Carga Horária Docente: uma jornada exaustiva!

A partir da Constituição de 1988, no Brasil, as leis relativas ao trabalho tornaram-se mais flexíveis para compor algumas mudanças estruturais no sistema trabalhista. Mais recentemente, por volta da década de 1990, consolidam-se o fenômeno da globalização e a instalação do Estado neoliberal. Essas modificações também provocaram reformas com relação à reorganização estrutural do trabalho em geral, e, em específico, o trabalho docente. Essas alterações com caráter de flexibilidade na legislação trabalhista ocasionou a precariedade e o desemprego estrutural em vários setores produtivos e a educação, também, foi comprometida. Houve desvalorização salarial, e, com isto, a classe docente do ensino básico e ensino superior teve de intensificar a carga horária para obter salários compatíveis ao padrão de vida social já vivenciado.

O trabalho docente passou, muitas vezes, a ser realizado em duas ou mais instituições de ensino. Daí veio a sobrecarga de trabalho. São horas gastas no percurso entre uma instituição de ensino e outra e as diversas consequências problemáticas disso. Estresse, doenças, depressão, síndromes de pânico, etc.

O docente do ensino superior também se vê trabalhando em mais cargos, tendo o compromisso de exercer atividade extraclasse cada vez mais intensa, seja dentro da instituição de ensino superior ou até mesmo levando várias atividades para o lar. Na instituição de ensino superior, o docente participa de reuniões pedagógicas, administrativas, orientação de trabalhos de alunos, projetos de extensão através de seminários, congressos, projetos sociais em espaços comunitários.

Há uma sobrecarga de atividades acumuladas extraclasse, atualmente realizadas em domicílio, configurando-se um trabalho docente invisível. E curioso é que, muitas vezes, até mesmo o próprio docente não se dá conta de que realiza esse trabalho invisível a mais. Por isso, a classe docente recebe seu salário sem computar a existência de um trabalho extra não pago, o que demonstra que a própria classe se manifesta “inconsciente” dentro da questão profissional, no que se refere aos seus direitos trabalhistas, configurando-se uma atitude alienada. Ser um profissional docente alienado das contradições trabalhistas em que vive gera outras consequências, porque, mesmo em casa, o docente se ocupa com atividades que não é a convivência com a família, sendo que poderia estar livre para o lazer, a cultura, mas ainda continua com a mente ocupada com as atividades profissionais.

Portanto, com essa sobrecarga de trabalho, o docente perde qualidade de vida, e, em data mais longa, isto significa cansaço acumulado e perda de energia para o dia-a-dia profissional. É uma porta aberta para instalar uma doença relativa ao cansaço que nem o próprio profissional docente apresenta consciência do agravamento, pois o desgaste físico, psicológico, entre outras doenças, sinalizam os sintomas, mas na correria do trabalho quotidiano, o professor em uma ocupação intensa de atividades não percebe a “luz vermelha” que acendeu. Com isso, o docente do ensino superior e o docente da escola básica tendem a apresentar resultado deteriorado em sua atuação, sinalizando uma tendência na perda de qualidade profissional.

Por: Zilda Maria Rabelo – Professora – Sind-UTE Uberlândia

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