Mais-valia: o roubo legitimado do trabalho não pago!

A mais-valia, como demonstrou Marx, em O Capital, é o mesmo que uma parcela de tempo de trabalho não pago ao trabalhador, ou seja, o burguês somente obtém mais-valia (em linguagem comum, mais-dinheiro) por intermédio da exploração do tempo de trabalho não pago ao trabalhador. Em palavras mais críticas, diríamos, a mais-valia é o roubo legitimado do tempo de trabalho não pago ao trabalhador. Por que roubo? Porque essa apropriação do tempo de trabalho não pago ao trabalhador não se faz, às claras, ao contrário, se faz, às escondidas, no interior das fábricas e empresas. Por que roubo legitimado? Porque nenhum burguês ou empresário vai preso por enganar o trabalhador no intuito de obter mais-valia, mais-dinheiro, ao contrário, a lei diz que é legítimo o que a burguesia faz, é legítimo o jeito de a burguesia aumentar seu dinheiro, apropriando-se do trabalho não pago ao trabalhador.

Como esse roubo legitimado acontece? Um exemplo. O burguês contrata um dia de trabalho do trabalhador, oito horas, e faz esse mesmo trabalhador trabalhar essas oito horas por dia produzindo mercadorias para esse mesmo burguês na fábrica. No final do processo de um dia de trabalho de oito horas, vendendo as mercadorias feitas pelo trabalhador nesse um dia de trabalho, o burguês: 1- retira de volta o dinheiro investido nas matérias primas usadas na produção dessas mercadorias feitas pelo trabalhador nesse um dia de trabalho; 2- retira o dinheiro investido no desgaste e no funcionamento das máquinas repassado para as mercadorias produzidas nesse um dia de trabalho; 3- retira o dinheiro dos impostos cobrados às mercadorias feitas nesse um dia de trabalho; 4- retira o dinheiro investido na infraestrutura (aluguel, energia, limpeza, etc) da fábrica nesse um dia de trabalho; 5- retira o dinheiro equivalente ao salário do trabalhador nesse um dia de trabalho.

Onde fica a mais-valia, o mais-dinheiro obtido com a produção de mercadorias nesse um dia de trabalho de oito horas? Onde fica o roubo legitimado do tempo de trabalho não pago ao trabalhador? Todo o investimento em infraestrutura da fábrica, máquinas, matérias primas, impostos (capital constante, como diria Marx) é repassado para o valor final das mercadorias produzidas nesse um dia de trabalho e isso não dá lucro para o burguês, ou seja, não gera mais-valia, não gera mais-dinheiro. Se o burguês investiu R$500,00 nesse capital constante (máquinas, infraestrutura, matérias primas, etc), estes R$500,00 serão repassados para o valor final das mercadorias produzidas nesse um dia de trabalho de oito horas. Só uma coisa, então, gera mais-valia e consequentemente mais-dinheiro na venda final das mercadorias produzidas nesse um dia de trabalho de oito horas e é justamente o fato de que o salário do trabalhador não é equivalente à totalidade das oito horas trabalhadas por ele nesse um dia de trabalho.

Na prática, por exemplo, pode ser para mais ou para menos esse cálculo, a depender da empresa e da luta de classes travada nessa empresa (o sindicato é forte ou fraco? ou nem tem sindicato?), enfim, vamos supor que com três horas de trabalho o trabalhador faria as mercadorias suficientes para pagar o seu próprio salário nesse um dia de trabalho de oito horas, descontando aí os impostos, o desgaste da máquina, a matéria prima, etc, repassados para as mercadorias produzidas nessas três horas de trabalho. O que isso significa? Que no contrato de trabalho fica escondido o fato de que nas outras cinco horas de trabalho restantes, das quais não se descontará o salário, pois o mesmo já foi pago com as primeiras três horas de trabalho, então, nessas cinco horas de trabalho restantes o trabalhador produzirá mercadorias gratuitamente para o burguês, isto é, trabalhará de graça.

