Algumas considerações sobre a construção do Coletivo Socialistas Livres(CSL)/CAEP/Centro de Atividades e Estudos Políticos

Estamos, em um esforço militante dos lutadores do grupo do CSL e do grupo do CAEP, construindo, para a luta política, o Coletivo Socialistas Livres(CSL)/CAEP/Centro de Atividades e Estudos Políticos. Em nossa opinião, construir um coletivo que se pretenda socialista e revolucionário requer entender alguns pontos: a questão da legalidade, da participação nos processos eleitorais, da militância x filiação, da organização, da formação política e da militância propriamente dita (ação no movimento social).

Neste primeiro momento me limitarei ao enfoque em considerações sobre a questão da organização e democracia interna. Temos que encontrar um caminho diferente dos apresentados até então pelo conceito stalinista de construção partidária: o centralismo autoritário, ou seja, o centralismo de cima para baixo e burocratizado. Esta é a forma stalinista de afirmar o partido e sua direção como infalíveis e detentora de todo conhecimento sobre a realidade. Nesta forma, as divergências são secundarizadas e as minorias caladas. É deste legado que temos de dar fim. As vozes e o pensamento não podem ser calados: ao contrário, devem ser estimulados a discutir suas posições amplamente. É isso o que capacitará não a uma maioria ou uma minoria ficarem se alternando na direção, mas permitir que o debate consiga levar a uma construção teórica e prática sobre a revolução e o socialismo, e, assim, com o amplo debate, só depois todos poderão tirar posições ou modificá-las, de acordo com os critérios de avaliação da realidade atual e da história.

Defendemos a ideia de que a militância só deve assumir uma proposta ou a proposta da maioria, se e somente se, a militância se sentir convencida de que mesmo sendo minoria, as suas ideias terão eco, e, que devido a canais amplos de discussão dessas ideias, se sentiram a vontade e capazes de realmente interferirem em qualquer processo. Aí sim se centralizariam sem serem forçadas a militarem de uma forma impositiva.

Está aí uma questão importante para que não se caia na ilusão anarquista da ação direta, na qual está escondida uma visão pequena burguesa radical de que cada um é dono de seus atos – individualismo é o que o sistema fomenta, além do que é uma posição vanguardista que põe às claras que todos farão o que querem desde que eu faça. Ora qual a diferença entre a sociedade que estamos e o que é proposto? Precisamos definir como linha central uma ação que seja dialética: Teoria e Prática dialeticamente centradas em nossa militância. Não podemos ser um coletivo praticista e muito menos só voltado para a formação teórica e política. Devemos ter claro quais as ferramentas que usaremos para atingir a classe operária e os trabalhadores, bem como o povo em suas lutas.

O socialismo requer esforço teórico e prático. Temos que articular o debate incluindo questões como centrais sindicais, Movimento de Mulheres, estudantil, de juventude, entre outros. Isso determina que tenha de ser praticada a liberdade de expressão, a liberdade de crítica dos militantes, com espaço na nossa imprensa para que as posições não majoritárias possam influenciar as majoritárias e , a partir da discussão, poderem mostrar que talvez as suas teses é que estão corretas e não as que venceram por maioria. Só a prática pode determinar acertos e erros. Nesse sentido a imprensa do coletivo se torna necessária para que não seja sufocada a crítica dos companheiros discordantes. Num primeiro momento, devemos ter uma página fechada, oculta, só para os militantes poderem expressar suas opiniões, teorias e debates sobre qualquer ponto, facilitando e ampliando o debate.

A coroação de qualquer processo democrático do COLETIVO deve ser a plenária de um congresso que aconteceria naturalmente, pela própria necessidade de avançar na luta pelo socialismo. Neste dever-se-á ter espaço para a discordância. Diferente de outros partidos, podemos até pensar em direção – coordenação que se reveze ano a ano, garantindo assim que todos possam experimentar a diferença entre poder e responsabilidade, criando quadros e dirigentes na melhor forma de praticar a velha ideia de que LIDERAR NÃO É IMPOR. LIDERAR É DESPERTAR, EM TODOS, A VONTADE DE VENCER, lutar, CRIAR E MUDAR.

