A humilhação sistêmica aos sem-teto: até quando?

Hoje, 16-09-2013, mais uma vez, mais de 400 trabalhadores sem-teto tentaram ocupar a prefeitura para exigir construção de moradias populares em um terreno da Zona Sul de São Paulo. Obviamente, essa é mais uma luta específica dos sem-teto deste país que merece todo nosso apoio e nossa solidariedade, ao invés de spray de pimenta como fez a guarda municipal da capital paulista ou mesmo como sempre faz a polícia e os governos com as brutais expulsões-desocupações de sem-teto que são realizadas para salvaguardar terrenos urbanos de empresários que fazem especulação imobiliária. Fica, portanto, a pergunta: até quando os trabalhadores desse país não terão direito ao mínimo de dignidade que é uma casa para morar? Até quando os sem-teto serão tratados com tamanha humilhação?

Enquanto milionários exibem sua mansões para a “high society”; enquanto os ricos possuem latifúndios e casas imensas, ostentando luxos desnecessários para tão poucas pessoas; enquanto milhares de pessoas aumentam suas rendas através do aluguel de imóveis, inclusive moradias populares, como se esse fosse o negócio mais natural e legítimo do mundo; enquanto a indústria da construção civil a cada dia mais se esmera na construção de casas com modernas tecnologias; enfim, enquanto, no país, uma parcela da população vive na opulência de moradias, é lamentável que ainda uma parte da população não possua sequer um teto digno para morar.

Onde está sendo investido o dinheiro público que nunca se resolve a questão da moradia nesse país? Ora, sabemos que, atualmente, 40% do PIB da nação vão para o eterno pagamento das dívidas internas e externas resignadamente pagas pela subserviência dos sucessivos governos brasileiros. Mas os sem-teto, ah, estes, são tratados como bandidos pelo Estado Burguês, enquanto os banqueiros levam as grandes fatias das riquezas produzidas no país. Necessária e legítima essa prática dos governantes?

Outro problema: muitas vezes é difícil a sociedade se sensibilizar com a vida difícil dos sem casa, pois a ideologia capitalista impregna a falsa explicação de que as pessoas não têm casas, porque elas não se esforçaram o bastante para tê-las, ou seja, no capitalismo, eterniza-se o discurso de que a falta de casa é culpa dos próprios trabalhadores. Ora, desconfiemos dessas mentiras propagadas pela classe dominante e pelo senso comum. Até quando, será visto com naturalidade o fato de uma parte da humanidade ser tratada como ratos ou como baratas que devem viver encostados em habitats alheios, sempre passíveis de serem expulsas a “chineladas” pelos “donos” dos imóveis?

Moradia deveria ser um direito universal e toda família deveria ser protegida pelo Estado, recebendo, no mínimo, uma moradia digna para viver. Isso é o mínimo que uma sociedade que se pretendesse civilizada deveria providenciar. Mas, infelizmente, não é essa a realidade no capitalismo: nesse sistema ainda se acha normal, natural, legítimo que pessoas vivam como animais, jogadas ao relento, sem direito a um teto. Nem as formigas, nem os morcegos, nem os ratos, nem as abelhas são tão pouco solidários, em termos de compartilhar suas tocas, como a ideologia-jurídica do sistema capitalista. No capitalismo, se as pessoas são sem-teto, isso não é um considerado um problema social grave, urgente, inadmissível. Abaixo a humilhação promovida pelo capitalismo. Moradia digna para todo ser humano!

Por: Gílber Martins Duarte – Socialista Livre – Conselheiro do Sind-UTE / MG e diretor da subsede do Sind-UTE em Uberlândia – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais – Doutorando em Análise do Discurso/UFU – Membro da CSP-CONLUTAS.

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