O burguês, portanto, usando do contrato de trabalho, que é legitimado, que é legal, segundo a lógica econômica capitalista, descobriu um jeito de obter mais-valia / mais-dinheiro com o seu negócio: basta roubar escondido e legalmente cinco horas de trabalho do trabalhador e vender as mercadorias feitas gratuitamente por esse trabalhador nessas cinco horas de trabalho gratuito que sua esperteza burguesa vai ser lucrativa. Sua mais-valia, seu mais-dinheiro obtido na venda das mercadorias feitas nesse um dia de trabalho de oito horas está exatamente nas cinco horas de trabalho não pago. Sendo a apropriação desse trabalho não pago um processo que se dá às escondidas do trabalhador, aproveitando-se da sua necessidade de sobreviver, trata-se de um roubo, mas um roubo legitimado e naturalizado pelas leis burguesas.

O peixe morde o anzol, porque tem fome, isso é fato, pois não sabe o peixe que por trás da isca está o seu assassino, o pescador, que quer devorar-lhe a carne. Fazendo um paralelo, o mesmo se dá com o trabalhador que não sabe que sob a isca do salário que aparentemente garante a sua sobrevivência também existe uma farpa escondida de seu explorador que lhe oferecendo a isca da sobrevivência, o salário, no fundo, quer-se roubar seu tempo de vida em forma de trabalho não pago, com vistas a obter mais-dinheiro.

O peixe de verdade, perante a isca, se fosse um ser social pensante, ainda poderia caçar e comer outras coisas no rio ou no mar, fugindo da isca que tem escondida, dentro de si, um anzol. O trabalhador, porém, no capitalismo, separado da possibilidade de sobreviver junto à mãe natureza, junto à mãe terra, como os indígenas de antigamente, pois de junto da terra e de junto da natureza o trabalhador fora expulso pelas classes poderosas, ladronas de terras, jagunços, assassinos, grileiros, latifundiários, e isso num longo e sangrento processo histórico de luta de classes, enfim, diferente do peixe, o trabalhador não tem sequer a alternativa de fugir da isca do salário que traz escondida dentro de si a exploração, o roubo… ou seja, o trabalhador não pode ir sobreviver em outro lugar na natureza, foi expulso da terra, está aglomerado nas cidades, logo, tem de necessariamente morder a isca oferecida pelo capitalista e por tabela morder o anzol de seu explorador ou daquele que rouba parte de seu tempo de trabalho, o burguês.

Mas, atenção, no capitalismo essa exploração do trabalhador não pode sequer ser chamada de roubo. A burguesia sequer admite que esse trabalho não pago seja uma exploração. O patrão acha que é justo ganhar dinheiro não pagando a totalidade do tempo de trabalho ao trabalhador, porque ele se julga o dono da fábrica. Mas a burguesia também esconde o fato de que sua fábrica também não nascera uma grande fábrica. Tornou-se uma fábrica desenvolvida à medida que se contrataram trabalhadores e, roubando o tempo de trabalho não pago a esses trabalhadores, esta mesma fábrica ou empresa foi se tornando cada vez mais lucrativa. Portanto, é claro que o patrão aproveita do fato de que o trabalhador não tem dinheiro e de que precisa sobreviver para forçá-lo a morder a isca do contrato de trabalho baseado no salário que é calculado de modo que reste uma parcela de trabalho não pago para dar mais-valia / mais-dinheiro ao patrão.

Assim, não há outra alternativa para o trabalhador, dentro do capitalismo, a não ser aceitar um contrato de trabalho que rouba uma parcela de seu tempo de vida para enriquecer o burguês. A mais-valia é, portanto, um roubo legalizado e legitimado do tempo de trabalho do trabalhador, trabalho que é a fonte de produção das riquezas do mundo e que, no caso, gera mercadorias gratuitamente para o patrão: vendidas essas mercadorias, os burgueses, às escondidas, se enriquecem em cima do suor do trabalhador. Todavia mesmo quando o trabalhador, organizado em sindicatos, descobre esse roubo, não é possível fazer muita coisa sob a lógica do Estado Burguês, porque, nesse Estado Burguês, esse roubo é legitimado, legalizado, naturalizado, colocado como inevitável para o bom funcionamento do mundo. A IDEOLOGIA BURGUESA faz parecer que esse roubo é necessário.