Por: Mauro Nunes – Coletivo Socialistas Livres(CSL)/CAEP/Centro de Atividades e Estudos Políticos

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Sobre socialistalivre

Esse Blog está a serviço da Luta pelo Socialismo. Defendemos a plena liberdade do ser humano, mas somos radicalmente contra a liberdade de explorar, como a burguesia faz, e contra a liberdade de oprimir como os machistas fazem, os racistas fazem, os homofóbicos fazem, os praticantes de bullying fazem, os preconceituosos fazem, os possessivos fazem e os autoritários de plantão fazem. Assim, defendemos que cada corpo-consciência deve ter liberdade de ser o que ESCOLHE SER, desde que esta liberdade não oprima e explore os outros! Defendemos a plena liberdade de postura crítica e a plena democracia operária, todos devem ter o direito de expressar o que pensam! Defendemos a Revolução Socialista e a necessidade de libertação da classe trabalhadora do jugo do capitalismo. No entanto,somos contra comandos de hierarquias políticas ou de figuras públicas mais poderosas no seio dos lutadores que travam a batalha pelo socialismo. Defendemos que cada militante deve ousar pensar por si mesmo, cada militante deve ter o direito de concordar, mas também de discordar daquilo que julga equivocado, por isso nos definimos como Socialistas Livres e esse Blog está a serviço dos que desejam militar de acordo com essa concepção. Convidamos a todos a conhecerem nosso jeito diferente de entender e de praticar a política socialista, com liberdade, democracia operária, direito de crítica e respeito ao diferente. Saudações Socialistas Livres.
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7 respostas para Algumas considerações sobre a construção do Coletivo Socialistas Livres(CSL)/CAEP/Centro de Atividades e Estudos Políticos

  1. Mesmo que um governo genuinamente socialista fosse eleito democraticamente, seu primeiro ato de governo ao implantar o socialismo teria de ser um ato de enorme violência, qual seja, a expropriação a força dos meios de produção. A eleição democrática de um governo socialista não alteraria o fato de que o confisco de propriedade contra a vontade dos proprietários é um ato de força. Uma expropriação à força da propriedade baseada no voto democrático é tão pacífica quanto um linchamento também baseado no voto. Trata-se de uma violação primordial dos direitos individuais. A única maneira de o socialismo realmente ser implantado por meios pacíficos seria com os donos de propriedade voluntariamente doando sua propriedade ao estado socialista. Porém, pense nisso. Se o socialismo tivesse de esperar que os donos de propriedade doassem voluntariamente sua propriedade para o estado, este certamente teria de esperar para sempre. Logo, se o socialismo tem de ser implementado, então ele só pode existir por meio da força — e força aplicada em escala maciça, contra toda a propriedade privada.

    O socialismo necessariamente deve começar com um enorme ato de confisco. Aqueles que querem seriamente roubar devem estar preparados para matar aqueles a quem eles planejam roubar. Assim sendo, os social-democratas são meros vigaristas e batedores de carteira, que se ocupam em proferir palavras vazias sobre o dia em que finalmente implantarão o socialismo, mas que saem em desabalada carreira ante o primeiro sinal de resistência oferecido por suas almejadas vítimas. Os comunistas, por outro lado, levam muito a sério a implantação do socialismo. Eles são assaltantes armados preparados para matar. É por isso que os comunistas conseguem implantar o socialismo. Dentre esses dois, apenas os comunistas estão dispostos a empregar os meios sanguinolentos necessários para implantar o socialismo.

    O direito a propriedade e intrínseco ao ser humano. Em praticamente todas as línguas existem os pronomes possessivos, o que mostra a importância que o homem dá aos seus bens. O comunismo tenta perverter isso, sem sucesso é claro.

