Acampamento dos educadores BH: escrevendo na rua uma história de resistência!

Neste fim de semana, estivemos acampados no acampamento dos educadores em BH, conforme prevê a forma de revezamento estipulada pelo Sind-UTE/MG. Ali pudemos presenciar a resistência convicta de trabalhadores da educação do setor de serviços gerais; pudemos ver a determinação de pedagogos que lutam por melhores condições de trabalho; pudemos ver a força de professores que mesmo depois de terem trabalhado a semana toda ainda viajaram do interior para contribuir com o acampamento pelo menos no fim de semana, na capital mineira; pudemos ver aposentados de luta que ainda não desistiram do sonho de construir uma educação de qualidade em Minas Gerais e no Brasil; pudemos ver apoiadores de outras categorias que ali passavam para apoiar o movimento.

Nesse acampamento, frente ao Palácio das Mangabeiras, residência oficial do Governo de Minas Gerais, e fazendo vizinhança com as mansões da burguesia de Belo Horizonte, contrastam, com as belas paisagens e as ricas construções, os rostos e as bandeiras de sindicalistas de luta que não desistem nunca. Com banheiros químicos e barracas improvisadas ao relento, expostos aos perigos de uma rua cada vez mais violenta nos antros de um mundo capitalista selvagem, os educadores ali resistem e dão um belo exemplo de determinação e coragem na luta por mudar o mundo.

Nesse fim de semana, só para demonstrar as peripécias de uma luta na rua, apareceu um falso pastor no acampamento querendo tirar o “satanás” daquele lugar, como se quem luta por uma educação melhor tivesse algo de “demônio” no próprio corpo. Uma companheira aposentada, do setor de Serviços Gerais, chegou a ser agredida pelo falso pastor, que, fingindo prática de exorcismo, lhe deu uma gravata com a desculpa esfarrapada de que ela (nossa companheira) estivesse possuída pelo demônio. O falso pastor estava em uma Mercedes, sem placa, e no lugar da placa apenas escrito Jesus e, estranhamente, circulava livremente ali no acampamento, de frente à polícia, acelerando o carro nos arredores do acampamento, e a polícia achou a coisa mais “normal e natural” do mundo esse falso pastor andar em um carro sem placa, já que, no caso, o objetivo do falso pastor parecia ser provocar desestabilização emocional no acampamento. Contudo, mesmo assim, mesmo com todas as peripécias de uma luta na rua, os educadores resistiram às provocações “dos agentes da repressão possivelmente disfarçados de falso pastor” e não abateram o ânimo e seguem ali acampados, resistindo aos desmandos do Governo Anastasia/Aécio Neves.

Tive a oportunidade, nesse fim de semana no acampamento, de realizar uma palestra-debate em que abordamos a necessidade de se apropriar teoricamente dos conceitos da Análise Materialista do Discurso para construirmos uma Educação Crítica, educação, esta, a serviço da luta pela transformação do mundo e não uma mera educação coadjuvante da reprodução ideológica das relações de produção. O auge do debate se deu quando abordamos o conceito de como funciona a NATURALIZAÇÃO DAS PRÁTICAS ECONÔMICO-IDEOLÓGICO-JURÍDICO-SÓCIO-DISCURSIVAS. De posse desse conceito, a maioria dos presentes começou a analisar discursos que passaram a ser considerados NATURAIS no interior da escola pública de Minas Gerais, justamente para depreciar e desacreditar a possibilidade de construir uma educação crítica e transformadora nesse espaço, gerando acomodação dos sujeitos educadores, ao invés de força desses sujeitos educadores para que possam enfrentar os diversos inimigos de uma escola pública, gratuita, crítica e de qualidade.

Os presentes na palestra-debate puderam assim constatar que a Análise do Discurso Marxista é um instrumento teórico muito eficaz enquanto elemento de leitura crítica para os educadores desconfiarem das várias práticas sociais que circulam discursivamente como se fossem verdades incontestes, mas que, no fundo, merecem toda nossa avaliação crítica. Nada deve ser considerado “NATURAL”, em temos de práticas econômico-jurídico-ideológico-sócio-discursivas, esse foi o recado, todas essas práticas que são, muitas vezes, tidas como naturais, eternas, legítimas e inquestionáveis, no fundo, são construídas e servem ou a reprodução ou a transformação das relações de produção. Portanto, devemos estar sempre atentos e lutando contra as práticas atrasadas, a serviço da manutenção do status quo, explorador e opressor. Dia 26 de setembro temos Paralisação Estadual e Assembleia Estadual do Sind-UTE/MG no acampamento. O objetivo é pararmos para avaliarmos os próximos passos da nossa luta. Ajude você também a escrever essa história de resistência dos educadores mineiros.

Por: Gílber Martins Duarte – Socialista Livre – Conselheiro do Sind-UTE / MG e diretor da subsede do Sind-UTE em Uberlândia – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais – Doutorando em Análise do Discurso/UFU – Membro da CSP-CONLUTAS.

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Uma resposta para Acampamento dos educadores BH: escrevendo na rua uma história de resistência!

  1. ALLYNE disse:

    MUITO BEM PROFESSOR!

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