A saída do trabalhador, então, sob a luz do marxismo, e segundo visualizamos, está em fazer a Revolução Socialista Livre e por fim ao modo de produção capitalista que se baseia na exploração, na opressão e no roubo. Como? Estatizando os meios de produção e colocando-os para gerar riquezas para atender as necessidades de toda a classe trabalhadora e não para enriquecer, através da exploração e do roubo, uma classe dominante minoritária. Procurar entender as descobertas de O Capital de Marx é uma NECESSIDADE da classe trabalhadora que precisa libertar-se. Se esse texto o incentivou a fazê-lo, cumprimos nosso objetivo. Viva o Socialismo Livre.

Por: Gílber Martins Duarte – Socialista Livre – Conselheiro do Sindute-MG e diretor da subsede do Sindute em Uberlândia – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais – Doutorando em Análise do Discurso/UFU – Membro da CSP-CONLUTAS.

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7 respostas para Mais-valia: o roubo legitimado do trabalho não pago!

  1. sergio antigo disse:

    E a mais valia estatal, legal e poderosa, dos impostos pagos pela população e o fraco retorno dos serviços pelo estado, que usa desta diferença (mais valia?) para cobrior de vantagens certos segmentos do funcionalismo, muitos dos quais atrelados e sorridentes com sindicalistas, jornalistas etc. O que é pior: burguesia ou nomeclatura?

  2. Helio Alves disse:

    Nunca li tanta bobagem, já fiz todos s cálculos da engenharia e os apresentados aqui não fazem nenhum sentido…

  3. Fernandes disse:

    so um idiota escreveria tanta besteira de uma so vez. Coloque um monte de gente para trabalhar para você, arque com toda carga de despesas incluindo a tributaria e no final de tudo aos seus funcionários, sem ficar com coisa alguma. Por quanto tempo você sobreviveria. Idiota é pouco.

    • Beatriz disse:

      Fernandes, esse Gílber não é um idiota, ele é um retardado mental profundo,ele tem restrições significativas em várias áreas de habilidades adaptativas (comunicação, auto-cuidados, vida doméstica, habilidades sociais, relacionamento interpessoal, auto-suficiência, habilidades acadêmicas e para o trabalho, lazer, saúde, segurança, relação comunitária); um QI de 70 ou menos.

      • Dr. Wilson Smith disse:

