Centralismo Democrático não é uma camisa de força, é um acordo. E, como todo acordo, tem seus limites. Crítica franca à direção do PSTU.

 A vida é dialética, não é uma linha reta, tem curvas, acidentes de percurso, abismos, oásis, desertos, flores, espinhos, contradições, não fui eu quem inventou isso. A vida é assim. Então, vou aqui, diante das polêmicas surgidas, face ao antigo anterior, em que problematizo o Centralismo “Cupulocrático” da direção do PSTU, dizer algumas coisitas sobre CENTRALISMO DEMOCRÁTICO.

Durante 18 anos me centralizei pelo PSTU. Por que fiz isso? Porque a direção não passava por cima dos PRINCÍPIOS do partido. Alguns companheiros, que legitimamente polemizaram contra minha posição, face ao artigo anterior publicado neste Blog, tem uma concepção de Centralismo Democrático que quero aqui problematizar, enquanto Socialista Livre. Tem-se a ilusão de que o Centralismo Democrático Partidário é uma cláusula pétrea quase natural e divina e esquece-se de que este PRINCÍPIO não foi criação de DEUS, muito menos criação da NATUREZA, ao contrário, o Centralismo é uma construção teórica que se baseia em um acordo entre militantes, um acordo entre cavalheiros e damas, que, obviamente, fazem isso voluntariamente. Mas como todo acordo, o centralismo tem seus limites. Não enxergar isso, não enxergar seus limites, é padecer de raciocínio dialético. Logo, tal acordo só é mantido, se as vontades dos cavalheiros e damas não forem desestabilizadas.

Assim, face ao fato de que o Centralismo é um acordo construído, de uma coisa se esquece, o Centralismo Democrático apenas funciona bem, se a direção, eleita para dirigir a organização política, com os melhores quadros, diga-se de passagem, zelar pelos princípios do PARTIDO. A direção pode até deslizar em erros táticos, ou tirar táticas que estão em desacordo com uma parte do partido, esses deslizes são toleráveis. Mas, nada garante que não se abrirão crises, muitas rupturas acontecem por desacordos táticos, impossível não saber disso. De qualquer forma, fato é que as contradições táticas, geralmente, são mais toleráveis na luta entre acordos e desacordos.

Entretanto, uma coisa é certa, companheiros e companheiras que nos leem até aqui, se a direção, eleita com os melhores quadros, os mais experientes, rasga os PRINCÍPIOS do partido para fazerem valer suas táticas políticas, isso é um erro gravíssimo da direção e, certamente, poderá abalar profundamente o acordo estabelecido quanto ao Centralismo Democrático. A vida é assim. Ninguém é obrigado a ficar em uma posição com a qual absolutamente não se tem acordo, essa camisa de força não existe, na prática. No fundo, todos são livres para escolher acatar sempre um acordo, ou rebelar contra esse acordo, caso as tomadas de posição política da direção da organização vão totalmente contra a tomada de posição política do militante.

Quando me rebelei com a direção do PSTU, no fundo, foi isso que aconteceu. A direção do PSTU, no Congresso da CSP-CONLUTAS, rasgou o princípio da DEMOCRACIA OPERÁRIA, para fazer valer sua TÁTICA de terminar um Congresso em toque de caixa, descumprindo acordo de votar as oito propostas finais, e, manobrando, e impedindo o Grupo da LER de defender suas propostas que foram aprovadas com 20% nos grupos. O grupo da LER saiu do Plenário, criando um constrangimento para os que tem sensibilidade socialista e generosidade socialista, e tudo isso porque a direção do PSTU, que era maioria no plenário, rasgou um PRINCÍPIO do partido, para fazer valer sua TÁTICA de acabar com um Congresso sem debater tudo que foi combinado. Todos os presentes no Congresso viram isso acontecer.

Ora, se uma direção rasga um PRINCÍPIO do partido para fazer valer uma tática, seja qual tática for, na prática, eu, enquanto militante, não me sinto mais na obrigação de me CENTRALIZAR por algo que está contra os meus PRINCÍPIOS. No caso concreto, a DEMOCRACIA OPERÁRIA é um PRINCÍPIO SAGRADO para mim. Não se passa por cima da DEMOCRACIA OPERÁRIA para fazer valer um TÁTICA POLÍTICA. Isso é uma prática estalinista. Não me CENTRALIZO por isso, com muita HONRA. Ou seja, em hipótese alguma tenho acordo com isso, em hipótese alguma aceito algo que esteja contra os meus princípios. Não me aliar com a burguesia é um PRINCÍPIO para mim, se a direção do meu partido resolve se aliar com a burguesia, para ser vitoriosa em uma TÁTICA DE ELEGER UM VEREADOR, sinto muito, eu desobedecerei essa direção. Gritarei a todos os ventos, ela não me centralizará, a vida é assim. Centralismo não é camisa de força, quando a direção rompe os PRINCÍPIOS ESTABELECIDOS. É isso que está em discussão contra a direção do PSTU. Ela rompeu o princípio da Democracia Operária para fazer valer sua tática de acabar um congresso em toque de caixa.

