Manifesto ao CONGRESSO DA CNTE: quanto vale um professor no capitalismo?

Nós, que somos professores em uma sociedade capitalista, costumamos pensar, fruto de nossas ideologias utópicas, que o professor é um trabalhador mágico, detentor de um poder especial chamado SABER que por si só nos colocaria digno de um salário especial. Doce ilusão. No capitalismo não há exceções.

Conforme Marx já decifrou há mais 150 anos na obra O Capital, o valor do salário do trabalhador, pago em uma sociedade capitalista, equivale aos meios de subsistência necessários para tão somente manter viva a própria força de trabalho, ou seja, manter vivo o trabalhador, de forma que este volte a trabalhar no próximo mês, na próxima semana, no próximo dia. É justamente esse valor mínimo salarial pago à FORÇA DE TRABALHO que faz com que os capitalistas explorem mais-valia, tempo de trabalho não pago, aos trabalhadores. Por quê? Porque os trabalhadores produzem muito mais mercadorias do que as que efetivamente cobrem os custos do seu salário.

Diante disso, os governos que simplesmente governam de forma a reproduzir as relações de produção capitalistas não tem qualquer interesse em aumentar o salário dos professores para além dos custos mínimos da mera subsistência. No Brasil, seja nas esferas municipais, estaduais e federais, principalmente quando se trata dos professores da rede pública das escolas de primeiro e segundo graus, o cálculo do valor do salário dos professores não foge à regra do grosso da classe trabalhadora brasileira e mundial, ou seja, basta que essa força de trabalho sobreviva “mal e porcamente”, comprando gêneros básicos de subsistência. O Piso Salarial Nacional dos Professores por uma jornada de trabalho de 40 horas, estabelecido pelo Governo Lula/Dilma para 2014, reflete a concepção ideológica capitalista atribuída ao salário dos professores, calculando-se que R$1.697,00 é o suficiente para manter viva essa mão de obra.

Obviamente, que, na prática, os governos não estão preocupados, de fato, em aumentar o nível de instrução/informação/ciência/cultura/criticidade oferecido na rede pública de ensino. E porque não estão preocupados em elevar o nível de compreensão da classe trabalhadora, um Piso Salarial Nacional no custo raso da sobrevivência é uma forma de manter a força de trabalho ‘professor’ com a moral bem pisoteada/rebaixada/desvalorizada de forma que a profissão não suscite qualquer entusiasmo no sentido de ser um lugar de elevar o nível instrucional/informacional/científico/cultural/crítico dos filhos dos trabalhadores que se matriculam na escola pública.

Acrescente-se a isso, a crescente ‘mediocrização’ planejada referente às condições do trabalho docente, quando os diversos governos criam políticas para referendar aprovações dos estudantes em massa, sem qualquer requisito de SABER, exigindo-se dos professores que simplesmente sejam “vigias disciplinares” dos estudantes dentro dos prédios chamados escolas, ao invés de os governos criarem condições de trabalho e de requisitos que exijam verdadeiros mestres, cada vez mais qualificados, em formação permanente, para que possam fazer a diferença na vida dos alunos, de fato elevando-lhes o nível instrucional/informacional/científico/cultural/crítico, e não simplesmente lhes concedendo diplomas escolares vazios de conteúdo.

Essa ‘mediocrização’ das condições do trabalho docente faz com qualquer um, no mercado capitalista, formado por um curso à distância não presencial e medíocre, possa exercer a profissão de capataz-professor na rede pública, reduzindo ainda mais o valor do professor, já que qualquer um pode ser professor em um ambiente de cultivo de mediocridades, em que o mero controle disciplinar dos corpos dos estudantes é o que mais fica em evidência, “a eterna preocupação com a disciplina”. Não há, na rede de educação básica, qualquer incentivo sério para a formação permanente do professor, via especialização, mestrado, doutorado; muito menos, são criadas condições para que os estudantes de fato elevem seu nível intelectual/ instrucional/informacional/científico/cultural/crítico.

Essa série de fatores faz com que o professor seja simplesmente nivelado como um trabalhador qualquer, já que o sistema apenas lhe exige um trabalho medíocre, abaixo das reais necessidades da profissão ‘professor’. Resultado: nós professores, não importa o ardor militante e a seriedade com que encaremos a profissão do educar, valemos a nossa mera sobrevivência, como a grande maioria da classe trabalhadora sujeita ao modo capitalista de produção.

Só uma luta árdua, consciente, permanente pode dar esperanças contra a precarização do trabalho ‘professor’ em nosso país: os governos de plantão até hoje, infelizmente, já provaram que não vão valorizar a educação. Diante disso, ao Congresso da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), a se realizar em janeiro de 2014, propomos que se incorpore a luta radical por: 1- 10% do PIB para educação já; 2- Piso Salarial Nacional do EDUCADOR, por uma jornada de 20 horas, calculado de acordo com o Salário Mínimo do Dieese, atualmente em torno de R$ 2.761,00; 3- Plano de Carreira Nacional Único para todos os EDUCADORES da Educação Básica de 1º e 2º graus, valorizando o Tempo de Serviço e a Formação Acadêmica Permanente; 4- Abaixo todas as políticas pedagógicas de aprovação automática e de mediocrização do nível do ensino público.

Por: Gílber Martins Duarte – Socialista Livre – Conselheiro do Sind-UTE-MG e diretor da subsede do Sind-UTE em Uberlândia – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais – Doutor em Análise do Discurso/UFU – Membro da CSP-CONLUTAS.

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3 respostas para Manifesto ao CONGRESSO DA CNTE: quanto vale um professor no capitalismo?

  1. Sidnei Marqeusi disse:

    Compactuo plenamente com essas propostas.

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