    A propriedade é um direito natural e não consigo entender como interpretá-la como uma violência… Observando os animais territorialistas notamos com clareza que exercem esse direito, mas não são os únicos. A propriedade é ligada à perpetuação da vida, cada pedrador protege seu alimento abatido, marca território e etc, é exercício do direito à vida e liberdade, é a substanciação do direito de subsistir: garantir os meios de mantença à vida individual e de seus íntimos- é o modo natural.Nós como seres racionais desenvolvemos propriedades mais sofisticadas e por isso evoluímos, iniciativas que visam vaporizar isto não podem ser em defesa ao individuo, pois é de principio incivilizada. O direito a propriedade preserva a soberania de um individuo, sua autonomia e liberdade, e portanto sua vida. Coletivizar todos recursos é destrutivo, porque significa tornar homens reféns de outro, preso à barganhar sua vida e liberdade- tudo que lhe sobrou- com os “tutores de todo mundo”.

    Como isso poderia ser positivo? Como? Já tive uma fase de pender a utopia anarco-socialista, mas há muitas armadilhas nesse ideal.

  2. O mundo marxista está se desmoronando. O nosso está apenas começando a ser construído. O mundo marxista é baseado em ideologias falidas. O nosso é arraigado na verdade, na liberdade e na realidade. O mundo marxista pode apenas olhar para o passado e ter nostalgias daqueles dias gloriosos. O nosso olha para frente e contempla todo o futuro que estamos construindo para nós mesmos. O mundo marxista se baseia no cadáver do estado-nação. O nosso se baseia na energia e na criatividade de todas as pessoas do mundo, unidas em torno do grande e nobre projeto da criação de uma civilização próspera por meio da cooperação humana pacífica.

    É verdade que os marxistas possuem armas grandes e poderosas. Mas armas grandes e poderosas nunca foram garantia de vitória em guerras. Já nós possuímos a única arma que é genuinamente imortal: a ideia certa. E é isso que nos levará à vitória.

    No longo prazo, até mesmo o mais tirânico dos governos, com toda a sua brutalidade e crueldade, não é páreo para um combate contra ideias. No final, a ideologia que obtiver o apoio da maioria irá prevalecer e retirar o sustento de sob os pés do tirano. E então os vários oprimidos irão se elevar em uma rebelião e destronar seus senhores.

    Quando uma manada de leões está pacientemente escondida atrás do matagal, pronta para atacar as zebras, algumas zebras serão devoradas. Quando pensamos em burocratas, devemos pensar em leões. E nós somos as zebras.

    Haverá várias perdas. Mas o fato é que os leões estão ficando velhos. Eles já não correm tão rapidamente nos dias de hoje. As zebras estão se multiplicando. Pense em “China”. Pense em “Rússia”. E então tente se lembrar de Mao e Stalin. Se todos aqueles campos de concentração entraram em colapso sem que houvesse qualquer resistência armada ou alguma guerra perdida, então não venha me dizer que viver eternamente sob uma tirania é uma inevitabilidade histórica.

    Governo é, em última instância, o emprego de homens armados, de policiais, guardas, soldados e carrascos. A característica essencial do governo é a de impingir os seus decretos por meio do espancamento, do encarceramento e do assassinato. Quem pede maior intervenção estatal está, em última análise, pedindo mais coerção e menos liberdade.

  3. Nikolaievitch Smirnov Sokolov Morozov Popov disse:

    Concessões? NUNCA. Antes a guerra eterna. Comunas no pau.
    Mais do que nunca precisamos repensar as nossa perspectivas de forma a manter um ambiente de liberdade para todos!!!! Pois a liberdade é um direito de todos os seres conscientes!!!!!
    Por onde andas, PRINCESA ISABEL?

    MÉDICOS CUBANOS

    Alexandre Garcia

    Não pensem em correntes. Em algemas. Em porões fétidos. Em gente suja e maltrapilha. Estes são os escravos normalmente libertados das pequenas confecções das grandes cidades, vindos de países miseráveis.

    Agora pense em pessoas vestidas de branco. Com diplomas universitários. Que exibem sorrisos simpáticos e uma grande alegria em servir o próximo, como se estivessem em uma missão humanitária. Estes são os médicos escravos cubanos que o Brasil traficou, cometendo toda a sorte de crimes hediondos contra os direitos humanos, que só republiquetas totalitárias, a exemplo da Venezuela, ousaram cometer.

