Diálogos entre Socialistas Livres: Gilvan Rocha e Gílber Martins Duarte

Gilvan Rocha: Alguns apresentam, indevidamente, o trotskismo como o oposto ao stalinismo e isso não é verdade. Outros chegam a imaginar que o stalinismo foi arquivado, ou revogado, por iniciativa de Nikita Kruschev, e isso também não é verdade.
Para que possamos entender de fato o que é o stalinismo e o anti stalinismo, é necessário, como sempre ocorre, voltarmo-nos para a História. Nos momentos precedentes à chamada Grande Guerra, 1912/13, deu-se um embate entre duas proposições políticas. A primeira delas, assumida pelos segmentos da burguesia imperialista, levantava a palavra de ordem de defesa da pátria. O segundo agrupamento político, fiel aos princípios do socialismo revolucionário, defendia a posição de que se devia evitar a guerra, mas, caso isso não fosse possível, deveria transformar o conflito bélico em insurreições socialistas, de caráter internacionalista, portanto.

No embate dessas duas proposições políticas, a primeira delas, a defesa da pátria, foi amplamente majoritária e a maior parte dos partidos operários socialistas cederam ao nacionalismo burguês e se converteram em partidos social-patriotas. Dentro desse quadro histórico é que ocorre a Revolução Russa, de 1917. Em um primeiro momento, houve a chamada Revolução de Fevereiro. Essa revolução adveio do levante das massas populares contra o tzarismo, contra a autocracia, e trazia as reivindicações mais sentidas pelos trabalhadores. Esse processo insurrecional não teve presença expressiva dos partidos políticos, então existentes, na sua condução. A bem da verdade, entretanto, fizeram-se partícipes desse evento, os mencheviques e os socialistas revolucionários sem, contudo, esse episódio ter perdido caráter de espontaneidade. Da insurreição de fevereiro, decorreu um governo provisório, que teria por objetivo processar o desmonte da autocracia e implementar um programa de natureza democrático burguesa, pois essa era a tarefa imediata que a História impunha.

Em um segundo momento, setores do movimento socialista, que se opunham ao social-patriotismo e refutavam a tese de defesa da pátria, buscavam influenciar politicamente os organismos de massa, ou seja, os sovietes, para um maior grau de radicalização daquele processo em andamento. Dentre as forças socialistas, que repudiavam o social-patriotismo, estavam os bolcheviques, liderados por Vladimir Lenine, os mencheviques internacionalistas, liderados por Julio Martov e os socialistas revolucionários de esquerda.

Os bolcheviques, sob a direção de Lenine, após tensas discussões internas, colocaram-se como defensores da tese de que a Revolução de Fevereiro, de caráter democrático burguês, deveria evoluir para a revolução socialista. Essa formulação era uma adesão à tese da Revolução Permanente, cujo teor consistia em afirmar que os países retardatários como Índia, China, Indonésia, Rússia, na realização de suas revoluções democráticas burguesas, deviam desembocar na revolução socialista.
Na verdade, a proposta de revolução socialista, na Rússia, em outubro, tinha cabimento, porém, ela só poderia se efetivar caso fosse intimamente acoplada à revolução socialista em escala mundial. O cenário político do pós-guerra não favorecia as perspectivas de vitória socialista, muito pelo contrário, apresentava-se um cenário de extremas dificuldades, em função do papel da Segunda Internacional Socialista, convertida ao social-patriotismo. Mesmo assim, o partido bolchevique, irmanado com os socialistas revolucionários de esquerda, urdiu um golpe de força e conseguiu empolgar o poder. Nesse instante, outubro de 1917, as massas não se insurgiram, todo golpe de força foi arquitetado sem o conhecimento dos trabalhadores que, após o fato consumado, deram o seu aval, através do Congresso Pan Russo de sovietes, apesar dos protestos dos que se opunham aquele tipo de encaminhamento político.

