Todas as práticas sociais são construídas, logo, poderiam ser radicalmente outras.

Segundo nossa concepção marxista, as práticas sociais são o grande objeto de intervenção dos revolucionários socialistas. Nesse blog, temos demonstrado, teórica e politicamente, o nosso modo de intervir nas diversas práticas sociais. O que entendemos por práticas sociais? Simples. É tudo aquilo que os seres sociais praticam em suas vivências. O problema é que existe toda uma interpelação econômica-jurídica-repressiva-ideológica-discursiva que faz os seres sociais acreditarem que as práticas sociais que vivenciam são verdades dadas, necessárias, eternas e imutáveis, quando, no fundo, tratam-se de construções sociais.

Por que, então, os revolucionários socialistas devem eleger, conscientemente, as diversas práticas sociais como objeto de suas intervenções políticas? Justamente porque sabemos que todas as práticas sociais são construídas, elas não são eternas, elas não são naturais, elas não são inevitáveis, elas não são imutáveis, muitas delas não são necessárias, muitas delas não são sequer legítimas.

Enfim, todas as práticas sociais, no fundo, são construídas, logo poderiam ser radicalmente outras, não importam quais práticas sejam: seja a prática social-cultural do casamento monogâmico; seja a prática social-econômica da exploração da mais-valia dos trabalhadores; seja a prática social-cultural de sentar-se para assistir novela; seja a prática social-cultural de ir, todos os dias, estudar em uma dada escola; seja a prática social-cultural de ir à igreja ou ajoelhar-se em oração; seja a prática social-política de se reunir semanalmente com militantes revolucionários; seja a prática social-política de participar de uma passeata; seja a prática social-cultural de assistir a um jogo de futebol no domingo; seja a prática social-cultural de consumir carne; seja a prática social machista de oprimir as mulheres; seja a prática social homofóbica de oprimir os homossexuais; seja a prática social de oprimir a raça negra; seja a prática social de estimular o bullying; e muitas e muitas outras.

Resumindo, os socialistas revolucionários sabem que todas as práticas, não importam as suas conotações, sejam positivas ou negativas, são construções sociais, então, conscientemente, agimos para mudar radicalmente as práticas sociais que revelam atraso, obscurantismo, exploração e opressão. Essa é a tarefa dos revolucionários socialistas, essa é a batalha de todos os revolucionários, e nós, socialistas livres, atuamos nessa luta: convencer os seres sociais de que determinadas práticas sociais, mesmo que profundamente enraizadas na sociedade, poderiam ser radicalmente outras, principalmente quando tais práticas retratarem atraso, obscurantismo, exploração e opressão. Como se vê, nossa luta não é fácil, mas é a única que vale a pena, pois temos a certeza teórica de que a vida social pode ser radicalmente melhor organizada. Lutamos por práticas sociais SOCIALISTAS LIVRES. Nesse sentido, somos marxistas: um marxismo que sempre se renova como a mais autêntica filosofia da práxis!

Por: Gílber Martins Duarte – Socialista Livre – Conselheiro do Sind-UTE / MG e diretor da subsede do Sind-UTE em Uberlândia – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais – Doutor em Análise do Discurso/UFU – Membro da CSP-CONLUTAS.

Acessem nosso Blog: http://www.socialistalivre.wordpress.com

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Sobre socialistalivre

Esse Blog está a serviço da Luta pelo Socialismo. Defendemos a plena liberdade do ser humano, mas somos radicalmente contra a liberdade de explorar, como a burguesia faz, e contra a liberdade de oprimir como os machistas fazem, os racistas fazem, os homofóbicos fazem, os praticantes de bullying fazem, os preconceituosos fazem, os possessivos fazem e os autoritários de plantão fazem. Assim, defendemos que cada corpo-consciência deve ter liberdade de ser o que ESCOLHE SER, desde que esta liberdade não oprima e explore os outros! Defendemos a plena liberdade de postura crítica e a plena democracia operária, todos devem ter o direito de expressar o que pensam! Defendemos a Revolução Socialista e a necessidade de libertação da classe trabalhadora do jugo do capitalismo. No entanto,somos contra comandos de hierarquias políticas ou de figuras públicas mais poderosas no seio dos lutadores que travam a batalha pelo socialismo. Defendemos que cada militante deve ousar pensar por si mesmo, cada militante deve ter o direito de concordar, mas também de discordar daquilo que julga equivocado, por isso nos definimos como Socialistas Livres e esse Blog está a serviço dos que desejam militar de acordo com essa concepção. Convidamos a todos a conhecerem nosso jeito diferente de entender e de praticar a política socialista, com liberdade, democracia operária, direito de crítica e respeito ao diferente. Saudações Socialistas Livres.
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3 respostas para Todas as práticas sociais são construídas, logo, poderiam ser radicalmente outras.