    E vamos aqui deixar ideologias de lado. E até mesmo as discutíveis competências profissionais. Vamos ser civilizados e falar apenas de pessoas, de seres humanos, de gente.

    O Brasil democrático é signatário de uma dezena de tratados internacionais que protegem os trabalhadores. No entanto, o Governo do PT firmou um convênio com Cuba, um país que está traficando pessoas para fins econômicos. Cuba está vendendo médicos. Cuba utiliza de coerção, que é crime, para que estes escravos de branco sejam enviados, sem escolha, para onde o governo decidir. Isto é crime internacional. Hediondo. Que nivela o Brasil com as piores ditaduras.

    E não venham colocar a Organização Pan Americana de Saúde como escudo protetor destes crimes contra a Humanidade. É uma entidade sabidamente aparelhada por socialistas, mas que, ao que parece, pela primeira vez assume o papel de “gato”, o operador, o intermediário, aquele que aproxima as partes, que fecha o negócio, que “lava” as mãos dos criminosos que agem nas duas pontas. Não há como esconder que o Governo do PT está pagando a Ditadura de Cuba para receber mão de obra em condições análogas à escravidão, como veremos neste post.

    O trabalhador estrangeiro tem, no Brasil, os mesmos direitos de um trabalhador brasileiro. Tem os mesmos ônus e os mesmos bônus. Não é o que acontece neste convênio que configura um verdadeiro tráfico em massa de pessoas de um país para outro. Os escravos cubanos não pagarão Imposto de Renda e INSS. Sobre um salário de R$ 10 mil, deveriam reter mais de R$ 2.700. Pagariam em torno de R$ 400 de INSS. Mas também teriam direito ao FGTS, ao aviso prévio, às férias, ao décimo terceiro salário. Não é o que acontece.

    O escravo cubano não recebe o seu salário. Ele é remetido para um governo de país. É como se este país tivesse vendido laranjas. Charutos. Rum. Ou qualquer commodities. A única coisa que o trabalhador recebe é uma ajuda de custo para tão somente sobreviver no país pois, em condição análoga à escravidão, este médico cubano receberá alojamento e comida das prefeituras municipais. Trabalhará, basicamente, por cama, comida e sem nenhum direito trabalhista.

    Outro crime do qual o Governo do PT é mentor, é idealizador, é fomentador, é financiador, é concordar com as práticas de coerção exercida por Cuba quando vende os seus médicos escravos. O passaporte é retido pela Embaixada de Cuba no Brasil. A família fica em Cuba, sem poder sair do país. O escravo cubano não pode mudar de emprego, pois se o fizer a sua família sofre perseguição. Existe ameaça. Existe abuso de autoridade. Existe abuso de poder econômico. Existe retenção de documento para impedir a livre locomoção. Existe lesão ao Fisco. Sonegação. E, por conseguinte, sendo dinheiro originário de crimes, remessa ilegal de divisas do Governo do PT para a Ditadura de Cuba.

    Este convênio que o Governo do PT está fazendo com Cuba não resiste a uma fiscalização do Ministério do Trabalho e a uma auditoria do Ministério Público. São tantos os crimes cometidos contra a Humanidade e contra os Direitos Humanos que envergonham a todos os brasileiros.

    O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, candidato ao governo de São Paulo, deveria ir a ferros junto com os bandidos mensaleiros do seu partido. A ministra dos Direitos Humanos, Maria o Rosário, está em silêncio obsequioso.

    A partir do momento em que 4.000 cubanos botaram o pé no solo brasileiro, nosso país se transforma num campo de concentração e numa imensa prisão para escravos políticos.

