Por que discordo da condenação que o Papa faz ao prazer?

Dentre outras condenações, o Papa, em seus discursos, também criticou a busca dos jovens pelos prazeres. Ora, condenar o prazer fará a juventude e o mundo mais feliz? Segundo nossa concepção e nossa experiência, não. Essa tese que condena o prazer da juventude, no fundo, é contra a vida, como se a vida fosse proibida.

Todo ser humano precisa de liberdade para experimentar a própria vida, inclusive experimentar os prazeres, só assim poderá dar um salto para a plenitude. Mas as igrejas, de um modo geral, infelizmente, em sua ideologia de conquistar cada vez mais seguidores, proíbem o prazer, pois, no fundo, não querem que as pessoas, por si mesmas, deem um salto para a verdadeira plenitude: isso tornaria as pessoas mais livres e rebeldes em relação a qualquer forma de escravidão e também em relação a qualquer forma de seguidismo. Os seres repletos de plenitude são felizes aqui e agora e não ficam esperando por uma felicidade apenas no além-túmulo. Conhecer a si mesmo e cuidar de si mesmo são conquistas de seres livres, não de seres seguidores. E somente para os livres a vida se torna inédita e uma poesia a cada dia.

Experimentar a vida é a mais profunda experiência, a mais profunda escola, formando consciências autênticas, não consciências doutrinadas por x ou y ideologia. Portanto, é para impedir a liberdade de ser dos jovens e das pessoas de um modo geral que os chefes das igrejas, inclusive o Papa, condenam o sexo, condenam a contracepção, condenam a homossexualidade, condenam a liberdade sexual, como se viver os prazeres do corpo fosse um pecado. O sexo, tão condenado pelos chefes das igrejas, é uma força vital que força a vida a se interagir. Se condenarmos a expressão sexual dos jovens e das pessoas, com toda certeza estará condenada também a possibilidade do amor maior. O amor maior não é uma obrigação moral, é uma gentileza interior que cresce na interação com os outros, vindo de pessoas felizes. E pessoas que não experimentam os prazeres da vida não podem ser felizes plenamente, porque suas vidas são medrosas, foram criados sob a ideologia do medo e do pecado, logo não podem amar plenamente: o amor dos infelizes é um amor obrigatório, ordenado pelo santo, não é um amor humano que brota de dentro, não é uma generosidade real com o seu próximo. É uma mera expressão de carência, cumprindo um ritual, em busca de reconhecimento.

Nossa tese é contra a tese do Papa. A vida não cresce debaixo de repressão. Orientados por forças repressoras, crescem apenas as depressões e as escravidões de alma, não crescem seres humanos plenos. A vida só floresce em liberdade. Mas a liberdade, inclusive a liberdade afetivo-sexual, é uma prática perigosa para os chefes das religiões que não são libertárias. A vivência do prazer é a primeira porta para a liberdade, por isso, intuitivamente, os supostos santos temem tanto o prazer, porque isso liberta o ser humano, criando o verdadeiro desejo de religar com os outros e com o universo, em uma autêntica religião, livre de chefes religiosos e de gurus. Não é que o ser humano que se permite viver o prazer se tornará um escravo dos prazeres. Essa tese é falsa, é própria de quem passou a vida sufocando a própria vida e que não conhece nada de como funciona o prazer. Ao contrário, quando se permite viver os prazeres do corpo, o ser humano obrigatoriamente vai querer procurar por mais, já que os prazeres são simples sensações temporárias.

Porém, o fascínio dos prazeres não será superado, se o ser humano for impedido de vivenciá-los. Apenas vivenciando que os prazeres não são tudo na vida é que o ser humano vai querer buscar a religiosidade autêntica, não a religiosidade emprestada de segunda mão. Vai querer a religiosidade que religa o ser com o mistério da vida. A verdadeira paz interior e o verdadeiro encanto com o mistério da vida não brota da repressão, brota da experiência plena da vida. Quando os prazeres da vida material são todos vividos, relaxando a busca afoita do ser, o ser humano começa perguntar e procurar por mais: quem sou eu? O que é a verdadeira paz? O que é o amor universal? O que é a vida? Qual é o mistério dessa existência? Como posso fazer de minha vida uma obra de arte? O que é matar? Quem é meu próximo? Quem são os ditos animais, plantas? De onde vêm as estrelas e a imensidão vazia do universo?

