Todo corpo é impar, singular, único. Padronizar corpos vai contra a natureza das coisas. Serve ao capitalismo!

Mail do autor: gshaibabibi@gmail.com

Esse texto, como outros que aqui publicamos, não pretende produzir certezas absolutas, o intuito é abrir debates que consideramos importantes entre os lutadores e lutadoras que dedicam suas vidas à construção do socialismo com liberdade e democracia operária, sem opressão, sem exploração, sem atrasos, sem obscurantismos.

Ora, o nosso tema, neste post, é observar o seguinte: é comum os seres sociais ficarem se comparando uns com os outros e, a partir dessas comparações sem raciocínio, tirarem conclusões precipitadas. Quais conclusões precipitadas? Começam a achar que existem alguns corpos que são bonitos e outros feios. E pior, carregam essas conclusões precipitadas pelo resto da vida. Passam a acreditar que o corpo bonito e o corpo feio são produtos da natureza, acham que esse julgamento precipitado é a verdade, é o natural, é o incontestável. A mídia, as agências de modelo, as ditas “revistas de beleza”, a indústria pornográfica, as clínicas estéticas, as pílulas farmacêuticas “mágicas”, os salões de beleza, a indústria de depilação, as agências de moda, etc, no intuito de comercializar imagens e ganhar dinheiro, reforçam essa visão destorcida na mente das pessoas.

Queremos aqui, portanto, contestar essa prática ideológica preconceituosa de diversos seres sociais que, por sua vez, é estimulada pelos vários ramos da indústria capitalista. Comparar os corpos filhos da natureza para rotular uns corpos como bonitos e outros corpos como feios é uma prática social excludente. A natureza não compara a forma dos corpos e não os classifica como belos e feios. A natureza simplesmente cria corpos ímpares, únicos, singulares. E é assim que deveríamos apreciar e observar os corpos humanos filhos da natureza. Sem rótulos.

O mundo possui variadas formas vivas: as árvores possuem uma diversidade muito grande de corpos; os mamíferos possuem uma diversidade muito grande de corpos; os insetos possuem uma diversidade muito grande de corpos; os peixes, os répteis, os anfíbios, os pássaros possuem uma diversidade muito grande de corpos; os minerais possuem uma diversidade muito grande de corpos; os humanos possuem uma diversidade muito grande de corpos. Portanto, assim é a natureza. A beleza da natureza está em não fazer corpos iguais. Existe uma infinidade de corpos naturais e cada qual é ímpar, singular, único: este é o belo natural.

Portanto, comparar uns corpos com outros corpos, e propagandear alguns modelos como sendo os corpos bonitos e outros como sendo os corpos feios serve para promover a “vaidade superficial” dos corpos promovidos como “belos” e a respectiva exclusão dos corpos que foram eleitos como “feios”, bem como serve para render lucros aos que comercializam imagens corporais ditas ideais ou vendem produtos e cirurgias mágicas na indústria estética. Lamentavelmente, essa prática não contribui para a felicidade da coletividade humana. Ao contrário, tal prática gera insatisfação.

Cada um, em nossa opinião, deveria aceitar com alegria o corpo que a natureza nos deu, bem como apreciar a beleza ímpar, singular e única de cada corpo. Esta deveria ser a educação de uma humanidade consciente, fraterna, generosa e socialista. Essa mania de rotular corpos como bonitos e feios é, no fundo, uma prática totalmente equivocada, sem raciocínio, uma falta de compreensão da natureza das coisas, uma falta de generosidade com a própria natureza humana. E as coisas e os infinitos corpos vivos filhos da natureza sempre foram e sempre serão diferentes, únicos, ímpares, singulares. Classificar uns corpos como belos e outros corpos como feios, no fundo, é uma prática preconceituosa. Nós, socialistas livres, somos críticos dessa prática social.

Tal debate tem sido feito em escolas públicas, junto à juventude. Ora, é surpreendente como preconceitos são criados e perpetuados em torno dos modelos de corpos considerados “belos” e em torno dos modelos de corpos considerados “feios”. Nós, socialistas livres, achamos, então, que esse debate precisa ser ampliado no seio do próprio movimento operário-estudantil, afinal, essa comparação sem raciocínio, objetivando rotular diversos corpos, elegendo alguns como “belos” e excluindo outros como “feios”, está na raiz dos mais variados preconceitos. São construções sociais que devem passar sob o crivo de nossa postura crítica, se queremos construir uma sociedade socialista e generosa, livre dos condicionamentos ideológicos construídos pelo capitalismo. É necessária essa padronização de corpos? Inevitável? Legítima? Natural? Achamos que não. E vocês, o que acham?

Por: Gílber Martins Duarte – Socialista Livre – Conselheiro do Sindute-MG e diretor da subsede do Sindute em Uberlândia – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais – Doutor em Análise do Discurso/UFU – Membro da CSP-CONLUTAS.

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Uma resposta para Todo corpo é impar, singular, único. Padronizar corpos vai contra a natureza das coisas. Serve ao capitalismo!

  1. Este modismo em que a moda dita, o que é ou não ‘é. Existem corpos bonitos, aliás me lembro que hoje teve ou está tendo o concurso de miss Brasil. Mas a beleza é mais que isso, a beleza você vê nas pessoas como encaram a vida.
    Vinicios de Morais numa frase antológica foi triste quando disse ” …as feias que me perdoem, mas beleza é fundamental…”
    Gosto de ver mulheres bonitas mas beleza é muito mais que um rosto bonito.

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