    A nossa Constituição será rasgada, pois:
    Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
    (…) III ? ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante;

    Da mesma forma, o Governo do PT está jogando no lixo o Decreto nº 5.948, de 26 de Outubro de 2006, que trata da Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, que tem definições fundamentais sobre o tema:
    Art. 2°. § 4o A intermediação, promoção ou facilitação do recrutamento, do transporte, da transferência, do alojamento ou do acolhimento de pessoas para fins de exploração também configura tráfico de pessoas.
    Art. 2°. § 5° O tráfico interno de pessoas é aquele realizado dentro de um mesmo Estado-membro da Federação, ou de um Estado-membro para outro, dentro do território nacional.
    Art. 2o. § 6° O tráfico internacional de pessoas é aquele realizado entre Estados distintos.
    Art. 2° § 7o O consentimento dado pela vítima é irrelevante para a configuração do tráfico de pessoas.
    Ou seja: o que determina se existe a escravidão não é o depoimento do escravo, pressionado por dívidas, sem documentos ou tendo a integridade da sua família ameaçada, mas sim o que a sua situação configura, mediante fiscalização.

    Com a importação em massa dos médicos escravos cubanos, os acordos internacionais firmados pelo Brasil contra a escravidão serão derrogados. Não seremos mais uma democracia.

    Se alguém tem alguma dúvida sobre isso, leia o MANUAL DE COMBATE AO TRABALHO EM CONDIÇÕES ANÁLOGAS ÀS DE ESCRAVO, publicado pelo Ministério do Trabalho.

    E sinta vergonha, talvez um pouco de medo, de ser brasileiro.
    Eu desafio o Governo do PT a exigir que o médico cubano tenha em mãos o seu passaporte.
    Eu desafio o Governo do PT a exigir que o médico cubano tenha uma Carteira de Trabalho.
    Eu desafio o Governo do PT a depositar o salário do médico cubano em uma conta pessoal, que lhe garanta livre movimentação.
    Eu desafio o Governo do PT a garantir todos os direitos trabalhistas ao médico cubano.
    Eu desafio o Governo do PT a cumprir a Lei, a Constituição e os Tratados Internacionais.
    ——
    “A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua;
    existem homens presos na rua e livres na prisão.
    É uma questão de consciência.” (Mahatma Ghandi)

    • Ao lidarmos com a alegação de que alguma doutrina antiestado (por exemplo, o anarcocapitalismo) seria perigosa na prática — por causa de seu caráter radical —, é válido apontar o patente radicalismo presente em todas as doutrinas que defendam a existência de um estado.

      Entretanto, apenas isso não basta. Sugerir que o radicalismo per se não é o problema de qualquer doutrina socioeconômica é uma postura válida, porém insuficiente. O que é ainda mais válido é enfatizar que qualquer teoria que defenda a existência de um estado não é apenas radical; é também radicalmente incoerente. Essa é uma descrição bastante adequada para teorias que dizem que:

      1. A única maneira eficaz de se proteger contra a violência, agressão e coerção de terceiros é ajudando a instituir e a sustentar eternamente um vasto aparato que detém o monopólio da violência, da agressão e da coerção institucionalizada.

      2. A única maneira eficaz de se proteger os direitos de propriedade é ajudando a instituir e a sustentar eternamente uma entidade coerciva cujos representantes não apenas não são donos de nenhum dos ativos dessa entidade, como também se arrogam a si próprios o direito de expropriar qualquer proprietário de qualquer propriedade, para propósitos cuja utilidade cabe apenas a eles avaliar.

      3. A economia de livre mercado — cujos participantes, com o intuito de prosperar, têm de ofertar uns aos outros bens e serviços produtivos, assim como têm de sofrer todas as responsabilidades financeiras decorrentes de potenciais fracassos de suas ações — pode sobreviver apenas quando submetida à regulação intensa de um grupo monopolístico formado exclusivamente por pessoas que nada produzem, e que podem sempre jogar os custos de seus fracassos sobre os ombros dos produtores.
      4. A coerção do estado é necessária para fazer cumprir os contratos. Entretanto, o pretenso “contrato social”, aquele que supostamente estabeleceu o estado, curiosamente não precisa de nenhum meta-estado para impô-lo, o que significa que ele na verdade é uma anomalia que se auto-impõe e se faz cumprir.