Mas não: a igreja conquistadora de seguidores é contra viver a vida e, sendo contra viver os prazeres da vida, mata a curiosidade das pessoas sobre a realidade profunda do SER, dando-lhe uma crença de segunda mão para acreditar. Os seres humanos reprimidos matam suas buscas pelo mistério da vida, porque são proibidos de viver a vida. Trata-se de um obscurantismo cultivado por uma ideologia que ainda não se deu conta de que nosso destino é ser livre, é ser socialmente solidário, é ser generoso uns com os outros, é ser amoroso com toda a existência, é ser ligado com o mistério do existir, é ser a favor da vida plena. Mais uma vez, mesmo sabendo que não serei amado pelas multidões, já que estou discordando da tese do Papa, não posso esconder essa concepção libertária de um Socialista Livre.

Por: Gílber Martins Duarte – Socialista Livre – Conselheiro do Sindute-MG e diretor da subsede do Sindute em Uberlândia – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais – Doutorando em Análise do Discurso/UFU – Membro da CSP-CONLUTAS.

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Sobre socialistalivre

Esse Blog está a serviço da Luta pelo Socialismo. Defendemos a plena liberdade do ser humano, mas somos radicalmente contra a liberdade de explorar, como a burguesia faz, e contra a liberdade de oprimir como os machistas fazem, os racistas fazem, os homofóbicos fazem, os praticantes de bullying fazem, os preconceituosos fazem, os possessivos fazem e os autoritários de plantão fazem. Assim, defendemos que cada corpo-consciência deve ter liberdade de ser o que ESCOLHE SER, desde que esta liberdade não oprima e explore os outros! Defendemos a plena liberdade de postura crítica e a plena democracia operária, todos devem ter o direito de expressar o que pensam! Defendemos a Revolução Socialista e a necessidade de libertação da classe trabalhadora do jugo do capitalismo. No entanto,somos contra comandos de hierarquias políticas ou de figuras públicas mais poderosas no seio dos lutadores que travam a batalha pelo socialismo. Defendemos que cada militante deve ousar pensar por si mesmo, cada militante deve ter o direito de concordar, mas também de discordar daquilo que julga equivocado, por isso nos definimos como Socialistas Livres e esse Blog está a serviço dos que desejam militar de acordo com essa concepção. Convidamos a todos a conhecerem nosso jeito diferente de entender e de praticar a política socialista, com liberdade, democracia operária, direito de crítica e respeito ao diferente. Saudações Socialistas Livres.
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5 respostas para Por que discordo da condenação que o Papa faz ao prazer?

  1. Gladimir disse:

    AS PALAVRAS PURAMENTE RELIGIOSAS E DE FÉ DO PAPA FRANCISCO
    Um Papa conservador, graças a Deus, com sorriso doce e ações extrovertidas.

    Cada vez que ouço o Papa Francisco, sinto uma profunda alegria.