A mesma coisa aconteceu com um companheiro de Belém, que desfiliou-se do partido, porque discordava da TÁTICA ELEITORAL de aliar-se com o PC do B. Vejam a carta, está em forma de COMENTÁRIO no texto anterior deste blog, contra o Centralismo “Cupulocrático” da direção do PSTU. Fizeram com ele a mesma coisa, e ele também se rebelou. O que a direção do PSTU fez, segundo depoimento do companheiro? A direção impediu-o, através de manobras, de ter acesso aos documentos que debatiam aliar ou não com o PC do B, excluiu-o e excluiu outros membros do núcleo de Santarém, para fazer valer a sua Tática Eleitoral de se aliar com o PC do B. Nesse caso, a direção descumpriu o PRINCÍPIO DA DEMOCRACIA PARTIDÁRIA INTERNA  E DA CAMARADAGEM para fazer valer sua TÁTICA ELEITORAL. O companheiro, com razão, se rebelou. Não houve acordo. Nada o obriga a se “centralizar” nesse caso, nem Deus, nem o Demônio.

Ora, o militante que pensa e tem postura crítica apenas se deixa “centralizar”, quando se respeitam OS PRINCÍPIOS DO PARTIDO. Se uma direção, eleita para tal, RASGA OS PRINCÍPIOS DO PARTIDO, esta direção perde toda a moral PARA CENTRALIZAR SEUS MILITANTES. Com muito orgulho, companheiros e companheiras, eu me rebelei contra o CENTRALISMO CUPULOCRÁTICO da direção do PSTU, quando esta rasgou o PRINCÍPIO DA DEMOCRACIA OPERÁRIA. Nunca votamos no partido que os PRINCÍPIOS são maleáveis. Todo mundo sabe disso, princípio não se discute.

Então, a direção do PSTU demonstrou, na prática, que apenas a base do partido deve cumprir os acordos de cavalheiros e damas que fazemos, quando entramos em uma organização centralizada. Ela não deu o exemplo que toda Direção Centralizada tem de dar, para que os militantes aceitem o Centralismo. NUNCA, EM NENHUMA HIPÓTESE, A DIREÇÃO PODE RASGAR OS PRINCÍPIOS DO PARTIDO PARA FAZER VALER SUAS TÁTICAS POLÍTICAS.

A direção do PSTU não é ingênua, ela sabe o que é PRINCÍPIO e ela sabe o que é TÁTICA, então, quando uma direção política, da envergadura do PSTU, está rasgando os PRINCÍPIOS para fazer valer suas TÁTICAS, essa direção perdeu a MORAL para exigir Centralismo de sua base. Ao exigir Centralismo de sua base, a direção está apelando para o CENTRALISMO CUPULOCRÁTICO, não tem nada de democrático nessa exigência. A base, neste momento, tem, sim, O LEGÍTIMO DIREITO DE SE REBELAR contra a direção que descumpriu os princípios.

 Só tem mais um problema, a DIREÇÃO DO PSTU sabe que atropelou a DEMOCRACIA OPERÁRIA, o problema é que ela não quis admitir isso, porque eu não fui o ÚNICO que vi o PSTU fazendo isso no CONGRESSO DA CSP-CONLUTAS. E como eu me rebelei contra o fato de a direção ter rasgado um PRINCÍPIO DO PARTIDO, eu, indiretamente, ajudei a confirmar e a fortalecer aquilo que vários outros militantes, de outras correntes, estavam enxergando. Os egos sectários do PSTU quiseram morrer. Óbvio, o sectarismo acha que é perfeito, não consegue avaliar os fatos cientificamente e mais, nunca é generoso. O ódio aos que o criticam é a única coisa que conseguem expressar.

