Politizando o conceito de LIBERDADE!

Para nós, Socialistas Livres, todos tem direito a liberdade, menos a liberdade de oprimir e de explorar os outros.

Liberdade é fazer escolhas, liberdade é cada corpo-social-consciente escolher possibilidades de vivência, dentro de uma conjuntura política-econômica-jurídica-ideológica-discursiva. É um fato, por exemplo, que o ser social, face às interpelações da conjuntura em que se encontra, decide escolher algumas possibilidades de vivência como ser católico, evangélico, ateu, casado, solteiro, heterossexual, homossexual, monogâmico, sexualmente livre, engenheiro, pedreiro, metalúrgico, mecânico, médico, estudioso, não estudioso, autoconfiante, inseguro, feliz sempre, mal humorado sempre, lutador, acomodado, comunista, capitalista, etc. Isso acontece, porque independente da conjuntura econômico-jurídico-ideológico-histórico-social-discursiva, o ser social é sempre interpelado-convidado a fazer escolhas. Sartre dizia: “somos condenados a fazer escolhas!” Muitos caminhos lhe são mostrados, muitas possibilidades de vivência. Assim, é inegável que existe uma relativa liberdade de escolha para o ser social, permitindo-lhe travar a luta por tentar realizar suas escolhas, por tentar realizar suas vivências preferidas, obviamente, pagando um preço positivo ou negativo pelas escolhas que tenta concretizar.

A liberdade de escolha do ser social, porém, não implica que este ser social vai poder realizar ou concretizar todas as suas escolhas, sua liberdade de escolha é relativa à conjuntura em que se encontra. Uma visão marxista de como o mundo se organiza nos revela que esse mesmo mundo é atravessado pela luta de classes, dividindo a sociedade principalmente entre a classe dos ricos e a classe dos trabalhadores. Nessa conjuntura, que chamamos de conjuntura capitalista, uma classe está impondo o seu modo de vida a outra classe, logo, dependendo da classe em que o ser social esteja, a chance desse ser social de realizar-concretizar suas escolhas poderá ser maior ou menor. Nós, socialistas livres, por exemplo, defendemos o socialismo, lutamos por esse modo de organização social. Nossa chance de concretizar nossa escolha política, em um mundo capitalista, é infinitamente mais difícil do que a escolha de um ser social, totalmente identificado com o status quo, que batalha para se tornar um pequeno-burguês.

Entretanto, face essa dificuldade, isso não implica que deixamos de ser livres para lutar por nossas escolhas. As dificuldades conjunturais de realização das escolhas não implicam que os seres sociais não possam batalhar por suas escolhas, em suas lutas diárias. Discordamos, portanto, da interpretação de alguns marxistas que negam a categoria social da liberdade, argumentando que a liberdade é um conceito burguês. Fazer escolhas, dentro de uma conjuntura econômica-jurídica-ideológica-discursiva, sempre foi a possibilidade que, inclusive, permitiram aos seres sociais lutarem pelo socialmente inexistente, o socialismo, por exemplo, ou a revolução. Se não tivéssemos a possibilidade, a liberdade de lutar por escolhas diferentes das que nos são impostas a acreditar como únicas, verdadeiras, eternas, inevitáveis, necessárias, legítimas, a revolução não seria um projeto possível. Afirmamos então: a revolução é um projeto que nasce da liberdade de escolha. Por isso, nós, socialistas livres, não temos receio de dizer: todos os seres sociais são livres para fazer escolhas dentro da conjuntura econômica-jurídica-ideológica-política-discursiva em que se encontram. Não existe uma predeterminação absoluta impedindo o movimento criativo dos seres sociais: somos livres, podemos lutar por inventar e reinventar a vida social.

Afirmamos a liberdade de inventar a vida, sem moralismos preexistentes, sem ideologias pré-concebidas como as certas, as únicas, as verdadeiras, as eternas, as legítimas, as inevitáveis, as necessárais, as naturais, afirmamos que o ser social possui um potencial de criatividade imenso que sequer ainda foi explorado, porque vivemos em um mundo capitalista em que não se incentiva a liberdade plena dos seres, já que é um mundo dividido em classes, logo, excludente. E pior, até alguns marxistas ficam com medo de estarem se tornando não revolucionários, caso defendam a categoria da liberdade, mas essa é uma grande incompreensão da questão, a liberdade de escolha sempre esteve dada na história humana, os seres sociais sempre tiveram a possibilidade de escolher acatar as ordens e o status quo ou a possibilidade de escolher rebelar-se contra a sociedade: nós, socialistas livres, somos rebeldes, nós escolhemos nos rebelar. Nossa liberdade é a liberdade rebelde e criativa, ousamos, inclusive, afirmar a possibilidade de mudar o mundo.