        Psicopatas partidários MARXISTAS
        Um psicopata é todo indivíduo que tem uma desordem de personalidade. O que caracteriza um psicopata pelo comportamento extremamente antissocial, ocasionado principalmente por remorso e baixo controle comportamental ou tem uma dominância desmedida. Essas são características de uma pessoa doente, que não é normal na sociedade que precisa de tratamentos. Não irei citar nome de Partidos e nem de políticos, mas não precisarei desse fardo, pois a carapuça servirá a estes psicopatas partidários.
        Não é de hoje, sempre ocorre os mesmos fatos quando ocorre algum escândalo de um determinado partido brasileiro, mas as últimas notícias que envolvem a política como tema principal nos meios de comunicação isso veio à tona novamente. Basta um político de um tal partido ser desmascarado começa o chilique daqueles que faltam sanidade, daí surgem a pilherias do tipo que toda a mídia é manipulada, seguido de adjetivos que todos contrários ao seu pensamento são fascistas e burgueses. Ora, a mídia só se torna manipulada quando não lhe convém, pois existe revistas, jornais e até programas televisivos que omitem os fatos e os seguidores do tal partido se enche de orgulho, colocando ali como uma verdade absoluta. Sobre os fascistas, burgueses e tucanos, a cartilha deles é clara, o mundo é dualista. Fascistas são os contrários aos seus pensamentos, os burgueses, além de se oporem a eles, são sempre mais abastados que os signatário do partido em questão, o animal afrodisíaco é em referência a um partido dito de direito, ou você segue o tal partido ou é da oposição partidária, como se a nossa política fosse Bipartidária.
        Tem político ladrão, corrupto, desonesto sendo preso outros não. Mas, as últimas notícias, mostram a realidade de alguns cidadãos. Tratar pessoas que tirou dinheiro público para proveito de si, enquanto sabemos que tem tanta gente passando fome no nosso sertão ou nas nossas cidades, porque os recursos não chega, tais defensores desses canalhas é cúmplice das atrocidades cometida por tais corruptos. Diria que na visão desses defensores dos ladrões é que esses heróis não são heróis, mas semideuses. Porque um herói é passível de crítica, mas um semideus NÃO. Um herói tem pontos fracos, os semideuses NÃO. Portanto, se viu através da atitude de algumas pessoas contrariando o óbvio, como se os demais fossem uma espécie de herege que deve ser punido com xingamentos e serem rechaçados de alguma forma inclusive por agressões, sejam físicas ou morais.
        Voltando ao termo psicopata, tais pessoas que agem de forma agressiva como se viu no decorrer nas últimas décadas e se viu nas últimas horas, mostra claramente o quanto esse seguidores partidários tem uma desordem de personalidade e demonstram serem totalmente antissociais, pois o mundo deve ser apenas daqueles que compactuem de seus ideias. O remorso e o baixo controle emocional foi bastante comprovado ao adjetivarem pessoas físicas e jurídicas que condenam a prática do partido referido. E por fim tentam um dominância irracional, no qual o poder deles devem ser perpétuo, mesmo infringindo os ideias democráticos, no qual defendiam antes de assumirem o poder. Temos que ter cuidado, pois esses psicopatas estão transformando um partido numa seita diabólica. No qual os semideus, ditos como heróis lendários, devem ser cultuados e se alguém falar mal desses semideuses são passíveis de punições. E a história se repete, pois por vários momentos alguns seguimentos políticos foram tratados como religião, idolatrando símbolos, pessoas e partidos. E deixo uma frase de um socialista que também prefiro não citar o seu nome, faz recordar o momento vivido por esses psicopatas partidários: “A propaganda não pode servir à verdade especialmente quando possa salientar algo favorável ao oponente.” E se a carapuça servir que dê o nome aos bois.

    • Negrinha disse:

      SOCIALISMO, o DEUS FODIDOR

      O SOCIALISMO “LIVRE” é um deus devastador, o deus dos deuses, o pai dos deuses, o deus supremo, o deus único, monoteísta, o deus legislador, o deus julgador, o deus executor, o deus carcereiro, o deus psicótico, o deus governo, o deus corruptor e corrupto,
      o deus enlouquecido,
      o deus destruidor,
      o deus coveiro,
      o deus fálico,
      o deus fodidor,
      o deus estuprador,
      o deus pedófilo,
      o deus ejaculador,
      a maior e mais eficaz expressão de morte e idolatria criada pela mente pervertida e de ofensa ao próprio homem e à mulher, o efetivo e integral desfazimento da pessoa. O deus mascador e chupador,
      que fakeriza a face humana,
      e se transforma em carne,
      em corpo,
      em alma,
      em espírito
      e em encontro sem vida nem afeto. O deus encarnado em cada célula para, finalmente, imobilizá-la como plástico!

      Ele é o deus descriador dos céus e da terra, em seis dias cria a besta e no sétimo não descansa na sua lufa-lufa. O deus que consome o planeta e monstrifica seus elementos, suga-o de forma excitante e ritual, espreme-o e transforma em pó e lama cada metro de terra, em cola química e asfáltica cada litro de água, em veneno e enxofre de martírio o ar, ampliando o fogo, a chama e a fumaça sobre a Terra, feita, agora, uma pira de holocausto malcheiroso e ardente!

      Não há idoso nem criança!
      Não há mulher nem homem!
      Não há pessoa!
      Não há flor nem amor!
      Não há dignidade nem honra!
      Não há direito nem diálogo!
      Não há arte nem arte!

      O SOCIALISMO a todos consome,
      a todos centrifuga.

      De todos faz verme. De tudo, um lixão!

      E, tu, não sabes disso ainda? Chamas a isso de progresso e civilização? Não conheces a história que escreves e na qual vives? Não abres a janela de teu esconderijo?
      Não? És,então, o religioso psicótico e neurótico, o romeiro, o dizimista, a besta, o louco, o patife e um fake na lufa-lufa!
      Não és humano!

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