolas bem equipadas, com profissionais capacitados e com salários dignos. Nossos filhos dependem de uma série de situações para que possam aprender e criar.

Vejamos algumas questões: 1) Se as salas de aula tiverem mais de 20 alunos, como os professores poderão dar uma aula com um conteúdo amplo? 2) Como poderia o professor dar uma aula boa, se não tiver um tempo de trabalho além da sua atuação na sala de aula para planejar a aula? 3) Alguém pode pensar em um bom atendimento aos alunos com cozinheiras trabalhando em condições precárias (ex: sem fogão industrial, com pessoal reduzido para preparar e limpar tudo, deixar tudo pronto a tempo sem que haja acidentes devido a pressa)? 4) Como pensar em apenas um professor sem especialização em turmas que tenham crianças e jovens com necessidades especiais? 5) Podemos imaginar uma sala com 25 ou 30 bebês (no caso das creches) com apenas um auxiliar de creche, sem uma equipe de pediatra, enfermeira, pedagoga, nutricionista, pessoal qualificado na cozinha, etc.)?

Enfim, não podemos imaginar como os governos podem ser mais desumanos, mais ditadores para com o povo que os elegeu do que os que temos tido há décadas. O fato é que desde o salário mínimo até o excesso de carga horária que temos de enfrentar, às vezes, até com mais de um emprego e fazendo horas extras seguidas, tudo nos impede de participar de reuniões e encontros, mas o fato é que se deixarmos a coisa da forma como está, o futuro de nossas crianças (filhos e parentes diretos ou não) será, certamente, igual ou pior que o nosso. Por isso nos engajamos na luta pela educação com os professores e funcionários das redes estaduais e municipais do Estado do Rio de Janeiro e estamos querendo constituir a Movimento de Pais e Responsáveis por Alunos das Escolas Públicas (APAREP-RJ).

Por: Mauro Nunes – Movimento de responsáveis em defesa da Educação pública, gratuita e de qualidade –  Militante do CSL/CAEP

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Esse Blog está a serviço da Luta pelo Socialismo. Defendemos a plena liberdade do ser humano, mas somos radicalmente contra a liberdade de explorar, como a burguesia faz, e contra a liberdade de oprimir como os machistas fazem, os racistas fazem, os homofóbicos fazem, os praticantes de bullying fazem, os preconceituosos fazem, os possessivos fazem e os autoritários de plantão fazem. Assim, defendemos que cada corpo-consciência deve ter liberdade de ser o que ESCOLHE SER, desde que esta liberdade não oprima e explore os outros! Defendemos a plena liberdade de postura crítica e a plena democracia operária, todos devem ter o direito de expressar o que pensam! Defendemos a Revolução Socialista e a necessidade de libertação da classe trabalhadora do jugo do capitalismo. No entanto,somos contra comandos de hierarquias políticas ou de figuras públicas mais poderosas no seio dos lutadores que travam a batalha pelo socialismo. Defendemos que cada militante deve ousar pensar por si mesmo, cada militante deve ter o direito de concordar, mas também de discordar daquilo que julga equivocado, por isso nos definimos como Socialistas Livres e esse Blog está a serviço dos que desejam militar de acordo com essa concepção. Convidamos a todos a conhecerem nosso jeito diferente de entender e de praticar a política socialista, com liberdade, democracia operária, direito de crítica e respeito ao diferente. Saudações Socialistas Livres.
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Uma resposta para Pais apoiam GREVE da EDUCAÇÃO no Rio de Janeiro

  1. Chemin De Saint Jacques disse:

    A estratégia desses socialistas livres é semear intrigas entre classes sociais e também é meio de sustentar o eterno fracasso do regime, sempre culpando prosperidade alheia.

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