A verdade, portanto, é que a burguesia apropriou-se do conceito de liberdade, para impor o seu modo de controlar a liberdade dos seres sociais, já que, na defesa da liberdade burguesa, a burguesia apenas argumenta que todos podem tornar-se burgueses, que todos podem ter uma chance de se dar bem no capitalismo. Ora, isso é uma grande mentira da classe burguesa, nesse sentido, os marxistas estão todos certos. Mas a liberdade não é um modo de vivência exclusivo da burguesia, não é um conceito que serve à burguesia. A liberdade é a própria possibilidade de realização dos projetos humanos. Cabe aos Socialistas, então, apropriar-se do conceito de liberdade para lutar por outras condições econômicas-jurídicas-políticas-sociais para o pleno exercício da liberdade.

Nesse sentido, é que nós, Socialistas Livres, defendemos a plena liberdade dos seres sociais, mas somos contra um tipo de liberdade, a liberdade de oprimir e de explorar os outros, que é totalmente validada pelo vale tudo da sociedade burguesa. Portanto, somos contra a liberdade dos machistas, porque suas liberdades impedem a liberdade das mulheres. Somos contra a liberdade dos racistas, porque suas escolhas preconceituosas constrangem e até massacram povos de origens diferentes. Somos contra a liberdade dos homofóbicos, porque eles não respeitam as escolhas e o jeito de ser dos homossexuais. Somos contra a liberdade dos que praticam o bullying, porque eles oprimem outras pessoas em seus ataques verbais e ataques físicos violentos. Somos contra a liberdade da classe burguesa que explora os trabalhadores, ficando rica à custa de não pagar a totalidade do trabalho realizado pelos operários em suas fábricas e empresas. Somos contra a liberdade dos governos burgueses e reformistas que não gastam a maior parte do dinheiro do país com atendimento à saúde, com educação pública de qualidade, com moradia aos que não tem casa, com transporte público bom e barato, etc.

Contra essa liberdade opressora e exploradora, defendemos a liberdade socialista, defendemos o Socialismo Livre: um mundo em que cada ser social possa escolher aquilo que o deixa feliz, sendo respeitado por suas escolhas, mas, jamais usando sua liberdade para oprimir e explorar, porque assim estará desrespeitando-constrangendo a liberdade dos outros. Só a revolução socialista, portanto, pode colocar a liberdade humana no seu eixo mais pleno, desde, é claro, que, em nome do socialismo, não se cometam os mesmos erros que os Estados Socialistas Burocratizados incorreram: um verdadeiro caça às bruxas aos rebeldes sociais que surgiram em seu meio, uma limitação à criatividade dos seres sociais.

A liberdade de crítica, portanto, deve sempre SER SAGRADA, em qualquer que seja a organização social, principalmente SOCIALISTA, desde, é claro, que não represente a opressão e a exploração de classe. Por isso, nós, Socialistas Livres, somos obcecados, também, pela democracia operária com plena liberdade de postura crítica, do contrário, não construiremos um mundo socialista com democracia e liberdade: e um povo sem liberdade de escolha é um povo triste.

Como se vê, todos os conceitos estão atravessados pelo conflito da reprodução das relações de produção versus a transformação-revolução das relações de produção, ou seja, atravessado pela luta de classes: a liberdade também tem de ser vista por esse prisma, não ser relegada como um conceito burguês. E, como tal, os socialistas devem perder o medo de defender a liberdade de escolha, ao contrário, devem ousar ser livres e rebeldes e defender o pleno exercício da liberdade de escolha que somente poderá ser concretizada, sem sua faceta opressora e exploradora, no Socialismo Livre. Esperamos ter conseguido pelo menos abrir o debate. Saudações Socialistas Livres.

Por: Gílber Martins Duarte – Militante Socialista Livre do CSL-CAEP – Conselheiro do Sindute-MG e diretor da subsede do Sindute em Uberlândia – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais – Doutor em Análise do Discurso/UFU – Membro MEOB – Membro CSP-CONLUTAS.

