Por que o stalinismo é contra-revolucionário?

O Partido stalinista não pode existir. Foi o grande responsável pela derrota da revolução socialista mundial. Todos os que se consideram comunistas, ou mesmo muitos dos que se consideram trotskistas, quando se colocam sempre como os donos da verdade, como os senhores das soluções mágicas, sempre acabam em conciliação ou derrota.

Digo que, se as discussões fossem socializadas entre o movimento operário-estudantil-camponês e os partidos socialistas, a metade dos problemas da construção do socialismo teria sido resolvida. Mas o fato é que por detrás desses desvios a que chamo de stalinistas está o culto à personalidade, as “verdades bíblicas intocáveis”, os conceitos supostamente infalíveis. E essas práticas são responsáveis pela derrota do socialismo em nível mundial.

Socialismo significa socializar, e socializar significa distribuir igualmente. Isso requer dizer que ninguém pode deter o conhecimento e as decisões para si, como se fossem guardiães celestiais do socialismo, oriundos, diria eu, das profundezas do inferno, portadores do conhecimento fatídico que levará a classe operária ao paraíso.

Balela. Foi por essas razões que Stalin e seus seguidores messiânicos destruíram todas as possibilidades de socialismo no mundo. Fizeram com que as massas por todo planeta tivessem ojeriza à sua arrogância fascista. Por outro lado, temos um trotskismo, supostamente opositor ao stalinismo, mas tão fratricida entre si que briga tanto que necessita criar frações e mais frações, já que não conseguem conviver em um mesmo bloco socialista, não conseguem conviver com diferenças políticas. Desta feita, o trotskismo não se apresenta como alternativa real para a classe trabalhadora, que, em si, nunca foi e nunca será homogênea e que mesmo assim tem um sentimento de que a unidade, mesmo com divergência, às vezes funciona mais do que o simples divisionismo sem diálogo.

Os anarquistas, por sua vez, possuem profundas angústias por terem, no passado, sido vítimas, tanto quanto os revolucionários bolcheviques, seja da atrocidade de Stalin, seja de algumas atrocidades de Trotsky, como o massacre de Kronstad. Entendo as suas angústias por lutarem tanto por um mundo sem fronteiras e sem Estado. Também faço eco com suas ansiedades e angústias. Mas não concordo com a tese anarquista de que o Estado vai acabar de uma vez. O Estado deve ser constituído de uma forma em que o povo, assumindo o poder, derrube primeiramente as fronteiras nacionalistas, patrióticas e o proletariado, em cada parte do mundo, ao fazer isso, em determinado momento, só assim, poderá criar condições para o Estado cair de vez.

Mas por que o Estado não cai, ou não caiu? Porque temos uma única vertente que deve ser derrubada dos conceitos de socialismo: O STALINISMO. O stalinismo deturpou a luta socialista-marxista e forjou a “grande ideia” do “Partido Único da Revolução”, do “Socialismo em um só país”, da “convivência pacífica com o capitalismo”. Com essa política autoritária (Partido Único da Revolução), destruiu a democracia operária e a liberdade de crítica, nos Estados Operários existentes. Com a política conciliadora com o capitalismo (convivência pacífica com o capitalismo), serviu como freio à revolução socialista mundial, destruindo a possibilidade de superar mundialmente o Estado Capitalista Burguês. Com a política economicamente inviável (socialismo em um só país), condenou os Estados Operários ao isolamento econômico, calando os descontentamentos econômicos internos na base da coerção-repressão política, consolidando-se como uma ditadura contra os próprios trabalhadores do Estado Operário.

Essa soma de políticas stalinistas equivocadas serviu apenas como contrapropaganda para a tão necessária revolução socialista mundial. A burguesia mundial aproveitou-se e aproveita-se da FALTA DE LIBERDADE POLÍTICA nos Estados Operários para justificarem-legitimarem um sistema econômico capitalista explorador-opressor-excludente, guiado pelo aparato do Estado Burguês, que, como contrapondo às ditaduras stalinistas, permite, em períodos de menor crise econômico-social, uma relativa convivência com a LIBERDADE POLÍTICA.

Qual o desafio dos Socialistas de hoje? Criar um Estado Operário em que o socialismo de livre debate seja a regra, e não a exceção como foi em Rússia, China, Cuba, Coréia.

Por: Mauro Nunes – Militante do CSL-CAEP – Rio de Janeiro.

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