      5. Os gerentes de qualquer aparato monopolista da compulsão e da agressão são dotados de motivações exclusivamente altruístas. Entretanto, se estas mesmas pessoas parassem de utilizar métodos coercivos (atividade política) e se dedicassem a métodos voluntários (atividade de mercado), seu altruísmo seria imediatamente suplantado pelo egoísmo vil e ganancioso.

      6. Os estados, instituições responsáveis por mais de 200 milhões de mortes cruéis apenas no século XX, supostamente servem para nos oferecer proteção contra “criminosos privados” — os quais, mesmo em sua mais organizada forma de redes mafiosas internacionais, nunca lograram sequer chegar perto da mais ínfima fração do número de mortes causadas pelos estados.

      7. O estado de anarquia entre os indivíduos — sendo que cada um deles pode, em termos gerais, financiar suas atividades apenas com seu próprio bolso — iria levar a uma intolerável escalada da violência e da carnificina, mas o estado de anarquia entre os estados — sendo que cada um deles pode impor os custos de suas atividades (inclusive belicistas) sobre todos os seus súditos — é um arranjo tolerável e relativamente pacífico.

      8. A ausência de um fiscal externo e monopolista que impinge a execução de acordos entre indivíduos iria levar a infindáveis conflitos, porém a ausência desse mesmo fiscal externo e monopolista em relação a vários órgãos do estado não os impede de cooperar eficazmente e até mesmo benevolentemente.

      9. Conceder a tarefa de zelar pela justiça a uma entidade que é ao mesmo tempo monopolista e coerciva não irá fazer com que ela continuamente perverta a justiça a seu favor.

      10. A noção de um sistema de pesos e contrapesos, pelo qual os governantes controlam os governados e os governados controlam os governantes não viola o princípio da navalha de Occam, similar à visão na qual um único grupo de indivíduos autogovernantes mantém-se perfeitamente em equilíbrio pacífico.

      11. Os governados são sábios o bastante para escolher seus governantes, mas não para escolher como utilizar seu próprio dinheiro.

      12. Dois viajantes que se trombarem no meio de uma floresta desabitada não irão imediatamente se atracar e se esganar apenas porque temem serem punidos pelo estado.

      13. Uma instituição que violentamente impõe seus serviços de proteção sobre as pessoas, determina unilateralmente seu preço e exclui toda a concorrência nessa área, não irá tentar criar conflitos para se beneficiar deles, e tampouco irá deixá-los evoluir ao invés de pacificá-los ou mesmo impedi-los de ocorrer.

      14. A expropriação compulsória da propriedade privada de um indivíduo não deve ser considerada uma violação de um direito (considerando-se que haja uma “devida compensação monetária” determinada unilateralmente), porém a recusa de abdicar de uma parcela da riqueza que o indivíduo criou independentemente ou adquiriu contratualmente é uma violação direta, justa e clara de vários direitos.

      15. Os direitos políticos precedem os direitos de propriedade, o que presumivelmente significa que o contrato social supostamente original foi concluído por uma fogueira em uma caverna e escrito na parede da caverna — caso contrário, estar-se-ia dizendo que as condições do mundo pré-contrato, misteriosamente e sem qualquer distribuição de propriedade, permitiram a criação do capital necessário para (pelo menos) abrigar os indivíduos que assinaram o contrato e fornecer-lhes tinta e papel.

      16. Ter uma clientela suficientemente grande transforma aquilo que normalmente seria considerado um roubo em larga escala em algo que é comumente aceito como sendo parte de um serviço social necessário.

      17. Um grupo relativamente pequeno de pessoas é capaz de possuir mais conhecimento e tomar decisões mais informadas e embasadas no que tange o gerenciamento de atividades de qualquer sociedade do que todo o resto da sociedade em questão.

      18. A noção de igualdade perante a lei abre espaço para privilégios funcionais.

      19. O respeito incondicional pelo princípio da não agressão é “absolutista”, mas o respeito incondicional pelas leis criadas pelo estado não é.

      20. A prevalência do estatismo indica a vantagem desse sistema sobre os outros — como se o mesmo não pudesse ter sido dito sobre a astrologia, a escravidão, a perseguição ou difamação de uma pessoa ou de um grupo de pessoas, e a discriminação racial legal.