Em 1921, a Rússia, pobre e atrasada, encontrava-se completamente em ruínas, depois de sete anos ininterruptos de guerra, considerando-se os anos de guerra imperialista e os anos de guerra civil. Esse quadro desesperador levou a que os dirigentes maiores do partido bolchevique propusessem e aprovassem algumas medidas emergenciais para enfrentar o quadro desolador em que se encontrava o país dos sovietes. Uma dessas medidas foi a NEP – Nova Política Econômica, que passou a permitir iniciativas de empreendedores privados, principalmente no campo, como forma de estimular algum avanço no crescimento econômico. Ao lado de medidas liberalizantes, frente à economia estatal, também se procederam parcerias com setores do imperialismo, na exploração de minérios, na indústria madeireira e noutras atividades. Concomitantemente a essas concessões de natureza econômica, foi tomado um conjunto de resoluções de caráter político. Foram aprovadas medidas coercitivas. Suprimiu-se o direito de tendência, logo, suprimiu-se o livre debate. Foi imposto o partido único e a imprensa única. Para viabilizar essas medidas coercitivas, foi criada a polícia política, os campos de concentração, as execuções sumárias dos dissidentes, fossem eles de esquerda ou de direita. Pretendia-se que tais medidas tivessem caráter transitório, na esperança de que a revolução mundial se reanimasse e viesse em socorro dos soviéticos.

Merece destacar que as proposições dessas medidas de exceção foram alvo de uma cerrada oposição de alguns camaradas, em especial da Alexandra Kollontai, membro do Comitê Central do Partido. É oportuno, também, que se diga que, no ano anterior, isto é, em 1920, foi criada a Oposição Operária, com uma plataforma política que entrava em choque com as diretrizes então assumidas pelo governo dos bolcheviques. Ressalte-se que, no mesmo ano de 1920, houve várias greves operárias, greves proletárias, que foram caluniadas e reprimidas drasticamente. Essa insatisfação do operariado, dos trabalhadores, teve o seu ponto culminante com a insurreição do soviete de Kronstadt, em 1921 e, nesse momento, ficou claro o uso da calúnia e da repressão ostensiva aos insurretos. O soviete de Kronstadt, “pérola da revolução socialista”, mereceu de Lenine e Trotsky a mais sórdida campanha caluniosa cabendo, a esse último, ordenar o seu cerco militar e, diante da recusa dos insurretos em se renderem, não titubeou em massacrá-los.

Em 1919, a toque de caixa, foi criada, precariamente, uma nova internacional, a então chamada Terceira Internacional Comunista. O objetivo dessa iniciativa seria de criar um instrumento capaz de alavancar a revolução mundial. Nesse mesmo ano, Vladimir Lenine pronunciou a seguinte sentença: “ou a revolução mundial avança ou pereceremos”. Cabe, então, uma reflexão: a revolução mundial avançou ou sofreu uma acachapante derrota? A resposta é clara: a contrarrevolução venceu e a URSS pereceu. Isso ocorreu porque a nascente URSS tinha, diante de si, a tarefa inarredável de promover as medidas próprias da revolução democrática burguesa.

Em outras palavras, colocavam-se diante dos dirigentes da URSS as tarefas de promover a industrialização, uma reforma agrária radical, a construção de obras infra-estruturais e outras tantas medidas necessárias para a edificação do capitalismo. Tudo isso foi feito a um altíssimo custo social e, sobretudo, político. A coletivização forçada no campo foi o caminho buscado para viabilizar uma prática agrícola mecanizada, em contraposição à agricultura semi-feudal, então existente. A industrialização exigia capital acumulado e, na ausência dele, a solução era buscá-lo, através da super exploração dos trabalhadores e, sobretudo, da expropriação de grãos, que eram exportados em troca de máquinas, à custa da fome dos trabalhadores. Deu-se, assim, a consumação do capitalismo de Estado, por sinal, com conquistas muito aquém das apresentadas pelo capitalismo clássico. Nesse quesito, basta que se veja o fato de que a Rússia está, hoje, na condição de país emergente, compondo os BRICS.

Para atingir os objetivos propostos, era preciso existir oestado policial, fazia-se necessário o totalitarismo, o monolitismo levado até as últimas consequências e, tudo isso, foi feito em nome do socialismo ou em nome do comunismo, e aí reside a nossa grande infelicidade política.
Não faltaram advertências de que, caso se insistisse em um voluntarismo desbragado, caso se insistisse em atropelar as leis da história, tudo haveria de redundar em tragédia. E foi exatamente isso o que aconteceu. Mas, diante desse quadro histórico, quais foram as posições políticas, elucidativas, vindas à tona? Antes do X Congresso do PC russo, em 1921, houve a Oposição Operária, que clamou por outros caminhos e não só deixou de ser ouvida como foi perseguida, tanto por Lenine, quanto por Trotsky. No Congresso citado, ou seja, no X Congresso do PC russo, pretendeu-se tomar algumas medidas emergenciais, medidas de exceção, na esperança de se ganhar tempo enquanto a revolução mundial se reanimasse. Porém, Lenine, o sacro-santo e infalível dirigente, que havia dito, profeticamente: “ou a revolução mundial avança ou pereceremos”, não levou a sério a sua própria profecia, quis forçar as barras da História. Cabe, então, perguntar: por que ele não assumiu a derrota, uma vez que ficou bastante evidente que não houve o avanço da revolução socialista na Europa ocidental? Eis uma pergunta que merece resposta.