Acessem nosso Blog: www.socialistalivre.wordpress.com

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Sobre socialistalivre

Esse Blog está a serviço da Luta pelo Socialismo. Defendemos a plena liberdade do ser humano, mas somos radicalmente contra a liberdade de explorar, como a burguesia faz, e contra a liberdade de oprimir como os machistas fazem, os racistas fazem, os homofóbicos fazem, os praticantes de bullying fazem, os preconceituosos fazem, os possessivos fazem e os autoritários de plantão fazem. Assim, defendemos que cada corpo-consciência deve ter liberdade de ser o que ESCOLHE SER, desde que esta liberdade não oprima e explore os outros! Defendemos a plena liberdade de postura crítica e a plena democracia operária, todos devem ter o direito de expressar o que pensam! Defendemos a Revolução Socialista e a necessidade de libertação da classe trabalhadora do jugo do capitalismo. No entanto,somos contra comandos de hierarquias políticas ou de figuras públicas mais poderosas no seio dos lutadores que travam a batalha pelo socialismo. Defendemos que cada militante deve ousar pensar por si mesmo, cada militante deve ter o direito de concordar, mas também de discordar daquilo que julga equivocado, por isso nos definimos como Socialistas Livres e esse Blog está a serviço dos que desejam militar de acordo com essa concepção. Convidamos a todos a conhecerem nosso jeito diferente de entender e de praticar a política socialista, com liberdade, democracia operária, direito de crítica e respeito ao diferente. Saudações Socialistas Livres.
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14 respostas para Politizando o conceito de LIBERDADE!

  1. Saulo disse:

    Vc vai descobrir que é de direita , parabens

  2. Sei que é ironia, Saulo. Mas a liberdade de explorar e a liberdade de oprimir, própria da cultura burguesa, é uma liberdade fétida. Socialistas Livres não praticam e não são coniventes com esse tipo de liberdade.

  3. AGNALDO DAMASCENO PEREIRA disse:

    A LIBERDADE É SEM SOMBRA DE DÚVIDA UM DOS MAIORES PRINCÍPIOS DOS REVOLUCIONÁRIOS, NO ENTANTO, ACREDITAR QUE O INDIVÍDUO SE REALIZARÁ PELA LIBERDADE, SEM A DESTRUÍÇÃO DAS CLASSES SOCIAIS, SEM A COMPREENSÃO DE QUE EXISTE UMA ESTRUTURA, QUE É RESULTADO DA PREPONDERÂNCIA DA IDEOLOGIA BURGUESA E DAS PRÁTICAS PRESCRITIVAS QUE ELA ORIENTA, PODE LEVAR A UMA INGENUIDADE PERIGOSA, MINADA POR ARMADILHAS TEÓRICAS E DE MILITÂNCIA HUMANISTA-BURGUESA, IDEOLOGIA DA CLASSE DOMINANTE QUE TEM GANHADO “MENTES E CORAÇÕES” DOS TRABALHADORES DESAVISADOS.

    • Adolino disse:

      Por onde começar uma batalha, uma luta, citada no primoroso texto sendo que diversas das trincheiras teriam de ser abertas dentro do aparato estatal, legislativo, educacional e cultural, hoje, boa parte nas mãos de esquerdistas, progressistas e “agregados”? Seria necessário “sujar as mãos” fazendo dos meios que o inimigo nos oferta: eleições, democracia, representação politica, tirania, etc ? Se sim, lutaríamos então nos termos deles!

    • Agnaldo, diria Rosa Luxemburgo: “existe liberdade sem socialismo, mas não existe socialismo sem liberdade”. Não podemos confundir a liberdade burguesa com a liberdade socialista. A liberdade burguesa é a liberdade individual de explorar e de oprimir. A liberdade socialista está em fazer escolhas fraternas, sem jamais usar da liberdade para explorar ou oprimir os outros. No falso socialismo, ou seja, no “socialismo” stalinista, como eu e você sabemos, privou-se a liberdade de imprensa, privou-se a liberdade de crítica, privou-se a liberdade de organização política, privou-se a liberdade de ir e vir. No Socialismo Livre não haverá espaço para A LIBERDADE BURGUESA de explorar e de oprimir, mas também não haverá espaço para O MONOLITISMO STALINISTA.