    Suas palavras são suavemente fortes, com o perdão pelo paradoxo.
    Palavras diretas e que tocam os nossos corações.
    Ele fala de forma simples, carinhosa, mas firme.
    Quem fala em ruptura, mudança radical, revolução, não sabe o que fala.
    Salvo a forma, não há diferença alguma entre Bento XVI e Francisco, graças a Deus.
    A doutrina invulgar de Bento XVI ganha um colorido mais afetuoso nas palavras e gestos de Francisco. Os dois, juntos, dignificam as boas obras do Beato João Paulo II.
    O Papa na sua visita ao Brasil por conta da JMJ falou apenas de temas religiosos, com ligeira textura social em alguns e oportunos momentos.
    Falou de fé, de esperança, de redenção, de abrir o coração para Deus, de seguir o caminho iluminado pela Igreja, de confiar na intercessão de Maria; falou, acima de tudo, de Jesus.
    Aliás, num mundo contaminado pelo relativismo moral, por uma cultura agnóstica e que exige a supressão de Deus ou, ao menos, o fim de bandeiras de fé muito específicas, tudo ao sabor de uma abominável nova ordem mundial, o Papa ousa falar e falar com entusiasmo de Jesus.
    Mesmo quando fez uso de algum elemento social em sua fala, o Papa foi delicado e essencialmente religioso, rogando aos que têm posses e poderes um olhar mais solidário aos menos favorecidos.
    Ele que abraçou o carinho aos pobres e a humildade extrema como ícones do seu pontificado não fez nenhum discurso político-incendiário, mas se limitou, com grandeza, a tratar da fé e a incentivar todos a agirem com o coração de Deus.
    Imagino como os arautos de um anacrônico e quimérico socialismo-cristão estão se sentindo. Eles que odiavam o magno e incomparável Bento XVI e, erradamente, imersos numa ignorância potencializada pela maldade, viram em Francisco uma espécie de Che Guevara Papal, devem estar roendo as entranhas.
    Imagino o bufônico (uso este adjetivo para não escrever o que realmente penso) Leonardo Boff, neo-herege, excomungado, ídolo de barro dos enlameados do mundo, atônito porque o Papa Francisco é uma versão extrovertida do Papa Bento, um homem avesso ao formalismo, um homem carismático, mas absolutamente sério, conservador, compromissado nas coisas da fé.
    Imagino os inimigos da santa Igreja, internos e externos, aterrorizados porque num mundo midiático, mundo contaminado de sensibilidades, mundo não preparado para alguém com a envergadura de Bento XVI, nada melhor que um Papa como Francisco, capaz de dar uma nova roupagem as coisas da fé, lutar contra o mal, e fortalecer a Igreja ainda mais. Repito: Francisco, com sua marca pessoal, seu carisma singular, é Bento XVI extrovertido. O que quero dizer com isso? Simples, ele, Francisco, tem a mesma seriedade e linha de pensamento de Bento XVI, apenas se mostra mais próximo ao povo, mais festivo, mais confortável com a linguagem midiática e que agrada as massas (sem, com isso, tergiversar valor algum).
    E minha comparação não é fruto de um amor sem igual à Bento XVI, mas fundamentada em fatos concretos, na forma com que Francisco conduziu os primeiros cem dias do seu Pontificado. Não à toa, a primeira encíclica de Francisco foi escrita ao lado de Bento XVI.
    Mais do que nunca, experimento a máxima absoluta: DEUS SABE O QUE FAZ.
    Só não vê o Papa Francisco como um homem disposto a manter a tradição da Igreja, a doutrina e a fé quem não quer ou quem tem muita maldade no coração. A única reforma que Francisco promoverá é a estrutural, a fim de manter a barca da Igreja no rumo certo.

  2. Léo disse:

    Por que razão os Socialista que se dizem “Livres” agem assim, contra o capital? Primeira, o desconhecimento. Mais especificamente, o desconhecimento teórico de como funcionam os processos de mercado. Os socialistas normalmente são egocêntricos e tendem a se dar muito importância; eles genuinamente creem que são estudiosos profundos dos assuntos sociais. Porém, a maioria é profundamente ignorante em relação a tudo o que diz respeito à ciência econômica.A segunda razão, a soberba. Mais especificamente, a soberba do falso racionalista. O Socialista genuinamente acredita que é mais culto e que sabe muito mais do que o resto de seus concidadãos, seja porque fez vários cursos universitários ou porque se vê como uma pessoa refinada que leu muitos livros ou porque participa de muitas conferências ou porque já recebeu alguns prêmios. Em suma, ele se crê uma pessoa mais inteligente e muito mais preparada do que o restante da humanidade. Por agirem assim, tendem a cair no pecado fatal da arrogância ou da soberba com muita facilidade. Chegam, inclusive, ao ponto de pensar que sabem mais do que nós mesmos sobre o que devemos fazer e como devemos agir. Creem genuinamente que estão legitimados a decidir o que temos de fazer. Riem dos cidadãos de ideias mais simplórias e mais práticas. É uma ofensa à sua fina sensibilidade assistir à televisão. Abominam anúncios comerciais. De alguma forma se escandalizam com a falta de cultura (na concepção deles) de toda a população. E, de seus pedestais, se colocam a pontificar e a criticar tudo o que fazemos porque se creem moral e intelectualmente acima de tudo e todos.