Após a morte de Vladimir Lenine, em 1924, as lutas internas, dentro do PC russo, tornaram-se mais agudas, sempre recheadas de intrigas e calúnias. Essas lutas eram travadas nos corredores dos palácios, agora ocupados pelos bolcheviques. Favorecido pela contrarrevolução, o desfecho final desse processo foi a vitória de Joseph Stalin, que passou a gozar de plenos poderes no Partido e, logo, de plenos poderes no aparelho do Estado soviético. Essas ocorrências exigiam uma análise abalizada, que servisse de ponto de partida para uma formulação política justa e consequente. Mas isso não ocorreu.
A grande e triste verdade é que o stalinismo se consolidou. Porém, vale frisar, com todas as letras, que esse fenômeno político é produto direto da revolução mundial derrotada. Joseph Stalin nada teve que inventar, tudo já existia: partido único, imprensa única, polícia política, campos de concentração, execuções sumárias e, sobretudo, o uso da mentira e da calúnia como instrumentos de disputa.
Não foi essa, entretanto, a análise feita por Leon Trotsky. Supunha-se que a ele, pelo acúmulo teórico e pelo seu prestígio político, é que caberia a tarefa de destrinchar, dissecar completamente, o que era e o que passou a ser a URSS. Ao invés de uma análise marxista desse processo, o sr. Trotsky enveredou pelo caminho do idealismo filosófico, com a afirmação de que a revolução fora traída. Essa postura idealista, na abordagem da Revolução Russa, fica bem clara quando o aludido senhor, em seu livro autobiográfico Minha Vida, afirmou: “nunca imaginei que uma caçada de patos pudesse ter tantas consequências históricas”. Imaginava, o ex-comandante do Exército Vermelho que, caso chegasse em tempo para o féretro de Vladimir Lenine, poderia pegar na alça do caixão e se apresentar como o seu legítimo herdeiro e, isso, era um crasso erro, imperdoável para alguém que se regesse pelo materialismo histórico.

O stalinismo, meus caros, tem o seu perfil próprio, é filho, como já foi dito, da derrota da revolução, e não produto de cérebros doentios, conforme avaliação de Trotsky; afinal “o homem faz a História, porém não a faz de acordo com a sua vontade”. O cerne do stalinismo, do ponto de vista político, está na supressão real do direito de tendência, no monolitismo e nos métodos de disputa e o sr. Trotsky não rompeu com as resoluções do X Congresso. Ao invés de denunciar as resoluções transitórias, ele e seus seguidores levaram e levam muito longe o monolitismo. Basta lembrarmos que existem, no mundo, hoje, bem mais de uma centena de grupos, partidos e movimentos trotskistas, trocando insultos e se excluindo mutuamente.

Como legítimos stalinistas, os trotskistas não admitem o contraditório, não admitem a convivência democrática e, assim sendo, os dissidentes só têm dois destinos: ou são destruídos, aniquilados; ou retiram-se para participar de outro agrupamento, dentro do mesmo espírito e modelo stalinista. Feitas essas colocações, acreditamos ter deixado em evidência a natureza stalinista do trotskismo, ontem e hoje e, essa avaliação, nada tem de pessoal.

Gílber Martins Duarte: Concordo parcialmente com o texto do companheiro Gilvan Rocha. O trotskismo, ao não romper com as teses do X Congresso, deu um tiro no pé e avalizou o stalinismo. O stalinismo foi um processo que se deu suprimindo a liberdade política, a liberdade de imprensa, a liberdade de crítica, a liberdade de frações no interior do partido, instituindo o partido único. E o trotkismo-leninismo foram coniventes com isso, usando como argumento as pressões da contrarrevolução.