Então, a direção do PSTU, ao invés de fazer autocrítica, e rever sua prática, preferiu sufocar essa crítica dentro do PARTIDO TAMBÉM, que eu comecei a fazer desde aquele Congresso. A DIREÇÃO DO PSTU está no poder há muito tempo, mas acostumou a ser apenas minoria no movimento, e,  infelizmente, revelou-se ter desvios sectários, quando ocupa a posição de ser maioria em um Plenário, como a CSP-CONLUTAS, ao ponto, inclusive, de não estar preparada para ter a HUMILDADE DE FAZER AUTOCRÍTICA, quando comete arbitrariedades. Prefere fingir que está tudo bem. Prefere dizer que eu e muitos outros “loucos” que estavam no Congresso da CSP-CONLUTAS somos uns inconsequentes que não sabem o que é DEMOCRACIA OPERÁRIA e que apenas queremos fazer disputa barata com o partido. Grande engano sectário, eu era do partido. Não queria e não quero destruir o PSTU, continuo apoiando o PSTU, quando suas propostas são corretas para a luta da classe trabalhadora.

Todavia, a direção do PSTU daria um grande passo de grandeza se tivesse a humildade de reconhecer que rasgou o princípio da DEMOCRACIA OPERÁRIA no Congresso da CSP-CONLUTAS e fizesse AUTOCRÍTICA e procurasse não mais rasgar esse PRINCÍPIO, justamente, porque a DIREÇÃO do PSTU cumpre um papel importante na luta da classe trabalhadora brasileira. Ninguém questiona a disposição de luta dos militantes do PSTU. Estão em todas as greves da classe trabalhadora. Então, por isso mesmo, pela importância que tem na luta de classes, é lamentável que a direção do PSTU prefira tomar o caminho do sectarismo. Cortar a cabeça dos discordantes e tentar desmoralizar aqueles que lhes fazem críticas fraternas, no sentido de alertar-lhes para seus desvios graves.

Por fim, enquanto Socialista Livre, repito, continuo apoiando, na luta, o PSTU, o PSOL, o PCB, o PCO, e outros grupos políticos da esquerda socialista, porém, por ser socialista livre, sinto-me no direito de criticar tudo aquilo que não ajuda na construção do Socialismo e da Revolução. E minha discordância tem uma razão profunda de ser: se a esquerda socialista tivesse generosidade socialista e aprendesse a tratar, de fato, a DEMOCRACIA OPERÁRIA, como PRINCÍPIO SAGRADO, nós, da Esquerda Socialista, não estaríamos tão divididos, nem na política, nem nas eleições, nem na luta sindical. Mas, pelo visto, o SECTARISMO ainda está longe de acabar na Esquerda Socialista brasileira, porque utilizam-se métodos arcaicos, antidialéticos e não generosos.

Sei que sou a minoria da minoria da minoria da minoria da minoria, mas seguirei rebelde e levantando minha voz, CLAMANDO PELO PRINCÍPIO DA DEMOCRACIA OPERÁRIA e apelando para a generosidade socialista dos que lutam. E direi sempre: podem até rasgar o princípio da democracia operária para fazerem valer suas táticas políticas, mas não rasgarão esse princípio em meu nome, custe o que custar. Saudações Socialistas Livres.

Sobre socialistalivre

Esse Blog está a serviço da Luta pelo Socialismo. Defendemos a plena liberdade do ser humano, mas somos radicalmente contra a liberdade de explorar, como a burguesia faz, e contra a liberdade de oprimir como os machistas fazem, os racistas fazem, os homofóbicos fazem, os praticantes de bullying fazem, os preconceituosos fazem, os possessivos fazem e os autoritários de plantão fazem. Assim, defendemos que cada corpo-consciência deve ter liberdade de ser o que ESCOLHE SER, desde que esta liberdade não oprima e explore os outros! Defendemos a plena liberdade de postura crítica e a plena democracia operária, todos devem ter o direito de expressar o que pensam! Defendemos a Revolução Socialista e a necessidade de libertação da classe trabalhadora do jugo do capitalismo. No entanto,somos contra comandos de hierarquias políticas ou de figuras públicas mais poderosas no seio dos lutadores que travam a batalha pelo socialismo. Defendemos que cada militante deve ousar pensar por si mesmo, cada militante deve ter o direito de concordar, mas também de discordar daquilo que julga equivocado, por isso nos definimos como Socialistas Livres e esse Blog está a serviço dos que desejam militar de acordo com essa concepção. Convidamos a todos a conhecerem nosso jeito diferente de entender e de praticar a política socialista, com liberdade, democracia operária, direito de crítica e respeito ao diferente. Saudações Socialistas Livres.
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