  1. Borges disse:

    Olá, acompanho seu Blog. Esse último texto achei muito bom. Quanto ao Blog em geral tenho acordo com muitos elementos que você destaca, mas por outro, tenho algumas críticas fraternas para lhe fazer. Também mantenho um Blog com o objetivo de ser mais um instrumento de agitação e propaganda na luta contra o Capital. Podemos trocar materiais e opiniões.

    http://www.adeusaocapital.blogspot.com

    Saudações de luta,

    • Luciano (Lu) disse:

      Entendo que as práticas sociais são frutos das informações que recebemos sobre o mundo. A maioria dessas informações que geram as práticas sociais são formas narrativas carregadas de ideologias – acredito ser preciso construir uma nova forma de narrar a vida e de dizer que o tempo do presente é momento propicio para uma verdadeira revolução, mas, para isso é preciso destruir a força de um passado que nos lega as quinquilharias de um mundo respaldado pelo capital.

      Desde os primórdios, a idéia de construção da narrativa se apóia em noções cronológicas. De modo geral as noções de narrativas orais, literárias e cinematográficas se apóiam no tempo cronológico, segundo a seta temporal que sai do passado, passa pelo presente e segue rumo ao futuro. “Toda” a história contada segue uma seta temporal que indica que o tempo caminha em direção ao futuro. Nessa perspectiva encontramos as inferências temporais que, diante da consciência de mundo nos fornecem o entendimento das relações em causais e seqüências no interior da narrativa cronológica.

      De modo geral estamos acostumados com modelos de narrativas que seguem a verossimilhança e postulam no tempo “diegético” uma derivação das leis temporais que inferimos sob o mundo da nossa vida cotidiana. Atualmente a informação é atualizada com uma rapidez enorme. Com o advento da tecnologia digital, o computador associado com a internet nos possibilitou uma capacidade de atualizar as versões sobre os acontecimentos de maneira bastante rápida. A informação que recebemos sobre o mundo, geralmente nos chega na forma de narrativas, seja por meio das mídias interativas ou por meio de outras formas narrativas, como por exemplo, os textos que recebemos, o cinema que assistimos etc.

      No mundo mergulhado na informação, a narrativa traz consigo versões sobre a “realidade” do mundo da vida. Nesse sentido ouçamos Michel Butor:

      “A narrativa nos dá o mundo, mas ela nos dá fatalmente um mundo falso… Não só quando falamos a outrem; o desajuste é igualmente grave quando falamos a nos mesmos. De repente, tomamos conhecimento de uma surpreendente “novidade” concernente a Paulo: mas como pode ser possível? E em seguida a lembrança volta; não, ele não nos tinha ocultado essa intenção, ele tinha até nos falado longamente a esse respeito, mas nós havíamos excluído do nosso “resumo”, nós
      ignorávamos como ligá-lo ao restante”. (Butor, Michel, 1964, p. 74)

      A afirmação de Michel Butor informa que o mundo que nos chega nunca é um mundo verídico, logo, uma narrativa não pode possuir a forma do verdadeiro em relação ao acontecido.

      A noção de narrativa cronológica que busca capturar a verdade do acontecido não pode ser fundamentada em um passado necessário. Nesse sentido, a sensatez aponta para uma reformulação das formas narrativas segundo a forma do tempo presente, ou seja, é preciso acreditar mais no momento que se vive e saber que no aqui agora está a força da transformação, mas, para isso é preciso fundamentar a reviravolta na abstração do tempo. E quem sabe construir um objeto que sustente a história do presente.
      Abraço.

  2. Obrigado por contribuirem com as discussões, companheiros, sejam bem-vindos. Observação: aprovamos todos os comentários que são feitos neste Blog, inclusive , os que fazem críticas aos textos aqui postados. Aqui não tem censura política. Plena liberdade de crítica, plena liberdade de expressão fazem parte da filosofia política Socialista Livre.

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