Porém, em nosso ver, a tese de Gilvan Rocha também erra, quando diz: “a revolução foi derrotada e pronto”. O que fazer então? Abandonar a gestão do Estado Russo e entregá-la para os contrarrevolucionários? Isso seria degolar, em forma de suicídio, o próprio partido bolchevique. Saímos de um extremo estalinista e entramos em uma posição suicida. Os revolucionários teriam de tentar, pelos métodos corretos, a vitória da revolução, a revolução permanente, como diria Tróstky. Recuar era colocar a cabeça nas mãos da contrarevolução e a revolução é uma batalha de vida ou morte ou pela transformação das relações de produção ou pela reprodução das relações de produção.

A HISTÓRIA não é uma DEUSA, como parece pensar o companheiro Gilvan Rocha, que tem a LEI EXATA do que pode e do que não pode. Se fosse assim, o capitalismo cairia de podre, pela força da HISTÓRIA. Em nosso ponto de vista, quem faz a História não são os homens, são as classes sociais em luta. E a classe operária, com seus dirigentes revolucionários, estava em luta contra as relações de produção atrasadas de um feudalismo acoplado a um ex-estado czarista e feudal, um estado policial, diga-se de passagem.

Na defesa do companheiro Gilvan Rocha, ele omite o que ocorreu de 1917 até 1921, que foi um salto na economia Russa, ou seja, a economia Russa saltou de um Estado Feudal para uma potência mundial. Isso não tem nenhum mérito? Foi uma desobediência à DEUSA HISTÓRIA? Claro que foi. Por isso concordamos parcialmente com Gilvan Rocha. Ele acerta em dizer que o leninismo e o trostkismo, sobre pressão da contrarevolução, apoiaram as bases do stalinismo, mas, em nosso ver, erra em dizer que esses teóricos-revolucionários eram uns equivocados igual ao stalinismo.

Tem um fator importante que o companheiro Gilvan Rocha não leva em conta. A tese de Socialismo em um só país, defendida por Stalin, foi uma tese que era contrarevolucionária e o trotksismo-lenismo nunca cedeu a essa tese reformista e idealista equivocada. Portanto, acreditamos que nós, Socialistas Livres do CSL, devemos criticar o que é errado na esquerda, mas nem tudo foi erro, houve também os acertos. E os acertos não podem ser jogados para debaixo do tapete, colocando como horizonte histórico apenas REFORMAS PONTUAIS DO CAPITALISMO, já que nunca os trabalhadores poderiam ousar fazer uma revolução, estatizando os meios de produção, já que isso sempre traria a contrarrevolução.

Ou alguém acha que a burguesia, algum dia, vai entregar suas propriedades por convencimento HISTÓRICO. Essa é nossa divergência fraterna com o companheiro do CSL e Presidente do CAEP, Gilvan Rocha.

Gilvan Rocha: Reportando-se a experiência derrotada da comuna de Paris, Marx disse que o proletariado deve aprender, com suas derrotas, lamber as suas feridas, tirar as lições para se fortalecer nos seus futuros embates. Ora, Gílber, para que isso ocorra é necessário que, em caso de derrota, ela seja, antes de tudo, reconhecida.

Alguns elementos do processo de derrota da revolução socialista já estavam dados, no início dos anos vinte, do século passado. Era necessário que esse fato fosse reconhecido; aliás, é bom lembrar que, em 1919, Vladimir Lenin disse profeticamente: “Ou a revolução socialista triunfa na Europa Ocidental ou pereceremos”. E, foi isso, meu caro, exatamente o que ocorreu. A revolução socialista foi derrotada em escala mundial.

O reconhecimento dessa derrota permitiria uma retirada com menores danos. A tragédia nossa foi que, ao invés de assumir a derrota, proclamou-se vitória, apresentando a URSS como socialista. Porém, o que se deu ali foi o exercício de todas as tarefas pertinentes à construção do capitalismo: reforma agrária radical (coletivização forçada); a montagem de parques industriais; a construção de enormes obras de infraestrutura; um hercúleo trabalho de educação instrumental. Tudo isso foi feito a um alto custo social e enormes foram os crimes praticados contra as pessoas, contra a liberdade e contra o meio ambiente. Tudo isso, meu caro, foi feito em nome do socialismo, o que não passa de uma tremenda mentira e, em decorrência dela, se explica a sobrevivência de um capitalismo exaurido e de uma esquerda profundamente equivocada.