      • kiko disse:

        A batalha iminente é muito mais ampla e profunda do que apenas discutir alíquotas de impostos. Temos que lutar culturalmente também contra esse socialistas.

      • kiko disse:

        O novo Príncipe, o PT, já deixou bem claro que não está disposto a ceder o poder.

        Para esse novo Príncipe e seu numeroso séquito é necessário se infiltrar em todos os setores da sociedade com o objetivo de solidificar a revolução gramsciniana, a qual é cultural, para substituir o pensamento conservador por outro que atenda aos objetivos revolucionários.

        Quando essa substituição estiver amplamente avançada, observar-se-á o completo amálgama entre os interesses do Príncipe e os interesses da sociedade; entre os interesses do partido e os interesses do governo.

        Nesse momento, que no meu entender, não está distante, o processo vai se tornar dificílimo de ser revertido. Dor, caos e lágrimas é o que virá.

      • Adolino disse:

        Apenas cuidado para não tornar a Marcha Rumo ao Libertarianismo mais uma Utopia, e tratar os “comunas” da mesma forma como eles tratam os “reaças”. Seria apenas uma repetição da mesma coisa, só mudando a Opinião. Todos achamos que a pílula vermelha é a que nós mesmos tomamos.

      • Professora Magda Wernersbach Ziemann disse:

        Nenhum socialista livre jamais concederá derrota no campo da lógica. Eles simplesmente não são afeitos a isso. Eles jogam com a emoção fácil e não com o raciocínio. –> pura verdade, eles tentam sempre vitimizar as pessoas, principalmente pobres ou “minorias”. Difícil combater estes idiotas, parecem viver em outro mundo…

      • Professora Carmilta Castro disse:

        Na minha opinião, o Brasil, e o mundo, ainda vão ter que passar por mais uma fase de socialismo, que, obviamente, será fracassada, antes de dar outra chance ao capitalismo. A história sempre evolui em ciclos. Às vezes pode parecer que estamos involuindo, que é o que ocorre hoje, mas creio que estejamos em uma descendente deste ciclo evolutivo, que trará muita miséria e desgraça, o que é inevitável quando se implanta o socialismo. Mas no próximo ciclo ascendente as pessoas serão mais conscientes da idiotice que é o socialismo, e irão moldar o capitalismo de maneira a não permitir as ingerências do mutualismo entre Estado e corporações que vemos hoje, e que são atribuídas ao cerne do capitalismo.

        Veja o que nos aguarda com os possíveis novos presidentes do PT, que, no mínimo, demonstram a agenda real do partido e seus afiliados. Sinto dizer, mas o Rui Falcão é o mais “reacionário” deles:

        http://www.youtube.com/watch?v=az466OqcTfo

        O Brasil ruma ao socialismo, e é o que o povo parece querer. Não só aqui, mas no mundo todo, o wallfare-state está ganhando o jogo. O NYT já até considera o Lula como um colunista, pra mim isso descredibiliza qualquer outra notícia que ele possa divulgar, no entanto, ainda é o mais influente nos EUA. O mundo todo precisa de uma reestruturação seríssima. Se eu tivesse chance, sairia desse país enquanto há tempo e me mudaria para algum país onde a onda vermelha ainda vai demorar a chegar.

      • Não existe caminho para a liberdade. A liberdade é o caminho.

  4. Adolino disse:

    Liberdade????Defender legalização de drogas, direitos gays, aborto, eutanásia, estado laico, é evidentemente um esquerdista.

  5. kiko disse:

    Infelizmente já fiz campanha para este maldito partido chamado PSTU e PSOL. Graças ao bom Deus, acabei saindo desse transe mental e psicótico. Mas hoje quando falo das desgraças dessa esquerda todos ficam me olhando como se fosse um lunático. Ninguém entende mais nada neste país, até os comentáristas, professores são de uma imaturidade pueril. É de doer os ouvidos, chega a dar vontade de vomitar. Jurei para eu mesmo nunca mais votar nesta cambada

  6. Ivo Rodrigues disse:

    Querido, o socialismo é um regime de poder. Um partido faz de tudo para ficar no poder eternamente. Ou seja, ditadura. Não há liberdade alguma. E o pior, há uma pseudo poder do proletariado. Isto porque o governo é composto sempre da mesma elite. Um bando de vagabundos querendo viver às custas do povo. No leste europeu o regime socialista caiu mas as famílias dos governantes continuam no poder e ficaram bilionárias.

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