      21. Cada uma das afirmações acima é solidamente justificada, tanto teórica quanto empiricamente, ao passo que a negação de qualquer uma delas está fundamentalmente além dos limites da integridade e da moralidade de qualquer discussão sensata.

      Tendo enumerado esses (ou outros) argumentos, vale a pena confrontar o estatista com a tarefa de defender a supostamente moderada natureza da doutrina que ele defende. E mesmo que ele aguente a dor de confessar e reconhecer o radicalismo do estatismo, deve-se resolutamente confrontá-lo com outra tarefa igualmente difícil — a de defender a suposta coerência do estatismo. Se ele admitir derrota nessa tarefa também, não devemos ficar intelectualmente surpresos, mas ao menos poderemos nos sentir taticamente satisfeitos.

      • Nikolaievitch Smirnov Sokolov Morozov Popov disse:

        Excelente comentário!
        Esse artigo me resgatou da memória a última cena do Matrix I, que mostra uma tela de computador com um alerta: “Falha no Sistema!”
        Esse ponto destaca a falácia de que as pessoas só não saem matando umas as outras por medo da punição do estado e não por que a esmagadora maioria das pessoas é pacífica. Ou seja, numa localidade remota onde não existe a menor chance de uma patrulha estatal passar pelos próximos anos duas pessoas se encontram e não se matam.
        Mas este exemplo pode ser dado no meio de uma cidade mesmo, pois a chance de um assassino ser punido pela agencia de segurança estatal é absurdamente pequena e mesmo assim a maioria das pessoas convive pacificamente com as outras.
        Socialista se quer sabem o básico de economia, e querem o cerceamento de nossa liberdade juntamente com a miséria causada por esse regime totalitário. Bando de Jumentos. A pergunta que não quer calar. Porque esses socialistas não comentam o que esta ocorrendo com o regime socialista na Ucrânia e Venezuela???????

      • Professor Paulo Ricardo disse:

        Sempre achei meio cretina a formação dos estados. Nunca entendi porque o homem precisava de ter um lugar, uma pátria, se submeter a um governo, com um tipo específico de ideologia. Como nunca entendi porque precisamos de pessoas que se dizem representantes do povo ( outra aberração). Mas acho que estou começando a me acostumar com essas ideias e já vejo até alguma razão para estarmos nessa. Há pessoas,principalmente esses socialistas, e creio que é a maioria, que nasceram para serem mandadas, servis, precisam de se submeter a alguma ordem.

      • Dr Romeine Hack disse:

        Se considerar que pagamos imposto para o estado nos fornecer serviços, e que ele faz isso imoralmente e involuntariamente, e que empresas privadas podem fazer isso voluntariamente, é sim uma coisa incoerente defender a existência dele.
        estado, com “e” minúscula mesmo, é assim que chamamos esta instituição criminosa.
        Ninguém seria obrigado a trabalhar na segurança, seríamos livres para nos defender ou para contratar voluntariamente alguém (ou empresa, entidade etc) para nos defender.
        A partir do momento que fôssemos livres para escolher, selecionaríamos aqueles que acreditamos ser melhores e os piores ficariam sem mercado e iriam falir (os ruins, incompetentes etc saem de cena, e sua capacidade produtiva será realocada onde possam produzir algo realmente útil para a sociedade).
        Você que fabrica ou produz pessoalmente o seu alimento, roupa ou qualquer bem ofertado pelo mercado? Ou você escolhe aquele que considera melhor? Mas você é livre para fazer você mesmo caso não queira o que o mercado produz.
        Assim precisamos ser livres para nos proteger também!
        Precisamos ser livres, tudo é mercado, justiça e segurança é mercado, não pode ser certo aquilo que apenas alguns privilegiados (políticos) consideram correto!
        Quem disse que o estado quer te proteger? Quando você estudar o suficiente saberá que ele quer te escravizar cada vez mais, sem falar em regimes totalitários socialista que querem nos impor essa ideologia assassina, feito os militantes marxistas e partidos como PT, PSOL, PSTU e outras bostas.

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