Por outro lado, camarada Gílber, Engels disse: “O capitalismo traz consigo um dilema, o capitalismo ou o caos”. Quarenta anos depois, a Rosa Luxemburgo disse: “O capitalismo nos coloca diante do dilema: o socialismo ou a barbárie”. Mas, hoje, estamos autorizados a dizer que vivemos o seguinte impasse: o socialismo ou a tragédia total.

É evidente que o capitalismo não experimentará a eternização, ou será superado pela revolução socialista, desde que ela tenha força para se impor, ou arrastará a humanidade para a tragédia total. Eis um determinismo histórico. Fico deveras feliz em participar de um espaço democrático, como tem sido o Coletivo Socialistas Livres, despido de preconceitos e aberto para discussão.

Por: Gilvan Rocha, escritor socialista, articulista, membro do CSL – Coletivo Socialistas Livres e Presidente do CAEP – Centro de Atividades e Estudos Políticos

Acessem nosso Blog: www.gilvanrocha.blogspot.com.br

Gílber Martins Duarte – Coletivo Socialistas Livres(CSL)/CAEP/Centro de Atividades e Estudos Políticos – Conselheiro do Sind-UTE-MG e diretor da subsede do Sind-UTE em Uberlândia – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais – Doutor em Análise do Discurso/UFU – Membro do Movimento Nacional dos Educadores Organizados pela Base (MEOB) – CSP-CONLUTAS.

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Esse Blog está a serviço da Luta pelo Socialismo. Defendemos a plena liberdade do ser humano, mas somos radicalmente contra a liberdade de explorar, como a burguesia faz, e contra a liberdade de oprimir como os machistas fazem, os racistas fazem, os homofóbicos fazem, os praticantes de bullying fazem, os preconceituosos fazem, os possessivos fazem e os autoritários de plantão fazem. Assim, defendemos que cada corpo-consciência deve ter liberdade de ser o que ESCOLHE SER, desde que esta liberdade não oprima e explore os outros! Defendemos a plena liberdade de postura crítica e a plena democracia operária, todos devem ter o direito de expressar o que pensam! Defendemos a Revolução Socialista e a necessidade de libertação da classe trabalhadora do jugo do capitalismo. No entanto,somos contra comandos de hierarquias políticas ou de figuras públicas mais poderosas no seio dos lutadores que travam a batalha pelo socialismo. Defendemos que cada militante deve ousar pensar por si mesmo, cada militante deve ter o direito de concordar, mas também de discordar daquilo que julga equivocado, por isso nos definimos como Socialistas Livres e esse Blog está a serviço dos que desejam militar de acordo com essa concepção. Convidamos a todos a conhecerem nosso jeito diferente de entender e de praticar a política socialista, com liberdade, democracia operária, direito de crítica e respeito ao diferente. Saudações Socialistas Livres.
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4 respostas para Diálogos entre Socialistas Livres: Gilvan Rocha e Gílber Martins Duarte

  1. Trotskismo e stalinismo
    “Um olhar retrospectivo sobre o século passado não pode se omitir sobre o trágico legado do stalinismo. A esquerda em especial não tem o direito de ignorá-lo. Tal herança pesa como um fardo sobre ela, mesmo já havendo uma alentada produção teórica de condenação dos anos em que Stalin esteve à frente da URSS, principalmente após o final dos anos 20 e até sua morte, em 1953. (…)

    Para a esquerda, é necessário resistir à tentação de refugiar-se num tempo de ouro, na nostalgia de um tempo feliz, que não existiu, ao contrário. O stalinismo foi um tempo de terror, de esmagamento dos adversários pela violência, marcado pela ausência da política, ao menos se esta for entendida como o reino da liberdade, e não da força bruta.

    O stalinismo foi a maior tragédia do povo russo e de todo o povo do Leste Europeu, afora as guerras. Não podemos mais ter receio de afirmar isso. Havia um temor de que isso parecesse diminuir o mérito da resistência do povo soviético ao nazismo. Não diminui. Os vestígios de stalinismo, indícios que sejam, são nefastos, atentados a qualquer idéia de vida democrática.”

    (Emiliano José; em “O stalinismo e sua trágica herança”)

    O stalinismo foi a mais grave degeneração que o marxismo sofreu, transformando a União Soviética(URSS) em uma ditadura totalitaria e burocratica, responsável pela morte de cerca de 20 milhões de soviéticos. Também foi responsável pela morte de milhares de pessoas, nos países do Leste Europeu onde o Exército Vermelho estabeleceu regimes socialistas após a Segunda Guerra Mundial.