    E, no entanto, como dito, eles sabem muito pouco sobre o mundo real. E isso é um perigo. Por trás de cada socialista livre há um ditador em potencial. Qualquer descuido da sociedade e tais pessoas cairão na tentação de se arrogarem a si próprias plenos poderes políticos para impor a toda a população seus peculiares pontos de vista, os quais eles, os comunistas, consideram ser os melhores, os mais refinados e os mais cultos. É justamente por causa desta ignorância, desta arrogância fatal de pensar que sabem mais do que nós todos, que são mais cultos e refinados, que não devemos estranhar o fato de que, por trás de cada grande ditador da história, por trás de cada Hitler e Stalin, sempre houve um corte de socialistas livres aduladores que se apressaram e se esforçaram para lhes conferir base e legitimidade do ponto de vista ideológico, cultural e filosófico. E a terceira e extremamente importante razão, o ressentimento e a inveja. O socialista é geralmente uma pessoa profundamente ressentida. O socialista intelectual se encontra em uma situação de mercado muito incômoda: na maior parte das circunstâncias, ele percebe que o valor de mercado que ele gera ao processo produtivo da economia é bastante pequeno. Apenas pense nisso: você estudou durante vários anos, passou vários maus bocados, teve de fazer o grande sacrifício de emigrar para Paris, passou boa parte da sua vida pintando quadros aos quais poucas pessoas dão valor e ainda menos pessoas se dispõem a comprá-los. Você se torna um ressentido. Há algo de muito podre na sociedade capitalista quando as pessoas não valorizam como deve os seus esforços, os seus belos quadros, os seus profundos poemas, os seus refinados artigos e seus geniais romances. Mesmo aqueles socialistas intelectuais que conseguem obter sucesso e prestígio no mercado capitalista nunca estão satisfeitos com o que lhes pagam. O raciocínio é sempre o mesmo: “Levando em conta tudo o que faço como intelectual, sobretudo levando em conta toda a miséria moral que me rodeia, meu trabalho e meu esforço não são devidamente reconhecidos e remunerados. Não posso aceitar, como socialista intelectual de prestígio que sou, que um ignorante, um parvo, um inculto empresário ganhe 10 ou 100 vezes mais do que eu simplesmente por estar vendendo qualquer coisa absurda, como carne bovina, sapatos ou barbeadores em um mercado voltado para satisfazer os desejos artificiais das massas incultas.”

    “Essa é uma sociedade injusta”, prossegue o socialista intelectual. “A nós socialistas intelectuais não é pago o que valemos, ao passo que qualquer ignóbil que se dedica a produzir algo demandado pelas massas incultas ganha 100 ou 200 vezes mais do que eu”. Ressentimento e inveja. Conclusão

    Somos humanos, meus caros. Se ao ressentimento e à inveja acrescentamos a soberba e a ignorância, não há por que estranhar que a corte de homens e mulheres do cinema, da televisão, da literatura e das universidades — considerando as possíveis exceções — sempre atue de maneira cega, obtusa e tendenciosa em relação ao processo empreendedorial de mercado, que seja profundamente anticapitalista e sempre se apresente como porta-voz do socialismo, do controle do modo de vida da população e da redistribuição de renda. VAI PARA CUBA, LÁ VC VAI SER FELIZ.

  3. Léo disse:

    Cale-se, Mané, e acorde da sua
    indolência,
    inconsciência,
    e a auto-indulgência.
    Antes de falar do Papa, vai fazer caridade, deixa de querer ser vampiro do estado e retardado.

  4. Léo disse:

    Cale-se, Mané, e acorde da sua
    indolência,
    inconsciência,
    e a auto-indulgência.
    Antes de criticar, tenta fazer melhor.

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