    O revolucionário bolchevique Leon Trotsky era opositor do stalinismo, motivo pelo qual foi expulso da URSS, em 1929. No exílio, organizou um movimento comunista dissidente, a IV Internacional. Acabou sendo assassinado por um agente stalinista em 1940, no México, onde estava exilado. Mas apesar disso, Trotsky defendia as mesmas políticas totalitarias que Stalin imprementou depois que assumiu o poder absoluto em 1929. A diferença entre trotskismo e stalinismo residia no fato de Stalin defender a política do socialismo em um só país, ou seja, os revolucionários bolcheviques deveriam construir o socialismo apenas na URSS, e aguardar que outras revoluções ocorressem. Já Trotsky defendia que a revolução fosse exportada para a Europa Ocidental, e somente a partir disso que o socialismo poderia ser construido. A tese de Trotsky era inconsequente, pois a Rússia estava arrasada devido a Primeira Guerra Mundial, a Guerra Civil, e o fracasso da política do “comunismo de guerra”. Não havia a menor condição dos soviéticos exportarem a revolução, até porque a revolução havia sido derrotada na Alemanha e na Hungria. E na Itália, a ascenção do fascismo promoveu a derrota do movimento operário revolucionário.

    O autoritarismo de Trotsky

    Em 1920-21, Leon Trotsky defendeu a militarização do trabalho e a estatização dos sindicatos, assim como uma política de industrialização acelerada baseada na expropriação do campesinato. Foi sempre um opositor da Nova Política Economica(ou NEP, na sigla em inglês), defendendo a construção do socialismo “por decreto”, como Stalin acabou realizando.

    “A discussão em torno do papel do Estado, sua relação com os sindicatos, a autonomia da classe operária, nada disso fora palavrório oco. Lênin, com a NEP, propunha agora um outro caminho, com maior liberdade para a cidade e o campo, recuperando o papel do mercado, compreendendo que o capitalismo ainda tinha fôlego para se desenvolver numa sociedade que ele acreditava estar caminhando para o socialismo. Trotsky tinha outra visão, que mais tarde, ironicamente, será integralmente adotada por seu mais visceral inimigo, Stalin. Está certo Deutscher quando afirma não haver praticamente nenhum aspecto do programa sugerido por Trotsky em 1920-21 que Stalin não tenha usado durante a industrialização acelerada da década de 1930. Adotou o recrutamento forçado, subordinou os sindicatos, estimulou a disputa de produção entre os trabalhadores, na linha do taylorismo soviético defendido por Trotsky.”

    (Emiliano José; em “Trotsky: do pomar para a Revolução”)

    A política autoritária defendida por Trotsky, foi derrotada por Lenin, que defendeu a aprovação da Nova Política Economica(ou NEP, na sigla em inglês). Mas infelizmente Stalin acabou ressuscitando essa política autoritária em 1929, após derrotar Trotsky e demais adversários. Portanto a verdade que muitos comunistas insistem em não enxergar, é o fato de Trotsky ter sido um dos primeiros a defender políticas extremamente autoritárias entre os bolcheviques(como por exemplo, a estatização dos sindicatos e a militarização do trabalho), motivo pelo qual foi criticado pelo revolucionário Vladimir Lenin.

    “Trotsky foi o principal defensor da fusão dos sindicatos ao Estado e, inclusive, a sua militarização. Ele aplicou seus métodos “revolucionários” quando foi responsabilizado pela reorganização dos serviços de transporte. Assumindo o controle absoluto do Comitê Central de Transporte, decretou imediatamente “estado de emergência” nas ferrovias, destituiu os dirigentes eleitos dos sindicatos e colocou todos os operários sob lei marcial.

    Em 16 de dezembro de 1919, Trotsky apresentou no Comitê Central do Partido Bolchevique a sua tese “Sobre a transição entre a guerra e a paz”, na qual reafirmou a necessidade de militarização dos sindicatos russos. Ele defendeu novamente as suas posições no IX congresso do PCRb. Na ocasião afirmou ele: “As massas trabalhadoras não podem vaguear através da Rússia. Devem ser enviadas para aqui e para ali, nomeadas, comandadas exatamente como soldados (…) O trabalho obrigatório deve atingir a sua maior intensidade durante a transição do capitalismo para o socialismo (…) É preciso formar patrulhas punitivas e pôr em campos de concentração os que desertam do trabalho”. E concluiu: “O Estado Operário possui normalmente o direito de forçar qualquer cidadão a fazer qualquer trabalho em qualquer local que o Estado escolha.”

    Contra as posições autoritárias de Trotsky, Lênin escreveu os artigos “Sobre os Sindicatos, o momento atual e os erros de Trotsky” e “Mais uma vez sobre os sindicatos, o momento atual e os erros dos camaradas Trotsky e Bukharin”. Afirmou ele: “os sindicatos são uma organização da classe dirigente, dominante e governante. Mas não são uma organização estatal, não são uma organização coercitiva, são uma organização educadora, uma organização que atrai e instrui, são uma escola, escola de governo, escola de administração, escola de comunismo”. Portanto, não poderiam ser transformados em quartel ou prisão.

    Lênin negou a tese trotskista de que a defesa dos interesses materiais e espirituais da classe operária não deveria ser de incumbência dos sindicatos em um Estado operário. Para ele isto era um grave erro. Afirmou Lênin: “O camarada Trotsky fala de ‘Estado operário’. Permitam-me dizer que isto é pura abstração (…) comete-se um erro evidente quando se diz: Para que e ante quem defender a classe operária, se não há burguesia e o Estado é operário? Não se trata de um Estado completamente operário, aí está o xis do problema (…) Em nosso país, o Estado não é, na realidade, operário, e sim operário e camponês (…) Porém há mais alguma coisa (…) nosso Estado é operário com uma deformação burocrática (…) Pois bem, será que diante desse tipo de Estado (…) nada têm os sindicatos a defender? Pode-se dispensá-lo na defesa dos interesses materiais e espirituais do proletariado organizado em sua totalidade? Essa seria uma opinião completamente errada do ponto de vista teórico (…) Nosso Estado de hoje é tal que o proletariado organizado em sua totalidade deve defender-se, e nós devemos utilizar estas organizações operárias para defender os operários em face de seu Estado e para que os operários defendam nosso Estado””.

    (Augusto César Buonicore; em “Lenin, os sindicatos e o socialismo”)

    Gílber é um cego partidário do estatismo, teoria pela qual os governos intervem no mercado, que só funciona no seu máximo quando desobstruído. Qualquer intervenção deixa de maximizar a produção de bens e serviços da economia. Então a economia piorando, o estatista acenam com mais intervenção até que a economia esteja completamente engessada e o mercado funciona pessimamente diminuindo a produção de bens e serviços. Os burocratas costumam considerar um ganho de 0,001 em qualquer programa governamental de significativo. Se o ganho for negativo desculpam-se dizendo que não foi bem implementado. O estado é um desperdiçador de recursos. O estado desvaloriza nossa moeda, dificulta nossa capacidade de produzir, inibe nossa capacidade de criação. O estado discrimina entre as pessoas recompensando os mais indolentes, criadores de casos para os outros resolverem e pune os que mais se esforçam e se destacam. Criaram a palavra justiça social que melhor seria injustiça social,que tiram dos que mais produzem e distribui para os que menos contribuem. Enfim tira a garra dos empreendedores e promovem os mais indolentes. No fim criam uma competição em que os vencedores não ganham e dividem o esforço da vitoria com aqueles que não se esforçaram. Se você trabalhar mais horas será penalizado com mais impostos (roubo), você não é dono do produto de seu trabalho. Em vez de instituírem a propriedade privada, definem a função social da propriedade. Um dia você vai se conscientizar que trabalhou mais, ganhou mais e vai ter que pedir desculpa por ser egoísta, vai ajoelhar e devolver o que você ganhou a mais. O que queremos é adeus governo,liberdade ampla e irrestrita, trocas voluntárias,direito de ir e vir, principio da não agressão, respeito pelas outras pessoas. Não consigo entender a sua cabeça. Com a atual constituição nada podemos conseguir, no máximo migalhas.

  2. Professora Carmilta Castro disse:

    Sentimentos humanos de aversão aos ricos é que devem ser combatidas urgentente, daí a “nossa” crença na intervençao e na taxaçao aos mais abastados que nos mantêm sempre no mesmo caminho. Nossa saída e continuar divulgando as ideias da Escola Austríaca até que alguns abnegados da midia também colaborem. Da medo saber que o ciclo pode se perpetuar.

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